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quarta-feira, 11 de maio de 2022

Até a pé nós iremos!

Quando deixou o Fortaleza, era clara a posição de Castro como um dos principais treinadores da América. Ao lado de Gallardo e Abel Ferreira, e mais de longe Bianchi e Telê Santana, poucos conseguiram tamanho status. Entre sondagens europeias ou de grandes seleções, o próximo passo (desejado) ainda era no Brasil. E as portas se abriram em mais um tricolor, agora gaúcho: o Grêmio Foot Ball Porto Alegrense.

Vestindo azul, branco e preto, com morada numa das arenas mais modernas do Brasil, Castro teria um orçamento generoso, tornando-o apto de montar um dos maiores times do país. 

Com tamanha oportunidade, as exigências também não seriam menores: se, no Fortaleza, campeonato nacional e Libertadores eram um sonho - aqui, no Grêmio, eram obrigação.

A carta branca para contratações jogou o "manager" Castro no mercado, e o clube agiu conforme seus movimentos. Foi montado um elenco qualificado, com excelentes opções, nomes fortes no mercado, como Everton Cebolinha, Calleri, Lucas Moura, Lucas Leiva e Fernandinho. 

Ainda, homens de confiança do antigo clube: o novo treinador do Fortaleza colocou à disposição todas as peças de confiança de Castro, os líderes do antigo vestiário. Pois bem, foram muito bem-vindos no novo projeto: Araruna, Walace e Moisés (todos por empréstimo).

Assim se formou o elenco do Grêmio, com: Romero e Martin Silva (goleiros); Araruna, Auro, Laxalt e Abner (laterais); Jailson, Cáceres, Vitão, Felipe e Aderlan (zagueiros); Fernandinho, Lucas Leiva (C), Wallace e Ansaldi (volantes); Moisés, Giuliano e Cueva (meias); Bruno Tabata, Everton, Lucas Moura e Pedro Rocha (alas); Calleri, William José e Pratto (atacantes).

O time logo tomou forma. Na pré-temporada, Leiva e Fernandinho demonstraram que a dupla de volantes, melhor em teoria no país, corresponderia na prática. Giuliano funcionou bem como meia-aberto, Everton e Moura se revezando como homens de velocidade. Moisés, veterano, jogando avançado em sua melhor temporada da carreira. E Calleri: toca nele que é gol - mais de um tento por partida, melhor média registrada no país em anos.

O campeonato brasileiro foi vencido com extrema facilidade, vindo o título com quatro rodadas de antecipação. 18 pontos à frente do vice, o time registrou 21 vitórias e 5 empates, tornando-se campeão invicto, igualando feito do rival Colorado, em 1979. Assustadores 93 gols feitos e apenas 12 sofridos. Calleri artilheiro com 20 gols. Moura, o melhor assistente com 14 passes para gol. E Romero, que teve 15 clean sheets em 20 partidas disputadas. Irretocável.

A Libertadores, com a humildade que não se prega, não foi diferente. Na primeira fase, 18/18 pontos. Depois, 5x0 agregado no Boca Juniors, 6x0 no Velez Sarsfield e 5x1 no Fortaleza - pelas semifinais. Doze vitórias em doze partidas.

O jogo mais difícil, claro, foi a final. Um primeiro tempo tenso, entre Grêmio e San Lorenzo, terminou 0x0. Em campo, o time titular bradado pelas ruas de Porto Alegre: Romero; Araruna, Jailson, Cáceres e Laxalt; Leiva, Fernandinho e Moisés; Everton, Giuliano e Calleri.

Com o artilheiro da Libertadores, Calleri (9 gols), muito bem marcado, espaços sobravam para os homens de trás. E assim, agora a Glória Eterna gremista chegou. Num espaço de dez minutos, Lucas Leiva encontrou Moisés duas vezes - e o meia, de nome bíblico, guardou as duas finalizações no fundo das redes. 2x0. Campeão da América!

E para levantar a taça, uma cria da base tricolor, Lucas Leiva - não só revelado pelo clube, mas atleta cuja história se mistura à gremista, desde aquela Batalha dos Aflitos há pouco mais de 18 anos.

A essa altura, além dos dois títulos, depreende-se que o time passou o ano de 2023 invicto - o clube não sabe o que é uma derrota sob o comando de Castro.

O palco está montado - o Grêmio se coloca como o time a ser derrotado, como o mais forte do país e da América. E 2024 promete ser igual... talvez reforçado, mais forte, seria esse Grêmio imbatível?

terça-feira, 26 de abril de 2022

A Glória Eterna

A segunda temporada em terras cearenses foi, com toda certeza, mais difícil que a primeira para o técnico Castro. Foi uma temporada de oscilações, tensão, polêmicas, irregularidade – apesar dos resultados fantásticos em campo e o lugar nos livros de história do futebol brasileiro.

Com o título nacional no ano anterior, 2022 se projetou como um ano de quase obrigação pelo bicampeonato e, também, do favoritismo à Copa Libertadores – mesmo sendo sua estreia na competição sul-americana.

Com mais recursos, a janela de janeiro (menos agitada em terras europeias) ajudou a fortalecer o elenco. Alguns jogadores com desempenho fraco saíram (Pituca, Douglas, Bambu, entre outros) e outros bons nomes retornaram ao Brasil, casos de David Luiz, Felipe Anderson, Paulinho e Leandro Damião como destaques.

As novas peças demoraram a encaixar – a engrenagem que rodava em 2021, com novos elementos, não parecia mais a mesma. Porém, mesmo jogando um futebol abaixo da expectativa, os resultados vinham, e o clube avançava na liga brasileira e na busca pela Glória Eterna da América.

O primero semestre ainda fora marcado por desentendimentos no vestiário e com a diretoria. Alexandre Pato criou várias indisposições (até culminar com sua liberação na janela seguinte) e a diretoria insistia por metas financeiras praticamente impossíveis de atingir - e manter um time competitivo ao mesmo tempo.

Mas com metade da temporada ultrapassada, que as coisas ficaram mais nebulosas. O desempenho notável em resultados no ano anterior chamou a atenção dos europeus, que vieram buscar recursos para fortalecer seus times; assim as saídas aumentaram no atacado, com os “gringos” levando o artilheiro Henrique Dourado (Holanda), Jaílson, Alexandre Pato e Brenner (Inglaterra), Pedro Rocha (Espanha) e mais alguns outros para ligas menores. 

Dentre todos esses, Jaílson fez a maior falta – a saída do camisa 5, coração da equipe, mutilou o sistema de recuperação de posse de bola, que levou quase 3 meses para reconfigurar ao estado de excelência da temporada anterior.

Por outro lado, com cofres cheios, mais brasileiros foram repatriados, e caras talentosos demais: Bernard (aquele), Joelinton e Matheus Pereira.

Os dois últimos, aliás, foram os grandes responsáveis por virar a chave ao final da temporada – após as oscilações pós-janela, assumiram a responsabilidade e seus gols garantiram as duas esperadas taças ao Leão do Pici. 

O ano avançou e apesar da estremecida relação com seus superiores, Castro conseguiu manter o vestiário blindado de todos os problemas e continuar remando adiante.

