quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Federer e Serena desafiam recordes e a idade

Este singelo espaço, costumeiramente dedicado ao nosso querido futebol, pede licença aos seus fiéis leitores para tecer algumas palavras a respeito da última edição do Aberto de tênis da Austrália, realizado na cidade de Melbourne, entre os dias 16 e 29 de janeiro. Mais especificamente, sobre as finais masculina e feminina da chave de simples, que coroaram o suíço Roger Federer e a norte-americana Serena Williams.

Até para quem não acompanha a modalidade, o nome deles soa familiar. Afinal, são personalidades internacionalmente reconhecidas por suas façanhas e verdadeiras lendas vidas que seguem fazendo história, a despeito da idade avançada para o circuito (têm 35 anos). Este já seria um bom motivo para citá-los aqui. As circunstâncias, entretanto, nos levam além, pois os jogos que ambos protagonizaram superam a barreira dos esportes.

A grandeza das referidas decisões seria diferente, é claro, sem a presença de dois de seus principais rivais na disputa por um dos quatro títulos mais cobiçados do tênis: o espanhol Rafael Nadal e a norte-americana Venus Williams. Ademais do aspecto competitivo, os quatro são jogadores que nutrem admiração mútua e respeito entre si. 

Serena e a irmã mais velha, Venus: cumplicidade
Elas, acima de tudo, porque são irmãs. Superaram adversidades, enfrentaram o preconceito e alcançaram o topo do mundo, construindo assim uma rivalidade história.

Eles, porque desenvolveram uma relação amistosa após tantos encontros memoráveis. Juntos, são verdadeiros embaixadores e engrandecem o esporte que praticam.

Como todos ultrapassaram os 30 anos, há muita expectativa em relação a seus jogos. Serena permanece dominante, mas Venus, 36, sofreu ao longo da carreira com problemas físicos e já não brilha no topo, embora esteja em posição destacada no ranking mundial. 

Federer e Nadal também amarguraram lesões recentes e nem de longe lembravam seus melhores momentos. Mas deixaram as adversidades para trás e nos brindaram com uma final maravilhosa. Em novembro, o espanhol e o suíço brincaram ao dizer que não se imaginavam disputando novamente uma final desse porte. Em Melbourne, ocorreu a nona batalha entre eles em uma final de Grand Slam, talvez a mais importante de todas.

Amigos e rivais: Federer e Nadal se enfrentaram 35 vezes
Historicamente, Nadal leva ampla vantagem sobre Federer, que  converteu em recurso seu ponto fraco diante do rival para batê-lo em cinco sets. Houve motivação, entrega e um desfecho épico.

Há quem diga que a rivalidade é necessária para evoluirmos. O desafio que o outro representa nos faz buscar cada vez mais o melhor de nós mesmos. No fim, eles inspiraram uns aos outros e se tornam jogadores melhores. Fica difícil imaginar se os recordes deles teriam sido estabelecidos sem a existência de alguém que os ameaçasse.

Entre os homens, Federer detém o maior número de títulos de Grand Slam (18). Ele superou as 14 taças do Pete Sampras em 2009 e desde então só amplia a diferença para o norte-americano e também para Nadal, segundo colocado nessa relação. Além disso, nenhum outro jogador esteve tantas semanas (302) na liderança do ranking da ATP.

Já no circuito feminino, Serena Williams tornou-se a mais velha a ocupar o posto de número um da WTA (35 anos e 126 dias). Ela também é a mais velha a ganhar um Grand Slam e recordista de títulos desse nível na Era Aberta (23). Está a apenas um de se igualar ao recorde de todos os tempos estabelecido pela australiana Margaret Court.

Esses são alguns dos motivos que fizeram desse Aberto da Austrália um evento tão especial. Não sabemos quando haverá outra decisão entre jogadores que reúnem tamanha qualidade técnica e paixão pelo tênis. Esperamos, obviamente, que não tenha sido a última vez. Seja como for, temos o dever de apreciar cada segundo deles em quadra.

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