sábado, 31 de dezembro de 2016

Somos todos Uganda?

A última semana do ano foi marcada por uma nova tragédia marcando o futebol mundial.

Aproximadamente 30 pessoas, entre jogadores e torcedores, morreram no domingo, dia de Natal, em naufrágio de um barco ao tentar atravessar o Lago Albert, em Uganda, leste do continente africano.

Pouco mais de um mês após a tragédia envolvendo o avião da Chapecoense, o esporte se ressente. Mas tanto quanto antes?

Aqui, a reação geral a respeito do tema muito diferiu do que se viu diante o primeiro acontecimento. Admito que também, apesar de chocado, não sofri o mesmo efeito.

Pessoalmente, posso falar pela proximidade emotiva com a equipe brasileira e a saga que aqueles heróis viviam. Não se trata de simplesmente "comoção seletiva" por uma perda e achar a Chape mais importante que os colegas africanos. É absolutamente natural existir diferentes graus de aceitação e dor para diferentes perdas. Somos brasileiros como eles e torcíamos como se fosse o nosso time, esperávamos algo deles. Não tê-los, machuca.

Entretanto, acredito que o efeito Chapecoense teve proporções tão impactantes que, para infortúnio deste novo caso, acabou mitigado. Aqui, novamente, por ser Brasil. Obviamente a mídia local daria muito mais atenção a um caso em sua própria terra. Porém não vejo motivos mais nobres que este. A cobertura do primeiro sobre o acidente beirou tons exagerados. A busca ensandecida por pontos de audiência em muitos momentos deixou de respeitar o luto e a dor dos mais próximos. Além disso, o mal gosto das aprovações em sessões noturnas do Congresso deixou uma sensação de exploração do fato.

Assim, acredito que por uma percepção errônea do primeiro, ficou com a sensação de esvaziamento das informações do segundo, até maior do que o próprio esvaziamento por si só.

Ainda, fundamental comentar que muito se leu sobre um eventual racismo que rondaria as reações sobre a equipe africana.O racismo é hoje uma asserção entre os tópicos debatidos no mundo contemporâneo. É inegável que circunda em sociedades em diferentes graus de desenvolvimento da distinção racial - Brasil, EUA, França. dentre outros. Mas acredito que passou longe do motivo da "apagada" repercussão, haja visto que a própria Chape está localizada em uma periferia mundial e tampouco era formada por uma suposta elite, como devem enxergar os doentes racistas.

Independente de tudo, temos um fato concreto e mais dezenas de mortes infelizmente. Talvez para formar o "contra" e permitir a todos os heróis disputar uma última partida lá em cima.


#SomosTodosUganda

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