Pelo campeonato brasileiro, o time arrancou bem desde o início e liderou a tabela de ponta a ponta. Mesmo sem grandes atuações durante parte do torneio, a consistência em saber vencer jogos afastou Internacional e Grêmio – novamente os principais adversários – de qualquer chance. O título veio novamente na última rodada, em casa, diante do Goiás: 4x1, com dois gols de Damião e dois gols de Matheus Pereira. Num ano sem destaques individuais, sem artilharia, principal assistente ou goleiro menos vazado, os 59 pontos foram mero reflexo do coletivo.

E, no coletivo, também veio a Copa Libertadores. Num grupo de médio para difícil, o time se saiu muito bem, perdendo apenas uma partida para o Boca Juniors e classificando com 15 pontos. 

Mais que um golpe de sorte, o Fortaleza aprendeu em poucos jogos como disputar a taça – e a partir do mata-mata, aproveitar muito bem a primeira perna dos confrontos. Assim, bateu Barcelona nas oitavas (6x2 agregado), Del valle nas quartas (6x0) eGrêmio nas semifinais (7x2). 

A final, em jogo único e estádio neutro, foi contra o Racing Club, time tradicional argentino, que havia eliminado gigantes em seu caminho, entre Palmeiras e River Plate. Final de Libertadores contra um time argentino sempre tem sabor mais especial – imaginem ainda se, logo no início do jogo, um pênalti inexistente é marcado e você marca, né? Assim foi: de um modo quase sádico, um pênalti polêmico foi marcado e David Luiz converteu, logo aos cinco minutos de jogo. Isso abalou a equipe de Avellaneda, que atordoada e muita irritada, não se encontrou mais. Ainda no primeiro tempo, Felipe Anderson marcou mais duas vezes e decretou o caminho da glória. Um gol sofrido, já nos acréscimos, nada mudou o destino da partida e do novo rei do continente!

Nos holofotes da América, o nordeste brasileiro chegou ao auge agora também pelo futebol. O eixo revelador, por horas relegado ao sudeste, agora é o mais temido.

2 anos de Fortaleza, 2 anos de sol cearense, trabalho, luta e títulos. Um biênio de reestruturação do eixo do futebol brasileiro, dando olhos a um trabalho de anos, que passou por Ceni, Vojvoda e chegou a Castro.

75 jogos, 57 vitórias, 12 empates e 6 derrotas. 180 gols marcados e 52 sofridos. 

A maior goleada foi em cima do Santos, 8x1. Exatamente um mês depois da maior goleada sofrida, 1x4 contra o Galo.

Com um trabalho plantado e com objetivos colhidos, somado à tensão com superiores, nada mais justo e cabível que buscar novos desafios, reinventar-se e tentar semear a filosofia num novo estado, numa nova camisa.

Obrigado, Fortaleza! Vocês alcançaram a Glória Eterna! Nós alcançamos a Glória Eterna!

O Leão do Pici é o maior da América!

quinta-feira, 24 de março de 2022

Leão do Pici: É aquele mesmo!

A mais recente missão do técnico Ricardo de Castro foi no Brasil. Num ano atípico, com apenas 14 equipes na competição, a equipe da vez foi o Fortaleza Esporte Clube, para disputa do campeonato nacional.

Mesmo com um retrospecto interessante em temporadas anteriores, o propósito era reconstruir 100% do elenco e se tornar um contendor definitivo ao título nacional.

A grande limitação era não ter nomes atuando em terras brasileiras à disposição; assim, a solução foi buscar atletas brasileiros atuando mundo afora – e sem verbas muito altas, ser criativo desde jovens promessas a veteranos em fim de carreira. Jogadores que, no debate de bar, é o famoso “aquele fulano?” ou “aquele beltrano?”.

Tricolor de Aço, já centenário, vinha dando sinais de recuperação desde o brilhante trabalho de Rogério Ceni até a conquista da vaga na Libertadores sob comando de Vojvoda. Assim, Castro reconstruiria o elenco - por necessidade - mas sob um padrão de jogo já marcante, uma estrutura já qualificada. 

A torcida desde o início sentira o estranhamento, já que dois ídolos haviam ocupado a vaga no banco de reservas. Entretanto, o tempo e o futuro criaram espaço para que Castro se unisse ao panteão ocupado pelos treinadores anteriores.

Antes até de falar da campanha, vale então irmos ao elenco de 24 jogadores que representaram o Leão do Pici no campeonato brasileiro de 2021. Apresentaremos por: nome (passagem mais marcante).

Goleiros: Denis (São Paulo), Marcelo Grohe (Grêmio) e Renan Ribeiro (São Paulo).

Laterais: Douglas (Barcelona), Araruna (São Paulo), Carlos Augusto (Corinthians) e Gabriel Silva (Palmeiras).

Zagueiros: Danilo (Palmeiras), Bambu (Athletico-PR), Kal (América-MG) e Cássio (Juventus-SP).

Meias: Jaílson (Palmeiras), Pituca (Santos), Moisés (Palmeiras), Júnior Uso (Corinthians), Wallace (Grêmio) e Lucas Fernandes (São Paulo).

Atacantes: Pedro Rocha (Juventus-SP), Brenner (São Paulo), Fernandinho (São Paulo), Talles Magno (Vasco da Gama), Ewandro (São Paulo), Henrique Dourado (Fluminense) e Pato (Milan).

Pato? Sim, aqueeeele Alexandre Pato!

É uma lista de medalhões, e você deve estar se perguntando se Douglas é aquele mesmo? Ou se Danilo é aquele zagueiro mesmo! E sim, a resposta é: eles mesmo!

O elenco heterogêneo teve tempo para se encontrar - com os nomes definidos até 31/01 e a competição iniciando-se apenas em abril, o time teve quase 3 meses para pegar entrosamento, o suficiente para brigar desde o início pelo topo.

Com destaques individuais para Danilo, Araruna, Júnior Urso e Henrique Dourado, o time priorizou a defesa, tomar poucos gols até que o ataque conquistasse confiança para ser o alicerce dos placares.

Mesmo não sendo a melhor defesa em números, o Fortaleza ficou abaixo da média de 1 gol sofrido por jogo; ao passo que o ataque ficou com 2,5 por partida.

A disputa contra o Internacional foi ponto a ponto, do início ao fim. Entre trocas de liderança - foram inúmeras - apenas os clubes de Ceará e Rio Grande do Sul chegaram firmes mesmo até o último dia.

E, curiosamente, o último dia foi em seu próprio estado - mas no estádio do Vozão, seu maior rival. Contra o Ceará, um empate por 1x1 garantiu o 58° ponto em 26 jogos - um a mais que o Inter, que terminou com 57.

Um título extremamente festejado, do qual Castro carrega a coroa mas compartilha os méritos com aqueles que construíram essa história.

O Fortaleza não era de Castro apenas. Era da torcida apaixonada que lotou o Castelão nos 13 jogos em casa. Era de Araruna, principal garçom do campeonato (9 passes decisivos), da revelação Carlos Augusto, da dupla fantástica Jaílson/Júnior Uso, de Fernandinho a brilhar nos momentos mais difíceis.

Criou-se uma conexão, algo além das quatro linhas.

