sexta-feira, 4 de maio de 2012

Um 02 de maio: da decepção maior à criança no Templo

02/05, quarta-feira. Um dia que vai ficar gravado na memória de alguns juventinos e na minha em especial. Tanta gente que deu 'migué' no trabalho, inventou uma desculpa qualquer para estar num dia único - que era pra ser único. No que era pra ser o dia da festa do acesso, o Guaçuano nos jogou um balde de água gelada e levou mais de 1500 torcedores do êxtase ao silêncio absoluto em questão de segundos.

Depois de uma virada emocionante na segunda etapa, com gols de Tony e Renato, o relógio já batia quase em 48' quando em um vacilo da zaga grená, uma bola entrou na rede e calou o grito engasgado na garganta há 4 anos. Nem me atento tanto ao jogo porque lembrar do sentimento e do vazio daquele instante é uma situação que até agora me incomoda e irrita profundamente. Bom, sem o acesso, restava torcer por um bom resultado no outro jogo do grupo, à noite.

Fuçando no Facebook eis que surge a notícia de que elenco, comissão e torcida se reunirá na Javari pra secar o rival e, porquê não, comemorar o acesso indireto. Pouco mais de oito da noite, garoa fina e brisa gelada, que alguns malucos se concentravam próximo ao Templo aguardando a abertura dos portões. Já abertos e nada de jogo - nem de jogadores. Em suma, que nada foi como planejado: Ferreira não compareceu, tampouco grande parte do elenco - vi o Túlio, o Eduardo, o Maurício e o Lello, de respostas rápidas e boa resenha. O resultado não foi do nosso agrado, a decisão ficou para domingo mesmo; mas a festa existiu e foi de cada um, por um outro motivo.

Quem imaginaria estar na Javari à noite, sentir o cheiro de grama e imaginar os refletores, a casa lotada, a Mooca fervendo. Quem imaginaria que a portinha que dá ao gramado estaria aberta e que pela primeira vez eu pisaria nas quatro linhas da Javari. Um passo tímido e a perna direita pra dar sorte. Com o joelho apoiado no gramado fofo, um leve tufo de mato nas mãos. Dois passos e, de costas para o centro do campo, contemplando a arquibancada vazia, escura, quieta - como nunca. Mais alguns passos e o adulto, quase engenheiro, vira criança de novo: uma corrida até a marca do pênalti - relutei, não deveria fazer isso... Como não? Agradeço de já ao amigo de corrida, valeu Luciano! Ganhar a aposta foi de menos, valeu o sentimento, a ilusão de correr no gramado onde correm aqueles para quem torço por 90' como fossem heróis de mundo utópico, de faz de conta. Repito pela milésima vez que não há lugar mais mítico - mais místico. Na Javari, o presente e o passado andam numa linha tão tênue que o sonho e a realidade são um só. Um só.

Uma noite ímpar, uma sensação fora de série. Mas cá entre nós, trocava sem pensar os minutos em campo por apenas um grito: "Subimos, porra!". Ainda não, ele esperará mais um pouco - espero que até este domingo. Voltaremos! #ForzaJuve


Saudações juventinas!





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