quarta-feira, 19 de setembro de 2012

US Open - análise do Slam de Nova York

Último grand slam do ano, e já bate aquela saudade. Ok, ainda teremos Copa Davis, Fed Cup, toda a temporada asiática para acordarmos de madrugada, e no fim do ano o Atp e Wta finals, mas tem coisas que só acontecem e só tem nos slams. Então bora relembrar um pouco do que de melhor aconteceu nas duas semanas do major americano.

Vamos começar com as meninas:

- Queda da Wozniacki
Que ano da Carol! Mais uma queda precoce da dinamarquesa, e mais uma vez na primeira rodada. A tentativa de mudança no estilo de jogo não tem dado certo, e é preciso repensar o que ela realmente quer mudar, porque se ela sempre jogou defensivamente, não é no profissional que fará uma mudança da água para o vinho. O tennis jogado pela Wozniacki não é o estilo que agrada multidões, mas com certeza é um estilo que tem de estar presente no top 10 para manter a heterogeneidade dos jogos do circuito. Portanto Carolzinha, por favor, adapte seu jogo para não ficar tão vulnerável as tops do circuito, volte para a sua zona de conforto e recupere a confiança.

- Despedida I

Logo na segunda rodada tivemos a despedida da Kim Clijsters do circuito. Ela havia avisado que esse seria o ultimo torneio dela. A torcida para ela ir longe no torneio foi grande, mas a jovem Laura Robson (marquem esse nome!) já na segunda rodada aposentou uma das tenistas mais queridas e talentosas do circuito. Clijsters mostrou que com determinação conseguimos nos superar, ela despontou no circuito numa época que a belga que chamava a atenção era a Justine Henin, além de também ter a forte concorrência das irmãs Willians. Foram precisas quatro derrotas em finais de slam, para na quinta conseguir seu primeiro major, e justamente em Nova York. Depois se afastou do circuito por quase dois anos para ser mãe, e na volta logo de cara conquistou seu segundo slam, em piso americano novamente. A escolha do palco para a despedida, então, não poderia ter sido melhor. Kim é o tipo de tenista que fará falta para o circuito, não apenas pelo grande talento, mas também pela grande pessoa que ela é. O esporte como a vida é assim, o tempo passa e é preciso seguir em frente. Muito sucesso e alegrias, Kim.

- Petra Kvitova, Agnieska Radwanska, Laura Robson e Sara Errani
A situação da Petra na temporada é parecida com a da Carol, tenistas como Azarenka, Sharapova e Radwanska evoluíram, além da Serena resolver disputar o circuito de verdade. Enquanto isso Petra continua a mesma jogadora do ano passado, e a impressão que dá é que ela se conformou em estar atrás dessas tenistas. Torço para que ela não seja mais uma tenista que ganha um slam e está satisfeita, além de ser um tremendo desperdiço uma tenista tão talentosa não colocar todo esse talento em quadra.
Radwanska e Errani estão fazendo a melhor temporada da vida delas. A Aga caiu precocemente no torneio, dessa vez ela não soube aproveitar a boa chance de ir longe que a chave dela permitia, e isso custou a perda de uma posição no ranking. Já Sara Errani, assim como em Roland Garros, aproveitou as quedas das cabeças-de-chave para chegar até a semi. Não desmereço o que elas estão fazendo, mas não ficarei surpreendido se elas não conseguirem manter a ótima fase.
A Laurinha finalmente mostrou porque muitos a apontam como a grande esperança britânica no tennis feminino. A jovem de 18 anos finalmente chamou a atenção em um major, após eliminar a Clijsters com autoridade na segunda rodada, ela em seguida eliminou a cabeça de chave 9 - Na Li, não só vencendo como convencendo. Se o que faltava para a garota eram resultados expressivos num torneio grande, aí estão. Vamos ver como se desenvolverá a carreira dessa grande promessa.