Emoção ao longo do ano, que coroou um artilheiro nacional - Henrique Dourado (22 gols), mas também propiciou um gol de goleiro (Dênis, na derrota por 4x3 contra o América-MG fora de casa). Bolas salvas em cima da linha, carrinhos demonstrando raça, festa nos alambrados ao final de cada vitória.

Pro Leão, o Brasil é presente! Agora, além disso, buscar-se-á "A Glória Eterna"

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Arsenal: a frustrante janela de inverno

No dia 02/09/2021, este blog publicou um texto sobre a pequenez do Arsenal na gestão de Arteta e Edu Gaspar. E, sim, admitimos que o texto foi escrito na base do ódio. A insistência no novo projeto, cujas metas não são claras, dava sinais de estafa na apaixonada torcida. O início sofrendo três derrotas consecutivas, os improvisos e as aparências de que tudo está bem...

A temporada foi rolando, o time se encontrando com um "back four" consistente, um goleiro em ótima fase, e os meninos brilhando no ataque. A escalada na tabela nos levou a claras chances de classificação para a próxima UCL.

O mês de dezembro, apesar do início com duas derrotas, trouxe goleadas e um ótimo futebol - a partida contra o West Ham foi brilhante. 

Janeiro começou com um revés diante do City, apesar da excelente atuação - com impacto feroz da parcial arbitragem.

E depois... derrocada abaixo. Eliminações nas duas copas, perda de pontos contra último colocado da PL... e apenas 1 gol marcado - justamente contra o City, em 01/01/2022.

O caso Aubameyang já se indicava irreversível; a CAN "roubou" Partey, Elneny, Pepe; Xhaka expulso no jogo de ida contra o Liverpool - e as opções de meio-campo limitadas ao jovem Lokonga.

Mas o inocente torcedor esperava uma janela agressiva no inverno - associações a  Vlahovic, Bruno Guimarães, Arthur... nada, absolutamente nada. Pelo contrário, o Arsenal foi desdenhado por atletas e clubes - Guimarães ironiza o interesse do Arsenal em sua apresentação; Vlahovic disse que jamais considerou o norte de Londres como sua futura residência.

Claro, foi sim positivo se livrar de encostos do elenco: Kolasinac, Chambers... e até Auba, cedido gratuitamente ao Barcelona, gerando economias acumuladas de 500 mil libras semanais em salários.

A desculpa que se ouve na Inglaterra é que a missão era acabar a renovação do elenco e, aí sim, lutar por coisas maiores em 2022/2023. Havia muita coisa ligada à Wenger e à Emery... e Arteta sempre disse que queria um elenco formado por ele. E sem torneios internacionais nem copas, entende-se que o atual grupo de atletas aguenta os 17 jogos restantes da temporada.

Hoje, há menos de 20 jogadores profissionais registrados - sendo que alguns certamente sairão no verão, insatisfeitos ou em fim de contrato - como Leno, Laca e Nketiah.

A torcida entrou no inverno com o sonho concreto de Champions League; a projeção atual, todavia, é de sexto ou sétimo lugar. Manchester vem se acertando com Rangnick, Conte vai levar o Tottenham a voos mais altos, e até o West Ham parece sólido o suficiente para deixar os Gunners para trás.

Eu entendo, hoje, um pouco do projeto. Mas não entendo como é possível abrir mão esportivamente de mais um ano em função de algo que não está claro pra ninguém - talvez nem pra eles. A grandeza do Arsenal exige que a reformulação seja trabalhada no mínimo em paralelo - o mínimo de competência pede isso. E competência é a maior lacuna de Edu Gaspar.

22/05/2022 o ano acaba, em partida contra o Everton, no Emirates. Depois disso, veremos o saldo de todo esse "planejamento".

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Entre furacões: who dat?

Entre 23 de agosto e 31 de agosto de 2005, o furacão Katrina devastou a Luisiana, acumulando mortes, destruição e desabrigados, ficando até o estádio local (Superdome) como ponto de resgate, abrigo e lar dos mais desamparados, cerca de 30 mil contabilizados.

Já em 2021, entre o final do mês de agosto e início de setembro, o Furacão Ida atravessou o mesmo estado da Luisiana, deixando estragos e desabrigados.

Foram 16 anos separando tais eventos, eternamente marcados nos moradores de Luisiana, especialmente de uma das suas principais cidades - New Orleans.

Ironicamente, no mesmo intervalo de 16 anos, entre 2006 e 2021, o time de futebol americano da cidade, os Saints, tiveram o icônico Drew Brees vestindo a camisa 9 - liderando a liga em diversas estatísticas e construindo uma história jamais vista nos esportes locais.

Claro que tudo renasceu, nesse intervalo, com aquele punt bloqueado por Steve Gleason em 2006, no retorno do time ao seu lar - ali, nascera algo especial em New Orleans.

E, claro também, que a conquista do Superbowl, em 2009, celebrou o primeiro e único título da apaixonada franquia, após tudo que passaram.

Mas a realidade foi uma "entre furacões".

Brees veio e saiu, os ventos trouxeram e levaram algo da cidade além de caos e passes perfeitos.

Em 2021, sonhar com o SuperBowl LVI seria demais, até para o mais esperançoso torcedor do New Orleans Saints. 

Por isso, a campanha nesta temporada, apesar de terminar fora de playoffs, já é motivo de muito orgulho à franquia e a sua torcida.

>>> Ida tirou o elenco de alguns mandos de campo e seu local de treinamento...

>>> Brees se aposentou...

>>> A engenharia financeira para entrar no cap space de salários manteve alguns nomes importantes no elenco, mas permitiu a saída de talentos incríveis, como Trey Hendrickson, Morstead, Jenkins e Sanders. Daqueles que ficaram, absolutamente todos reestruturaram seus contratos..

>>> Jameis Winston, escolhido como QB1, e que mantinha campanha 5-2 no ano, lesionou o joelho e se tornou desfalque por toda a temporada. Hill e Siemian (QB2 e QB3) se revezaram, com baixo nível de jogo, por nove partidas; por fim, Ian Book (calouro, QB4) jogou de titular contra os Dolphins, numa dura derrota...

>>> 22 atletas estiveram fora diante desses Dolphins, pelo protocolo de COVID-19...

>>> Michael Thomas, um dos principais e mais bem pagos recebedores da NFL, não jogou um snap com lesão grave no tornozelo. Assim também foi com Wil Lutz, kicker do time há 5 temporadas, lesionado...

Com tudo isso, a campanha foi positiva (9-8). Sean Payton e staff foram absolutamente incríveis na condução dessa temporada. 

A defesa foi uma das mais dominantes e com energia da Liga. Jordan, Demarius, CJ Gardner, Lattimore e todos os outros foram os responsáveis pela campanha positiva - sob instruções do competente Denins Allen. Por outro lado, o ataque, um dos piores do ano, teve em Alvin Kamara sua única peça inquestionável.

Entre furacões, com todas vitórias, derrotas e muitas polêmicas (né, Sean Payton), New Orleans consolidou-se como uma franquia respeitada, que acumulou títulos de divisão e um SuperBowl. Antes do Katrina, os Saints não passavam de uma piada, saco de pancadas. Agora, depois do Ida, a missão é mostrar ao mundo do futebol americano do que New Orleans foi forjada.

