segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Utopias, revoluções, sonhos... bora pra 2013!


Eduardo Galeano, escritor uruguaio: "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar."

Num mundo duro, capitalista e egoísta, a utopia de justiça e paz segue nos corações de quem luta por um mundo melhor, mesmo sabendo que ele nem se afasta nem se aproxima, mas continua na mesma longínqua e dolorida distância. Fomos apresentados neste ano, por exemplo, a uma São Paulo unicamente violenta e impune, que personifica essa sensação de mundo utópico que todos queriam viver. A cidade que grita pelas noites passou a viver com medo, assustada. E é a mesma cidade que, hoje quase vazia, implora para que nasça aqui algum suspiro de esperança e sigamos caminhando.

Entra ano e sai ano, a esperança de uma revolução cultural entre os homens existe numa chama branda, que não consegue ser extinta. Um novo mundo nascerá, no entanto, da revolução de cada homem em si, numa diferente percepção de mundo - e isso não deve ser encarado como a utopia, mas sim como o desafio da raça que diz dominar o planeta. Perceber, talvez, que a felicidade não é uma casa pronta, mas constituída de seus mais simples tijolos - que a alegria não chega de uma vez à porta, mas se constrói com o mais singelo sorriso de um qualquer ou, em especial, de quem você ama. Que de nada serve um violão de cordas extremamente tensionadas ou muito frouxas, pois nenhuma harmonia se criará - mas o perfeito equilíbrio pode proporcionar a mais bela música. Fazer o simples, respeitar a natureza, amar seu semelhante, dar a mão a quem precisa pode ser o "caminho luminoso" que falta à humanidade.

Divagações à parte, conversamos bem menos em 2012 que em 2011. A intensidade cotidiana, a correria, diminui o espaço para nossos delírios futebolísticos, culturais, da vida. As responsabilidades ao mesmo tempo que tornam a vida mais séria, torna-a, às vezes, menos interessante. Bom, andava impaciente, distraído e essas férias de agora vieram muito bem a calhar. Período de reflexão e troca de energias, videogame, leituras, amigos. E, nesse clima de final de ano, nada como uma breve olhada para trás e um rascunho das expectativas para 2013.

Neste ano, além claro de textos esporádicos, o blog se tornou um espaço para que a história de um grupo de torcedores fosse contada. Atrás de um time, como aqueles que sonhavam com uma vida melhor há décadas, abraçados à esperança e a sua família, abraçamos os amigos e seguimos numa saga atrás do Moleque Travesso e a busca pelo acesso. A conquista, a vaga na Série A2, foi o fim de uma batalha que trouxe uma felicidade imensurável mas, ao mesmo tempo, a tristeza de que aqueles momentos de luta, sofrimento, choro, gols, gritos, lágrimas na Casa Nostra chegavam ao fim. Memórias registradas jogo a jogo, com fotos e textos que se tornavam cada vez menos técnicos e mais intimistas, da relação de um time com a sua torcida e dos laços cada vez mais fortes de uma trupe inseparável. Não houve jogo em que ao menos um de nós estivesse lá para apoiar - até em Marília tivemos nosso representante, que em sua "primeira partida da temporada" registrou o jogo do acesso, uma virada heróica em 5 a 3, guardando até hoje espólios da guerra; quase apanhando em Sorocaba, um gol do meio de campo e a chama do acesso viva; outra virada mágica contra o Taboão em tarde iluminada de Fubá e Saulo; a alma lavada contra o Osvaldo Cruz e o golaço do maestro; a festa na Javari após a vitória (sim, vitória) em Osasco. De uma despedida melancólica de 2011 à vitória naquele 6 de maio de 2012, passando pelo nascimento de um mantra e uma das festas mais lindas que a Javari já viu, contra o Capivariano - a aquarela juventina - chegamos a quase 2 anos de registros e análises táticas no "Diário de um Moleque Travesso".

E esperar para 2013... que estejamos mais unidos, mais juntos, celebrando o futebol junto com esse espírito grená que a gente traz no peito. Que a Javari continue um motivo para ver os amigos e apesar de caminhos diferentes, andar um pouco pela mesma trilha. Claro que dois anos nos deixaram mais afetivos ao clube em si, mas isso não apaga esse sentimento principal de celebrar a amizade em grená e branco. E que celebremos com um destino: a série A1 nos 90 anos de Juventus.

No ano que entra continuamos em campo, batalhando. Acertando, errando e sobretudo aprendendo. Buscaremos ser o melhor possível, mas sem a pretensão de sermos ideais. "Seremos imperfeitos e a perfeição continuará sendo um privilégio chato dos Deuses."

É bem verdade, esperamos ainda mais dificuldades para mantermos nossas conversas regulares. Ah, o dia-a-dia das necessidades que nos mata aos poucos e de quem podemos - e devemos - fugir de alguma maneira. Viver, como já disse, as coisas simples, a natureza, a lua, o pôr-do-sol. Um sorriso, um amigo, uma bela mulher. Lendo um pouco de Galeano por esses dias, em Um derecho al delírio, traz na simplicidade de sua sabedoria uma resposta a essa questão: "O que acham se delirarmos um pouquinho? O que acham se fixarmos nossos olhos mais além da infâmia, para imaginarmos outro mundo possível"... o quanto é possível sairmos da insanidade diária para "delirar" por uma vida melhor. E, muito mais do que isso fazer com que os sonhos - aqueles que só confessamos às estrelas - se realizem intensamente.

Que 2013 seja grená para todos nós.

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