-Quartas de Final
Nas quartas tivemos dois jogos de destaque. Em um Maria Sharapova passou pela francesa Marion Bartoli, mas não sem emoção. A francesa simplesmente atropelou a russa no primeiro set, e quem sabe o que poderia ter acontecido se a chuva não tivesse interrompido a partida, que foi terminar apenas no dia seguinte. No segundo set, Maria não teve vida fácil, mas conseguiu igualar a partida. Aí veio o terceiro set e tivemos um embate psicológico incrível, várias quebras, uma gritando um c’mon na cara da outra, mas a experiência e a estabilidade mental da Sharapova prevaleceram, aumentando a freguesia da Bartoli perante a russa (agora está 5 a 0 para Maria).
Em outra partida das quartas tivemos a número 1 do circuito Victoria Azarenka enfrentando a então atual campeã do torneio Samanta Stosur. Indícios de jogo bom. No primeiro set, Vika atropelou, mas no segundo set Sam conseguiu finalmente ganhar seu primeiro set no confronto entre as duas (agora está 7 a 0 para a Victoria). Então veio um dos melhores sets do torneio, depois de muita emoção tivemos o jogo decidido no tie break e a Azarenka conseguiu chegar à sua primeira semifinal em Nova York.

-Azarenka x Sharapova

Uma partida muito esperada. Pelo ano incrível e parecido que as duas faziam até ali tínhamos indícios de que poderíamos ter um jogo incrível. A expectativa foi recompensada com uma das melhores partidas do ano.
Maria Sharapova atropelou até o finalzinho do primeiro set, quando deu umas bobeadas e deixou a Azarenka reagir, mas já era tarde e a russa saiu na frente. Então veio o segundo set, e a confiança que a Azarenka conquistou no finalzinho do primeiro set junto com uma queda no tennis da Maria, levaram o jogo ao empate. No terceiro set o que impressionou foi o nível de tennis apresentado pelas duas, mostrando porque junto com a Serena são as melhores tenistas do circuito hoje. Mas a Azarenka mostrou porque é a número 1 do circuito, sempre nos pontos cruciais ela foi mais estável mentalmente do que a Maria, e conseguiu chegar à sua segunda final de slam do ano e da carreira, e assegurar o posto de número 1.

-A Final
Na grande final, Victoria Azarenka tinha pela frente simplesmente Serena Willians, tenista que ela venceu apenas uma vez em sua carreira. Serena entrou em quadra muito favorita contra a atual número um do circuito, e logo no primeiro set mostrou o porquê: Em 20 minutos levou o primeiro set, sem dar chance para a Azarenka jogar. Quando parecia que o jogo iria acabar rápido, Azarenka mostrou que hoje tem um dos melhores mentais e força de reação do circuito, e conseguiu fazer o que ninguém ainda havia feito no torneio, quebrou um saque da Serena e fechou o segundo set. O jogo ficou aberto, a torcida sentiu o momento, o clima ficou tenso a cada ponto, e tivemos de tudo no set decisivo. As duas tenistas mostraram todo o arsenal de golpes que possuem. Ocorreram algumas quebras, o que é comum no circuito feminino, mas não tanto num jogo da Serena. Então chegamos ao décimo segundo game, Azarenka iria sacar para o jogo, público perplexo, Serena iria fazer o que sempre faz quando está no buraco: meter a mão na bolinha. Duas duplas faltas da Victoria, um winner de devolução num segundo serviço, Vika é quebrada e temos um novo empate no jogo. Mas dessa vez foi mortal, pois a maturidade que a Serena tem, unida com a sensação de ter o jogo na mão e deixar escapar na segunda final de slam da jovem bielorrussa, fez a Azarenka nem conseguir levar o jogo para o tie break, mas lógico que por méritos da americana também.


Eu acompanho tennis a pouco tempo (pouco mais de 4 anos), mas posso falar sem sombra de dúvidas que essa foi a melhor final feminina que eu já vi: até a premiação foi uma aula de como tenistas nesse nível devem se portar.

Décimo quinto título de slam para a Serena Willians, e podemos dizer que hoje o circuito feminino está muito bem representado. Victoria Azarenka definitivamente conquistou fãs e mostrou que não é número 1 por acaso, Maria Sharapova voltou a chegar constantemente nas finais dos torneios, e Serena Willians mostrou que ainda quer e pode obter algumas conquistas. Agora é esperar para ver o que irá acontecer.

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