Como não sonhar? Rumo ao SuperBowl LVII. Who Dat!?

sábado, 25 de dezembro de 2021

Aos heróis de 04/05/1949 | A tríplice coroa

Vai além do grená no escudo e na camisa; vai além da relação latente com o clube que amo. O Torino é uma força que renasceu após a Tragédia de Superga, reforçando laços entre camisa e cidade de Turim. Uma vez maior da Itália, pentacampeão nacional, base absoluta da seleção azzura... encerrado num desastre que culminou com a perda de todos os seus atletas, do Grande Torino

Renasceu parcialmente - por mais que esteja ainda na elite, o Torino não passa de uma força periférica. Naquela década de 1940, dominava o país da bota e não dominava a Europa apenas por ausência de uma competição integrada - assim, vivia de excursões, demonstrando o melhor futebol do planeta continente afora, o futebol em pleno estado de arte.

De uma das excursões veio a tragédia, que pôs o ponto final na linda jornada.

O Torino desde então vive altos e baixos em sua história, vendo a irmã Juventus dominar as vitórias nacionais e sua relevância ficar às sombras. Então, como uma homenagem, vamos de "quatro de maio de mil novecentos e quarenta e nove", duas temporadas jogadas em homenagem aos heróis grenás.

Nas temporadas abaixo, o espírito de Valentino Mazzola esteve no coração de Andrea Belotti. Ambos atacantes, ambos capitães, ambos ídolos incontestáveis da torcida granata e ambos preteridos por sua seleção. Assim como a Basílica de Superga foi reconstruída e segue firme, a reconstrução agora é sólida como os novos muros que mantém erguida a tradicional igreja de Turim.

2020/2021...

O primeiro ano foi de plantação - seria ousado demais imaginar que um clube de tabela média-baixa, com eventuais riscos de rebaixamento, bateriam de frente com os atuais gigantes. Juventus, Inter, Milan, Napoli, Roma, Lazio, Atalanta... todos hoje são mais fortes que o clube grená.

Todavia isso não foi limite para Castro e companhia. Investindo num sistema defensivo forte e na manutenção da posse de bola, o Torino aconteceu. Não o bastante para celebrar títulos, mas o suficiente para se recolocar numa prateleira mais alta.

Dói a perda do campeonato, na penúltima rodada, justamente para a Juventus. E ainda por míseros 3 pontos, desperdiçados na reta final da competição: ao longo de 38 rodadas do Calcio, 84 x 87 pontos da Vecchia Signora.

O segundo melhor ataque da competição (70) e terceira melhor defesa (32) mostraram que o caminho é correto, mas ainda falta algo.

Pelo Coppa da Itália, um relevante 0x4 perante a Lazio deixou o time cabisbaixo ao meio da temporada, mas também colaborou para se concentrar e chegar ao vice-campeonato nacional já mencionado.

E à medida necessária, na dificuldade, que se criaram os novos heróis. Andrea Belotti foi capitão no ano e conquistou prêmios individuais da artilharia e passes para gol (21 e 13, respectivamente) no Calcio. Salvatore Sirigu foi o goleiro menos vazado, protegendo perfeitamente sua meta em 19 das 38 - todas - partidas disputadas.

Diferente do histórico time, ofensivo por natureza e destacado sempre por isso, esse Torino teve lastro defensivo mais forte. Num 5-4-1, evitando exposição, passou 23/45 jogos no ano sem sofrer gols, empatando 20% de todas as partidas.

Com Sirigu na meta, a linha defensiva tinha Nuno Mendes, Tomiyasu, Nkoulou, Lyanco e Rodriguez. Três volantes: Rincon, Meite e Lokonga. Verdi ou Zaniolo na armação e Belotti no comando de ataque.

Rincon, na verdade, foi uma peça fundamental para o balanço da equipe. Boa parte das partidas ruins na temporada aconteceram na ausência do camisa 8, já veterano.

A defesa teve alguns lapsos, mas no geral, muito firme. E o ataque careceu de criatividade, algo que deveria mudar para o ano seguinte.

Como dito, uma temporada de plantação. A colheita viria na próxima.

Mazzola... "Quando se fala em Grande Torino, o primeiro nome que vem à cabeça é Valentino Mazzola. Atacante símbolo e capitão daquela equipe, ele foi um dos maiores jogadores da história do futebol italiano, capaz de carregar um time inteiro em suas costas, como bem definiu anos mais tarde o técnico Enzo Bearzot. Um atleta especial, que conhecia muito de tática e, assim como outros que elevaram o nível do Torino, tinha grande preocupação com a preparação física. Além disso, era muito passional e extravasava como um torcedor nas vitórias e derrotas. Assim, não demorou para ganhar o coração da torcida granata. O escritor Gian Paolo Ormezzano costumava dizer que ele era a personificação do Toro." (Texto adaptado de Calciopedia)

2021/2022...

Ah, o doce sabor da tríplice coroa! Coppa Itália, Calcio e Champions League, que ano!

O saldo de aprendizado com os erros na temporada anterior foi fundamental para o novo ano; porém, o saldo financeiro foi que permitiu uma equiparação leal aos principais concorrentes.

E tudo começou com um golpe forte: Giorgio Chiellini, ídolo da Juventus, fechou por duas temporadas com o arquirival Torino. Uma aula de bastidores que trouxe à memória a vinda do eterno Gabetto, um dos maiores ídolos de ambas torcidas e que migrou da Vecchia Segnora ao Toro. 

Com as novas possibilidades, desembarcaram, no lado grená de Turim, nomes como Pavard, Tonali, Tchouameni, Berardi e Vlahovic. Nomes que tranquilamente poderiam reforçar os gigantes italianos ou até mesmo da Premier League ou La Liga.

O Calcio, como sempre, fora disputadíssimo. Permanecendo entre 3° e 6° lugar durante todo o primeiro turno, o segundo foi de arrancada e consequente título na 37ª rodada, em casa contra a Inter. Mantendo uma estabilidade enorme, o time conquistou 87 pontos, com 91 gols feitos e apenas 26 sofridos.

Pela Coppa Itália, numa jornada de apenas cinco jogos, a final foi contra a algoz Lazio - time que os eliminara no ano seguinte. E o troco veio exatamente como necessário: 4x0 na final, todos gols marcados ainda na primeira etapa.

Na Champions League, por sua vez, que o Torino foi tratado como zebra. Na fase de grupos, considerado a terceira força (atrás de Real Madrid e Arsenal), o time conquistou a primeira posição - incluindo uma belíssima vitória em pleno Santiago Bernabeu na rodada de estreia. E a liderança permitiu que o clube mandasse todos os jogos de volta em sua casa. 

Apesar das duas vitórias por 2x1 contra o Tottenham, em jogos muitos disputados pelas oitavas, foi nas quartas-de-final que o time definitivamente se encontrou: nos dois jogos contra o Bayern, do então artilheiro da competição (Lewandowski), duas vitórias por 2x0 - em ambas partidas, com atuações magníficas do sistema defensivo, dobrando em todas as marcações e não permitindo um único chute do atacante polonês.

Mesmo passando pelo principal time europeu do momento, o duelo das semifinais foi considerado o embate entre zebras - Torino x Real Sociedad. Os dois times, de médio porte, já eram os principais expoentes de seus países na temporada. Entretanto, o time italiano se sentia favorito e, no agregado, conseguiu o placar de 3 x 2. 

