quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A trupe da vila de cima

Um relato de Reinaldo Paniguel

Bons tempos aqueles nos idos de 1970 onde tínhamos também uma trupe , a da vila de cima . Sim a da vila de cima , pois morávamos no 356 e no número 304 existia , isto é , existe uma vila também na mesma Rua do Oratório onde moravam os nossos inimigos e maiores rivais no futebol de nossa infância .


Lembro como se fosse hoje que eu , Daniel , Edson , Flavinho , Serguei ( nosso grande goleiro ) , Waltão , Waltinho , William , Bé , Fran e Marcelo treinávamos todos os dias e especialmente todos domingos as 6:00 horas da manhã , onde meu pai ( Chilé ) como carinhosamente o chamava , nos levava ao “ Campão “ , que era onde meu pai jogava futebol de várzea no time do Tabajaras as 10:00 horas .


Como era grande a felicidade da trupe sair da vila , mesmo com sol ou chuva de ir a pé até o Bar de esquina da Rua Tabajaras , onde era a sede do clube e ansiosos para mais uma jornada . Subir a Avenida Paes de Barros a pé naquela época e ver os casarões de alto padrão era demais para mim e ainda considero esta elegante avenida apesar de todo o desenvolvimento , uma das mais charmosas de São Paulo .

Voltando ao assunto, lá tomávamos o nosso café da manhã com leite ou chocolate e pão com mortadela ,  enquanto aguardávamos algum conhecido de meu pai com carro nos levar ao nosso Centro de Treinamento, que para nós era tudo que podíamos imaginar , sem menosprezar o campo de terra batida e seca , onde voltávamos todos os joelhos ralados e roupa suja , apesar das reclamações de nossas mães .

A volta era cansativa, as vezes a pé, as vezes de carro, mas com a missão cumprida de mais um treino , por volta das 13:00 horas .

Hoje a esquina da Rua do Oratório com a Juvenal Parada é um grande estacionamento , mas naqueles tempos era o nosso estádio , sim tínhamos um estádio onde todo sábado e domingo a tarde havia os jogos contra todas ( exagero ) as ruas do bairro de nossos amigos e conhecidos de escola que vinham nos visitar , com a presença enorme dos pais , vizinhos e conhecidos que ficavam sentados no muro e barrancos , onde há muito tempo atrás era um enorme casarão que dizem que até morou uma princesa .

O nosso comprometimento era tanto que até camisa tínhamos , a da Portuguesa da Mooca ( tradicional clube do bairro ) , feita pela vaquinha organizada pelos moradores da vila e confeccionada pelo seu Carmino ( conhecido alfaiate da região e morador da vila ).Ganhamos mais que perdemos , alegrias , tristezas e muita saudade . Nunca mais vi a minha trupe , nem sei se estão vivos ou mortos , gordos ou magros ou se moram ainda na Mooca , o que acho difícil .


(Portuguesa - Campo da Rua do Oratório defronte a Rua Juvenal Parada – anos 50. Em pé – Nelson Miotto, Chulé, Nenê, Roberto, Zedcão, Jacaré, Jair da Rosa Pinto, Cármino, Natal, Duartino, Arauto e Augusto. – Agachados: Haroldo, Argentino, João, Washington, Dirceu, Chinica e Badólio. Foto cedida por Alcides Barroso Garcia/Portal da Mooca).

Agradecimento em especial ao meu pai , que apesar de toda a dificuldade nos ajudou na nossa grande vitória e nos possibilitou a uma grande marca de 34 vitórias de invencibilidade em nosso campo . Não posso esquecer também de quem nos apoiou muito como meu tio Osto ( Washington ) , Dante , tio Pirin , seu Carmino , Tio Pedro , Walter Espinguarda e outros mais que não me recordo .


Depois de tanta lembrança, esqueci de falar ......
Ganhamos o jogo de nossa vida por 6 x 1 , com 2 gols meus  , Flavinho ( 1 ) , Edson ( 3 ) e Calé marcou para a vila de baixo . Tivemos o direito até de volta olímpica e coca cola de graça no Bar do Jordão ( outro marco em nossa vida pela lembrança e carinho do proprietário do bar ) .

Depois disso , jogamos por muito tempo ainda em nosso campo até entrar a Marmoaria e encerrar as nossas atividades neste local .

Já se passaram 42  anos , eu tinha 11  e ainda quando passo ainda no local me vem a lembrança da trupe e de nossa diversão .

Ah , só para não ser esquecido , o Campão , era um dos diversos campos de futebol de várzea que existiam na época nas imediações da Rua Cadiriri .

Até tempos atrás , eu tinha guardado parte do Manto de nosso time , mas o tempo foi cruel e o fez desaparecer .

Bem , mais o que vale mesmo é a nossa lembrança dos bons tempos de nossa infância e uma das que mais me marcaram .

Um abraço em especial aos nossos “ inimigos “ como Sidnei , Carlos Alberto , Toninho , Calé , Mané .........
E prá terminar , Pai , esteja onde estiver , te amo e obrigado por tudo !!!!!!!

Reinaldo Paniguel

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