quinta-feira, 9 de março de 2017

#FIFA17: uma temporada avassaladora. Um final épico - AS ROMA 2016/2017

2016/2017 foi uma temporada histórica para a Roma de Ricardo de Castro. Não apenas pelos títulos conquistados, mas por todo contexto que a envolvia, sobretudo a temporada de despedida de Francesco Totti. E que despedida!

De uma campanha espetacular, comecemos pelo fim - a final da Copa Itália. Roma e Juventus travaram um confronto equilibradíssimo durante 88 minutos. Tensão, poucas finalizações e expulsão de El Sharaawy na segunda etapa. Um Buffon gigante, uma dia tenso para romanistas e bianconeros. Até os 88 minutos.

Um minuto mágico, dois seres que pertencem ao panteão da Cidade Eterna. Um passe de De Rossi. Uma finalização de Francesco. Uma despedida. Um título sem precedentes emocionais ao romanista mais apaixonado. Um roteiro digno de Oscar, como fora Gladiador no ano 2000.

Se o título da Copa fora tão sofrido, o Calcio teve ares de caminhada... em 38 partidas, 34 vitórias. 104 pontos, 18 a mais que o segundo colocado. Nada menos que 96 bolas colocadas na rede. Destas, exatos 25% feitos pelo craque do torneio e futura lenda romanista, Marek Hamsik.

A Roma montada em um 3-5-2 foi ousada durante o ano. Basicamente, Alisson. Rudiger, De Rossi e Manolas. Florenzi, Strootman, Naingollan, Hamsik e El Sharaawy. Totti e Falcão. 11 na ponta da língua e do coração grená. 11 que desenvolveram um futebol dinâmico, veloz, de construção mas também contra-ataques, de assistências e mais de 100 gols por todas as competições. 11 que fizeram um 7x0 contra o Pescara em apenas 30 minutos de partida.

Infelizmente, 11 que serão 10 com a aposentadoria de Il Capitano, que neste ano deixou humildemente a faixa a seu herdeiro Daniele, dono eterno da camisa 16.

Entretanto, não só destes 11 viveu a Roma. Um elenco recheado de talentos e absolutamente unido pelos ideais impregnados no estilo guerreiro de seus líderes.

Alisson, goleiro titular, teve 19 clean-sheats no Calcio, perdendo apenas para Buffon (21). Absolutamente regular, sem brechas para seus pares Szcesny e Lobont.

A defesa foi estruturada num tripé entre o líbero De Rossi, o crescente Rudiger e o seguro Manolas. Trio que sofreu apenas 13 gols no campeonato, índice muito positivo. Assessorados por Fazio, Vermaelen e Juan Jesus, o setor esteve protegido pot todo o ano.

Pelos lados, destaque absoluto para Florenzi. Floro cada vez mais se aproxima da prateleira de maiores ídolos dentro deste elenco e  neste ano teve números fantásticos, com 11 assistências. Completando, discretos mas eficientes brasileiros Bruno Peres e Emerson, ambos emprestados por Torino e Santos respectivamente. O último tendo uma evolução superior a 7 pontos de overall, algo impressionante.

Os volantes foram irrepreensíveis. Naingollan e Strootman formam uma das três melhores duplas do mundo, com energia na marcação e garantia de saída segura de jogo. O segundo perdeu mais de um mês de temporada e mesmo assim contribuiu com 10 assistências. E a dupla imediata não deixa muito a desejar: apenas Andrea Pirlo, disposto com 28 partidas no ano e Leandro Paredes, jovem talento argentino. Compondo o elenco, adquiridos na segunda metade da temporada, Zakaria e Cyprien conseguiram em pouco tempo mostrar que são o futuro da equipe.

A armação teve em Hamsik um monstro, um líder, um artilheiro. 24 gols, 8 assistências e a chuteira de ouro do Calcio. Brilhou tanto que ofuscou jovens como Gerson, emprestado e sem espaço bem como experientes como Alessio Cerci, Tadic e Salah. Destes três últimos, brilhos sobretudo ao final da temporada, quando tiveram mais espaço e garantiram espaço para a próxima temporada, com boas renovações contratuais.

No comando de ataque, Radamel Falcão guardou 19 bolas na rede e foi vice artilheiro da Liga, ainda participando com assistências e entrega na recomposição de defesa. Totti (11 gols e 10 assistências) foi absurdamente consistente apesar de número levemente mais discretos em sua temporada de aposentadoria. Completando o elenco, um irregular mas talentosíssimo El Sharrawy (15 gols e 7 assistências), o argentino Johnatan Calleri, ainda em ano de adaptação, com apenas 4 gols em 30 partidas e o recém-chegado Dembelé, vindo do Celtic e ainda com pouquíssimas oportunidades.

De modo geral, um grande time, uma belíssima equipe que encantou os gramados italianos e fugiu totalmente da tradicional escola da bota. Manteve mais a tradição de seu próprio conceito, um jogo estruturado defensivamente mas ofensivamente agressivo.

Inspiração? O esquadrão imortal de 2000/2001 que levou o Scudetto de forma brilhante, sob comando de Fabio Capello. O mesmo 3-5-2. Antonioli (Lupatelli). Zebina, Samuel e Antônio Carlos Zago (Aldair). Cafu, Tomassi (Marcos Assunção), Cristiano Zanetti (Emerson ou Guigou), Totti e Candela; Batistuta e Montella (Delvecchio ou Nakata).

Guardadas todas as proporções, a chegada de Radamel assemelha-se a de Batistuta na época. A importância mas limitada vitalidade de Totti a de Aldair em 2001. E Hamsik fora o Totti de 16 anos atrás.

"Com algumas semanas de treinamento, Fabio Capello deu uma nova cara à Roma e deixou os torcedores com grandes perspectivas. Com os reforços para a zaga, o treinador armou sua equipe com três zagueiros e deu mais liberdade para Cafu e Candela atacarem. No meio de campo, Zanetti, Emerson e Tommasi se revezariam entre os titulares e teriam como principal função a marcação, mas sem restrições para eventuais subidas ao ataque. Falando em ataque, Totti seria o grande maestro que possibilitou a Capello transformar o esquema tático da equipe num 3-4-1-2, uma variação do clássico 3-5-2. O camisa 10 seria o garçom de Montella, Delvecchio e Batistuta, e também teria liberdade para marcar gols e mais gols. Era apenas uma questão de tempo para a tática virar prática e funcional, dando ao time um fluxo de jogo muito bom e com grandes variações ofensivas, bem como uma notável segurança defensiva. Os rivais teriam que rever conceitos e se preocupar. A loba estava de volta." (Imortais do Futebol)

Em 2001/2002, a UCL não passou de um sonho, após eliminação para o Liverpool. De volta ao #FIFA17... agora a Roma promete lutar fortemente pela UEFA Champions League. Alguém segura os Giallorossi dessa vez?

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