Chegando à final, no Wanda Metropolitano, o último desafio do ano era contra o poderoso Manchester City. Favorito nas casas de apostas, o time de Guardiola desde o primeiro minuto acampou no campo de defesa italiano, sempre com sete ou oito jogadores no último terço do campo; porém o time grená estava preparado, estudou muito o adversário: com triangulações rápidas, sobretudo de Tonali e os três homens da frente, o placar foi aberto com 7' de jogo - e o 2x0 chegou antes dos 20'. Mesmo com Aguero descontando, o time manteve o ritmo e a dedicação, alcançando o fatal 4x1 (Berardi, Belotti, Nkoulou e Zaniolo). 

Uma temporada perfeita, perfeita. Uma tríplice coroa das mais merecidas da história.

O sistema defensivo já era visto na mídia como um dos mais memoráveis da história recente italiana, quase revolucionário na ocupação de espaços. Chiellini e Nkoulou tiveram uma temporada absolutamente irrepreensível, que seria elogiada pelo eterno Rigamonti, principal defensor daquele granata; o ataque posicional, explorando as melhores características de seus atletas, fez das triangulações, ultrapassagens e capacidade de finalização, características como as de Loik, Gabetto e Mazzola, o ataque fulminante que fez jus àqueles da década de 1940 - agora com Zaniolo, Berardi e Belotti.

Foram 61 partidas na temporada, com 136 gols e 41 apenas tomados.

Individualmente, Sirigu conseguiu 34 clean sheets em 58 partidas disputadas.

Para Belotti, um capítulo à parte: artilheiro e assistente do Calcio (28 gols e 16 assistências), Coppa Itália (4 e 5, respectivamente) e também da Champions (9 e 5, respectivamente). Ou seja, sua tríplice coroa particular.

Se ambos são aqui exaltados, o time-base precisa ser apresentado: Sirigu; Tomiyasu, Pavard (Lyanco), Nkoulou, Chiellini e Rodriguez; Meite, Tonali, Zaniolo e Berardi; Belotti.

Ansaldi e Rincon, em temporada de aposentadoria, foram fundamentais à rotação do elenco. Assim como Nuno Tavares, Nuno Mendes, Verdi, Bremer, Lokonga, De Ketelaere e tantos mais.

Com a tríplice coroa, a carreira no Torino está completa, a missão está executada: exaltar e eternizar o legado daqueles que fizeram do clube grená de Turim um dos mais inesquecíveis da história. Aos heróis de 1949, muito obrigado! 

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Arsenal e um espaço para neologismos: a botafogonização

Há décadas o Arsenal não bate tantos recordes negativos. Piores posições, piores inícios, piores sequências sem vitórias, fora de competições internacionais de quaisquer níveis. 

O "Efeito Emirates", que secou as fontes do clube por um tempo, prolonga-se e ainda é desculpa para fracassos - mesmo sendo o clube que mais gasta numa janela de transferências na Premier League, como foi neste verão.

A dupla Edu e Arteta, doravante designada apenas patetas, que manda no futebol, não tem a confiança da torcida e parece que nem respaldo do próprio vestiário. O conto de construir uma cultura vem deixando a torcida impaciente, não sabendo nem qual cultura é essa.

Os atletas não se desenvolvem, nem dentro da cultura nem esportivamente.

O novo vestiário foi recheado com novas peças, todas muito jovens e apenas duas com potencial para titularidade imediata.

Os veteranos, por outro lado, mantém mais uma temporada de expressões derrotadas e, mais, conformadas com a derrota.

William sai do clube e o projeto é detonado por Kia Joorabchian, cumpadre de Edu e famoso por operações nebulosas no mundo do futebol.

Fechamos o dia 31/08, último de janela, mais preocupados em desovar atletas do que em trazer caras bons.

Mais parece uma série de equívocos atrás de equívocos.

Incompetência total.

O Arsenal gastou mais em White que o Manchester em Varane. No geral, gastou-se mais em White, Odegaard, Nuno, Tomiyasu e Ramsdale juntos que o United para contar com o zagueiro campeão do mundo pela França, Jadon Sancho e Cristiano Ronaldo. Parece surreal não? Ainda mais ao pensarmos que isso não reforça necessariamente o time titular, que disputa competições hoje.

É, na verdade, de se esperar: o clube não é atrativo para jogadores de calibre mundial. Jovens podem ver o clube como uma ponte a "clubes maiores" entretanto, caras consagrados não querem ir para um time que fede a fracasso.

No gol, Leno deu muitos sinais de insatisfação e parecia querer deixar o clube; sem propostas, permaneceu. Entretanto, o clube trouxe Ramsdale para ser sua sombra - jovem talentoso, mas que significa um atleta de £30MM para jogar as copas nacionais. Lembrando que, um ano antes, perdemos o argentino Emi Martínez por muito menos e, questionavelmente, melhor que os dois citados acima. Ainda nos livramos, nesta janela, de Runnarson, uma aposta completamente furada dos patetas, que foi atuar no segundo escalão da liga belga.

Na lateral-direita, o verdadeiro circo. Terminamos e começamos temporadas com Calum Chambers na posição, um fraco jogador inglês contratado à época de Arsene Wenger - quando este já estava na sua fase delirante. Cedric não tem confiança em si, Bellerín pediu para sair (e foi para o Real Betis, por empréstimo no último dia de janela) e Niles resolveu ser lateral esse ano e avisar todo mundo pelo Instagram; além disso, o canhoto Nuno Tavares foi improvisado aqui na primeira rodada. A posição é um resumo da péssima gestão de elenco dos patetas; no último dia, ainda, chegou o japonês Tomiyasu, oriundo do Bologna, que em tese brigará fortemente pela titularidade numa tentativa desesperada.

Na lateral-esquerda, Tierney é dono absoluto da posição; seu problema se resume às frequentes lesões. Se estiver saudável, inquestionável; porém isso é pouco provável. Como backup vamos de Nuno Tavares, jovem demais e ainda se adaptando à velocidade da liga; e Kolasinac, que já provou muitas vezes ser incapaz de jogar neste nível de competição - e mesmo assim foi titular contra o City na goleada de 5x0 (improvisado como zagueiro).

Na zaga, Ben White promete tomar conta e dar segurança ao setor, mesmo com toda sua juventude - carrega o fardo dos mais de £50 pagos para sua chegada; ao seu lado deve jogar Gabriel Magalhães, que teve ótimo início na última temporada e acabou sofrendo na reta final com lesões. Sem David Luiz no elenco, as opções para rodízio são Holding e Pablo Marí como centrais de ofício, que já tiveram boas atuações mas oscilam demais dentro de um próprio jogo. No mais, veremos provavelmente vários improvisos de Mikel na posição, especialmente nas copas. Poderíamos contar ainda com Mavropanos e Saliba, mas Arteta não gosta de ambos e, apesar de voarem baixo em ligas europeias, são rotulados como inexperientes e despreparados para vestir a camisa vermelha.

Como volantes, contamos que Partey vai deixar as lesões de lado e se tornar um mínimo de "Patrick Vieira" - o ganês promete muito, teve boas atuações, mas no geral não foi sombra daquele volante que contávamos que ele seria. Ao seu lado deve jogar Xhaka, questionadíssimo mas de contrato renovado - com um polpudo aumento e expulso logo na terceira partida com vermelho direto, ele engana todo mundo com uma liderança instável e pouco resultado à velocidade das partidas, que o deixa atordoado. Lokonga chegou para ser reserva imediato e Elneny compõe o corpo de volantes do elenco. Problema: na CAN, Partey e Elneny deixarão o clube e teremos apenas dois jogadores disponíveis para a fase mais aguda do ano; Torreira e Azeez foram dispensados por birra dos patetas e a promessa de profundidade do elenco não existe - fragilidade que pode custar caro ao clube na tábua de classificação.

No meio-campo de criação, dependeremos muito de ERS, novo 10, e de Odegaard, que jamais se firmou no Real Madrid. Um mais garoto e outro já um pouco mais consolidado, mas duas promessas irregulares e às vezes até apáticas. Ambos têm muita bola pra mostrar, mas precisam estar num sistema de execução organizado - o que não há.

Pelo lado do campo, poucas opções. Pepe às vezes encontra seu futebol, porém quando começa a ter sequência, seu futebol cai e logo é jogado para o banco de reservas - vivendo num loop eterno desse modo; é bom jogador, custou mais do que deveria, e precisamos rezar por seus lampejos. Saka é o grande "hype" do elenco, tem personalidade e talento, e deve ser o dono de uma das posições. William se foi para o Corinthians, desencantado com o péssimo trabalho gunner. Sem Nelson, acabaremos forçando a barra com PEA e Martinelli eventualmente, mesmo perdendo o talento destes dois atletas perto do gol.

Na posição de camisa 9, dilemas. Lacazette (que ostenta tal número nas costas) não teve propostas para sair, vira e mexe está chateado, e deve fazer seus 12 gols no ano sem garantir a posição de titular. Eventualmente, Aubameyang jogará na sua função principal, na esperança que retome temporadas de +20 gols no ano, o que é improvável. No mais, Nketiah não foi vendido e deve eventualmente jogar, apesar de entrar mal nos jogos... Balogun deve ter oportunidades escassas - diferente do prometido no ano passado... e Martinelli fará parte do rodízio, mesmo que fisicamente se sacrifique demais jogando aqui: o brasileiro não achou sua melhor posição e parece que Arteta não o está ajudando muito a se desenvolver.

Como podem notar, um elenco mal montado. Opções improvisadas a todo momento, atletas que não se desenvolvem. Um esquema tático que deixa espaços gigantes entre as linhas, isola jogadores sem opções de passe. Um horror, um verdadeiro horror.

Hoje, comparamo-nos com Everton, West Ham, Leeds e Aston Villa. Somos um time de meio de tabela, que briga por Europa League. Somos compradores de mercados secundários ou temos de pagar sobre preço a clubes de uma prateleira mais alta.

A competitividade é baixa, o investimento é alto e o futuro, o futuro nunca chega.

Provavelmente terminaremos, se continuarmos com os patetas, entre 6° e 8° na temporada, sendo otimistas. 

Mais um ano fora de competições internacionais vai trazer dificuldades financeiras ao clube, que já é escanteado pelos donos americanos, que têm foco em outras modalidades.

E, assim, vamos ter um ano seguinte de menor investimento; eventuais talentos, como Saka, vão optar por se mudar para clubes mais estruturados para disputar a UCL - como Grealish fez neste verão, ao deixar o querido Villa pelo City: o amor deixará de falar mais alto pela própria carreira.

Consequentemtente, estamos eternizando a mediocridade e nos tornando um gigante adormecido: o Botafogo da Inglaterra. 

Como se Nilton Santos fosse Bergkamp e Garrincha, Henry, seremos aqueles saudosistas dos Invencibles e daquele ano que tivemos o maior time do mundo. E fim.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Don't you worry, you'll find yourself

Talvez uma das Top 3 músicas da minha vida chama-se Simple Man, composta e gravada pela banda Lynyrd Skynyrd. Apesar da letra absolutamente linda, eu nunca fui atrás de seu significado, o porquê da sua composição. E foi no site "whiplash.net" que vim a descobrir dia desses - e esse início de texto foi todo retirado de lá, uma publicação de 28/04/2010 (aqui): "A canção foi composta pelo então vocalista, Ronnie Van Zant, e pelo guitarrista Gary Rossington no início da década de 1970 e sua composição surgiu após a morte da avó de Ronnie. Em um dia qualquer, ele e Gary estavam no apartamento do vocalista e começaram a contar algumas histórias sobre ela. A partir disso, o guitarrista começou a dedilhar algumas notas e ambos puseram-se a montar uma letra sobre as recomendações das mulheres importantes de suas vidas, em especial mães e avós. A letra foi composta em apenas uma hora e é especialmente tocante, apesar de sua simplicidade. Trata dos ensinamentos de uma mãe para o seu filho sobre as coisas mais importantes da vida: a fé, o amor, a humildade e o desapego material". 

Alguns integrantes da banda, incluindo seu vocalista principal, morreram num trágico acidente de avião em 1977, deixando-nos um legado de músicas icônicas, como para sempre será Simple Man.

A tradução da letra é mais ou menos a seguinte: "Mamãe me disse quando eu era jovem; Sente-se ao meu lado, meu único filho; E ouça atentamente o que eu disser; Se você fizer isso, poderá ajudá-lo em algum dia ensolarado. Relaxe, não viva tão rápido; Problemas surgirão e irão passar; (...) E não se esqueça, filho, que há alguém lá em cima. E seja um homem simples; Seja algo que você ame e entenda; (...); Você não vai fazer isso por mim filho, se você puder? Esqueça sua cobiça pelo ouro do homem rico; Tudo que você precisa está na sua alma; E você pode fazer isso se tentar; Tudo que eu quero para você meu filho, é a sua satisfação."

A fé, o amor, a humildade e o desapego material... justamente o sentimento que nos une ao clube que completa 97 anos de idade nesta terça-feira. Talvez jamais como "homem", mas sim um "moleque", porém sempre... simples.


A conversa aqui é permeada por esses sentimentos desde o início e o texto de aniversário do blog mais uma vez escancarou isso. A fé no improvável até que se prove impossível, porque carregamos o sentimento da mística, do inesperado que o cotonifício, a Javari exigem até o fim de cada partida. O amor pela raiz, pela camisa, pelo gramado, mas sem perder o sonho de voar longe. A humildade de receber a todos em sua casa, a mais tradicional da capital paulista, no mais puro concreto. E o desapego material de querer se tornar, ou fingir ser, um gigante rico, poderoso - um adulto que esquece de sua origem diferente do moleque que só quer aprontar travessuras.

Após 97 anos de história, tudo que esse moleque precisa está em sua alma, essa travessura. E claro que a gente espera voltar correndo pra elite, pra de onde nunca devíamos ter saído. Mas, como diz a música, não viva tão rápido, os problemas irão passar. Enquanto estivermos juntos contigo, você nunca estará sozinho nessa caminhada, moleque, meu bom amigo! Então, não se preocupe, você vai se encontrar onde merece muito em breve!

sábado, 17 de abril de 2021

Os meninos de Isaac Newell

O novo desafio é na Argentina, é com a camisa do Newell's Old Boys!

Muitas histórias trariam Castro à Província de Santa Fé. 

Uma passagem anterior, discreta, chamava a necessidade de completar uma história inacabada, a América. Quando dirigiu a equipe, no distante FIFA14, o sonho não fora completado e agora era a hora perfeita. 

Muito mais além do que se poderia querer, soma-se a necessidade à lenda de Diego Maradona, falecido em 2020, e a quem a homenagem de dirigir o manto era necessária. Poderia aqui discorrer linhas e linhas falando da pitoresca passagem de El Pibe de Oro, mas creio que esse documentário valha demais a viagem, disponível no youtube e mega recomendado por nós - Un Dios en el Parque - https://www.youtube.com/watch?v=N6rGSKjf9SQ&feature=emb_title

E se Maradona parece suficiente, em Rosário também se revelou ao mundo Lionel Messi, apenas isso. Um dos maiores da história, para muitos o maior. 

E se dissermos que nos gramados do Coloso também deu seus primeiros chutes nada menos que Gabriel Batistuta, ainda de cabelos curtinhos, sem a fúria inspirada pelo Rock'n Roll e todos os protestos políticos. É muita história para a apaixonada torcida leprosa.

Castro recebeu o clube rojinegro com dificuldades financeiras em 2021 e tinha um trabalho extra-campo, como gestor de todo o futebol e sua estrutura. Com um elenco fraco em mãos, o primeiro objetivo era reformular ao menos 50% dos jogadores, com austeridade financeira - um limite de US$12.000 para salários semanais (exceção feita aos capitães Pablo Perez, Maxi Rodriguez e Scocco, com teto 25% maior) para a primeira temporada, um padrão baixo para as pretensões de título ou vaga na Libertadores, algo com um terço da verba que teria o River Plate, por exemplo. E assim começou a montagem do elenco para a primeira temporada, com 22 atletas.

Alguns reforços que em tese ganhariam mais, tiveram parte dos salários posicionados como bônus, aliviando a folha semanal e vinculando pagamentos ao sucesso individual e coletivo do clube. Esse foi o caso de Guillermo Ochoa, histórico goleiro mexicano, que aportou em Rosário aos 35 anos, e Álvaro Gargano, volante da seleção uruguaia. 

Ainda era um período de baixa colheita na base; no começo de trabalhos, foram contratados olheiros e distribuídos especificamente na América do Sul, em países como Uruguai, Chile e Colômbia - além da própria Argentina. 

Deste modo, o elenco para o primeiro ano foi: Goleiros | Ochoa e Blázquez; Defensores | Nadalin, Auro, Fontanini, Reyes, Moreno, Capasso, Guanini e Gentileti; Meio-campistas | Formica, Maxi Rodriguez, N. Castro, Pablo Perez, Oliveira, Gargano, Cacciabue e A. Castro; Atacantes | Scocco, Chavez, F. Gonzalez e B. Rodriguez. O elenco curto não importou à medida que o ano seria resumido aos 23 jogos do campeonato local e a Libertadores ainda era um sonho distante.

O campeonato, aliás, desenvolveu-se bem para o Newell's. A defesa custou a pegar forma, o meio-campo custou a entrosar como deveria - mas as vitórias na raça foram embalando os comandados de Castro. 

Na defesa, Auro logo se destacou principalmente no setor ofensivo. com 4 gols e 5 assistências; Moreno chegou como grande revelação e logo se posicionou como principal zagueiro do elenco acirrado na posição. No meio-campo, Mauro Formica cresceu absurdamente ao longo da temporada, foi o perfeito enganche com 12 gols e 17 assistências, líder deste quesito no torneio. Pablo Perez e Walter Gargano seguraram a volância com uma experiência somada de mais de setenta anos. Maxi Rodriguez, capitão do time, encerrou o ano com ótimos números, 8 bolas na rede e 8 passes para gol. A grande revelação aqui, ainda, foi Nicolas Castro, reserva imediato de Mauro e autor de 5 gols e 4 assistências.

Já no ataque, o grande nome, claro, foi Ignacio Scocco. Aos 35 anos de idade, o veterano hiper identificado com a camisa vermelha e preta, deixou 23 tentos e 12 assistências, liderando a artilharia da competição - fez gols importantes e lembrou seus melhores momentos da carreira. Como reserva imediato, Andrés Chavez deixou 14 gols na liga argentina e decidindo muitos jogos vindo do banco.

Com todos esses números, podem imaginar o quão espetacular foi a campanha. Entretanto, havia uma grande pedra no sapato e ela vinha de Buenos Aires: o River Plate, de Marcelo Gallardo.

Mesmo batendo os atuais campeões durante a liga, o NOB não foi capaz de bater a equipe da capital por apenas um ponto: 60 a 59. Ambos tiveram 19 vitórias na competição, porém um empate a mais deu o título ao já premiado time de Nuñez. O melhor ataque do elenco de Rosário não foi o bastante para vencer o equilíbrio de Gallardo, que teve a melhor defesa sob seu comando.

O vice-campeonato não foi amargo ao Newell's Old Boys - foi um feito fantástico perto das campanhas recentes e perto do que poderia fazer com tão escassos recursos. Bater o poderoso River, bater o glorioso Boca em plena Bombonera, fazer 8x0 no clássico de Rosário, fazendo ecoar a voz dos garotos de Newell do Coloso del Parque para o mundo, mas antes para todos os Canallas de Rosário!

A vaga na Libertadores trará um novo patamar ao gestor Castro, que agora terá dobrado seu teto salarial e conseguirá verba para dois ou três reforços pontuais. Veremos a habilidade dele num mercado interno acirrado, com clubes em grande evidência e a sombra europeia para manter os melhores jogadores. A meta é clara, é conquistar a América logo de cara! Possível para os Leprosos

À Libertadores, à Isaac Newell, dizemos que sim!

*** PS: a história na província de Almería ainda segue longe do fim. Aguardem novos capítulos! ***

quinta-feira, 8 de abril de 2021

10 anos: sorriso

No dia 08 de abril de 2011, lembro-me de escrever o primeiro texto do bola pro mato, algo do tipo "(...) nosso querido esporte bretão se tornou, hoje, mais um produto mercantilizado por aí. Este negócio, literalmente falando, pode ser chamado de futebol moderno; nele é tempo dos clubes-empresa, dos contratos milionários, do dinheiro, da visibilidade, do prêmio da FIFA. É tempo de times itinerantes, artificiais, sem torcida, do sentimento vazio ou do não-sentimento. Por outro lado, caminhando bem na via oposta, solitários nas mazelas do business e do just-in-time, sobrevivem casos em que a tradição e a história tentam mostrar que ainda tem o seu valor (...)."

E nada mudou no nosso coração desde aquela sexta-feira nublada. Exatos dez anos depois...

É uma marca especial para um espaço que se iniciou como um passatempo à faculdade, um espaço para delírios. A gente falou de tudo: futebol, arquitetura, cinema, basquete, videogame, música e futebol americano. Passamos pelo auge do barcelonismo e o elevamos à arte de Gaudí. Falamos de Real Madrid sem esquecer do sombrio franquismo que a camisa blanca sempre carregará. Falamos de poesia à raça uruguaia, de um dia pro outro, transitando entre Carlos Drummond de Andrade e Eduardo Galeano. Falamos de Chaplin, em seu filme "The Kid" (1921), numa associação linda ao moleque travesso que nasceria três anos depois: "(...) amor, cumplicidade, humildade e simplicidade são sentimentos mútuos nesta ficção e na nossa vida grená. O Garoto e o Moleque, o Vagabundo e os Vagabundos, todos se confundem mais do que a nossa simples e linda história se permite entender."

Os temas foram variando, assim como a frequência e o tom da palavra. Vivemos nossos altos e baixos ao longo do tempo e fomos colecionando histórias e, principalmente, colecionando pessoas como o bem mais precioso. À querida Família Tonelli, ao meu pai, à turma toda do Atrás do Gol, ao Drogba, ao Celsinho, ao Sergio Agarelli, ao Gian e ao Trita... a lista é infinita e só resta o muito obrigado por cada dia.

E apesar de tantos temas, uma linha mestra - tivemos travessuras por dez incríveis anos, numa montanha-russa de sentimentos. Acessos, descensos, vitórias, tropeços, viagens, lágrimas, suor, xingamentos, ídolos, concreto, sol, chuva, decepções. Um caldeirão do tamanho da Rua Javari para falar do nosso Clube Atlético Juventus.

Desde 2011 falamos: "(...) por ele, e por tantos outros, é que rimos quando ganhamos ou perdemos, é que choramos quando rimos ou perdemos (...)."

E como rimos e choramos. E sorrimos! E sorrimos muito em 2012 quando vimos de muito perto o acesso daquele bravo elenco juventino, comandado pelo Ferreirão; sorrimos, honestamente com maior discrição - em 2015, num acesso em que sentimos o gosto do título e o deixamos escapar.

Porém, o grande fato é que hoje é dia de festa. E mais que festa, é daquelas datas redondas que a gente reflete os últimos dez anos que passaram e pensamos nos próximos dez que virão.

Então, para inaugurar a nova década, nada melhor que pensar: qual foi o time da década juventina? Entre 2011 e 2020, muitos jogadores utilizaram o manto grená em campo, com variado grau de sucesso. Chamamos alguns amigos para votar nesse time e o porquê dos votos teve de tudo: êxito esportivo, relevância técnica, relevância coletiva, longevidade e mística, obviamente.

Por exemplo, para Hamilton Kuniochi, o cara das camisas do Juventus e fundador do Manto Juventino, a base é o time do acesso de 2015, com sete atletas, sendo todo o meio-campo titular: Nunes, Derli, Adiel e Daniel Costa. Pro Luciano e pra turma do Escanteio SP, Rafael Ferro e Sacoman teriam espaço como os líderes que foram em suas gerações, assim como Cesinha seria titular. Para o grande Agarelli, a linha de defesa viria com elementos de 2012, com Tony, Xavier e Pavone; e diferente da maioria que escolheu Alex Alves, Rodrigo Santana foi o professor da década.

Muito outros nomes apareceram, como Fernando Henrique, Thiaguinho, Fubá, Rafael Branco, Dener, Dudu Mineiro, Adilson, Pedro Rocha, Sallinas. Até Geová foi mencionado como o maior dirigente da década! Grande Geová!

O fato final é que as unanimidades em todas as escalações foram André Dias, Lucas Pavone, Derli, Adiel e Daniel Costa. E sobre esses cinco absolutos, que o Bola Pro Mato montou seu 11 ideal:

1 - André Dias; 2 - Tony Maraial; 3 - Fubá; 4 - Maurício Carvalho; e 6 - Lucas Pavone; 5 - Derli, 8 - Saulo; 10 - Adiel; e 7 - Daniel Costa; 9 - Léo Castro e 11 - Pedro Rocha.

Téc.: Luiz Carlos Ferreira

12º jogador: Renato Sorriso.

E da reserva, que quase sempre foi assim, vem o nome da década: Renato do Carmo Ribeiro. Renato Sorriso. O garoto que chegou desconhecido do União São João de Araras em 2012, o garoto de sorriso solto, que foi atormentado por lesões seguidas durante a sua vida profissional. O garoto que se aposentou dos gramados com menos de trinta anos e mesmo assim marcou uma década com a camisa grená. Presente em 2012 e 2015, nos dois acessos. Em ambos, com gols fundamentais, carregando a mística que a gente tanto ama, representando o inexplicável que ronda o cotonifício.

Antes de entrar na partida contra o Guaçuano, válida pela 5ª rodada da 2ª fase da A3/2012, ele tinha 1 gol em 5 partidas disputadas. Apenas um gol antes de enfiar a bola no fundo das redes da creche, fazendo o gol que nos levou vivos à Osasco. E não tinha muito mais antes de marcar o gol do 1x1 contra a Internacional, em Limeira, que permitiu ao time subir na rodada seguinte em 2015.

Renato não jogava muitas partidas, mas foi fundamental para os acessos. Sempre buscando um empate ou a vitória suada. Houve uma quarta-feira, daquelas de Javari quase vazia, que o Juventus brigava para não entrar na zona de rebaixamento da A3/2014. Foi contra o São Carlos de Rodrigo Santana. O time jogou mal demais, mas venceu. Venceu por 1x0, com gol aos 42' da segunda etapa, gol dele. 

Algo quase igual aconteceu contra a Ferroviária, em jogo da Copa Paulista. Jogo duro, o time de Araraquara já vinha ganhando força para retornar à elite paulista. O Juventus apenas se defendia contra um satisfeito time até que Romarinho, com um daqueles seus passes mágicos, encontrou Renato e, este, as redes. Podemos falar do tabu quebrado contra o Red Bull, com gol dele; ou do golaço que marcou em São José dos Campos e nos levou à segunda fase na A3/2015. Sabe o porquê dele ser a figura mais importante da década? Porque até hoje, quando o jogo aperta e a gente olha pro banco, alguém fala... "ahh, se o Sorriso estivesse no banco..."

Sorriso representa a essência do que sempre pregamos aqui nos últimos dez anos: resiliência.

Assim como o garoto, o blog persistiu escrevendo e trabalhando independente dos olhares, das visualizações ou do poder que a internet tomou nesses anos. Permaneceu tentando ser um espaço simples, acolhedor, especial para quem chega e lê. Entre invenções e reinvenções, ainda projetamos muiita coisa para acontecer nos próximos dez anos. Mudar de visual, aumentar campos de atuação, temática, agregar pessoas. Sonhos e mais sonhos que o moleque quer e não se acabou!

Tudo pode mudar e evoluir ao longo do tempo e assim sempre esperamos que seja.

Entretanto, jamais mudará o coração tatuado de grená, cicatrizado com um "J" quase que bordado à mão. E aqui não mudou e nem mudará de nome. Sabe por quê? Porque assim podemos isolar a bola pra longe e afastar o risco. É muito legal e bonito ver o time saindo jogando da defesa... mas, rapaz, aqui será sempre bola pro mato!

Espero que estejamos juntos, por mais incontáveis textos, travessuras e sorrisos. ❤