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quarta-feira, 2 de julho de 2025

SAF | Juventus - e de onde virá o resto do dinheiro?

O Clube Atlético Juventus aprovou, com ampla superioridade de seu corpo de sócios, a venda de seu time de futebol e, logo, a constituição da SAF. Foi um processo conturbado e de intenso calor político, mas que não vêm ao caso agora. Sem política, sem julgamentos, sem juízo de valor - o que a casa deseja apresentar são dúvidas e opiniões sobre o futuro, que parcelaremos em alguns posts, iniciando por este.

Considerando que a instituição da SAF é praticamente inevitável para o Juventus, seguindo a solução proposta para os clubes no Brasil, nossa principal questão sempre foi: depois da assinatura do contrato e pagamento dos R$20.000.000,00 (vinte milhões de reais), de onde virão os outros R$480.000.000,00 (quatrocentos e oitenta milhões de reais) nos próximos 10 (dez) anos, prometidos pelo grupo vencedor? 

A explicação detalhada de como esses recursos serão captados é algo absolutamente essencial para quem se preocupa com a saúde financeira e a identidade do time de futebol após o término de sua existência como associação.

É pouco crível que essa quantia venha diretamente do caixa próprio das gestoras envolvidas — REAG, Contea ou P&P Sport Management. Essas empresas, por natureza, não colocam capital próprio em grandes volumes em ativos tão arriscados, como é o futebol do Juventus. Seu papel típico, agora sim, é captar dinheiro de terceiros — seja de fundos, investidores qualificados ou do mercado financeiro — e aplicar de forma estruturada.

Diante disso, entendemos que existem três caminhos possíveis para levantar esses quase meio bilhão de reais:

(i) Emissão de debêntures

A primeira forma seria a SAF emitir debêntures no mercado; nessa operação, investidores institucionais (fundos ou bancos) ou mesmo pessoas físicas comprariam esses títulos, em troca de juros ou participação em receitas futuras (como cotas de televisão, bilheteria, venda de jogadores, etc). As vantagens desse caminho incluem agilidade em captar recursos, a possibilidade de estruturar pagamentos futuros sem diluir o controle da SAF e vincular pagamentos de cupons após significativo período de carência. Todavia, há riscos significativos: o mercado exigiria garantias sólidas, como as cotas de televisão, patrocínios ou direitos econômicos de atletas, algo praticamente inexistente hoje - a realidade do Juventus - com receitas modestas e presença em divisões inferiores — tornaria difícil a missão de captar grandes valores só via dívida (debêntures) no momento atual.

E, obviamente, se a SAF se endividar demais nesse cenário, pode comprometer sua própria viabilidade se o plano esportivo não der certo em curto ou médio prazo. No caso da SAF, talvez seria até possível captar uma fração via debêntures, mas chegar ao patamar de quatrocentos e oitenta milhões de reais somente com dívida seria altamente arriscado e insustentável tecnicamente.

(ii) Estruturação de um fundo para captação de recursos

Aqui, provavelmente, o caminho mais claro, especialmente pela experiência das gestoras - elas podem criar um Fundo de Investimento em Participações (FIP) ou fundo privado com a tese específica de investir na SAF. Assim, elas captariam investidores qualificados — fundos de pensão, family offices, fundos de investimento alternativo — dispostos a entrar no projeto em troca de participação societária ou retorno sobre o capital investido. O grande atrativo é que essa alternativa permite levantar recursos de maneira mais estruturada e escalonada (ou seja, o dinheiro não precisa entrar todo de uma vez, mas conforme o projeto avance em suas tranches); além disso, o fundo permite diluir o risco entre vários investidores, algo importante para um projeto esportivo, onde resultados nem sempre são previsíveis. Por outro lado, há exigências claras, que se somam às obrigações legais da SAF: governança rígida e prestação de contas constante.

A REAG, sozinha, possui mais de vinte bilhões de reais sob gestão e ampla carteira investidores, tornando o processo, em tese, mais factível e fluido para alavancar a SAF. Mesmo assim, levantar quatrocentos e oitenta milhões de reais de uma vez seria difícil - o mais provável seria algo entre cem milhões e cento e cinquenta milhões inicialmente e ir escalonado ao longo dos 10 anos do plano. Nessa tese, poderia ser montado elenco para acesso e manutenção na série A1, bem como a (polêmica) transformação da Javari em arena.

Lembrando que há alternativas de FIDC sendo utilizadas hoje no futebol, levantando dinheiro com antecipações de recebíveis, sejam cotas de direitos de transmissão ou patrocínios, sejam futuros valores de receitas de venda de atletas - entretanto, o clube hoje passa longe de ter valores (ou valores significativos) em ambas as frentes.

(iii) Abertura de capital (IPO)

Outra hipótese seria a SAF abrir capital na bolsa (B3), vendendo ações ao público e levantando recursos para investimento. Em tese, isso poderia gerar grande volume de caixa, além de aumentar a visibilidade e a transparência do clube, devido a todo o processo exigido para abertura de capital. Entretanto, hoje isso é inviável para o clube, por razões claras e objetivas: um IPO é extremamente caro e demora, no mínimo, de 12 a 18 meses para ser preparado; e, além disso, exige histórico financeiro sólido e receitas estáveis — o que o Juventus, hoje na base das divisões do futebol paulista e sem grande exposição nacional, simplesmente não possui (além de ser um novo CNPJ).

Assim, abrir capital seria uma possibilidade apenas para o futuro, quando a SAF já estiver na Série A do Brasileiro, com receitas robustas, altos contratos de televisão e valuation consolidado - e além de tudo isso, o próprio mercado de capitais brasileiro estar maduro para esse tipo de ativo.

Então...

Nossa visão é a seguinte: 

A promessa de R$480.000.000,00 (quatrocentos e oitenta milhões de reais) para o futebol dificilmente virá de dinheiro próprio das gestoras. A forma mais viável deverá ser estruturar um fundo (FIP) dedicado à SAF, complementado, se necessário, por emissão de dívida (debêntures) em valores menores. Esse cenário é plausível pela experiência das gestoras nesse tipo de operação, de estruturação de fundos de longo prazo (que venham a público ou não).  Além do que, não necessariamente todo o montante prometido viria daí, visto que ao longo do tempo, se o plano esportivo se concretizar, serão geradas receitas que, naturalmente, serão reinvestidas no clube. 

Hoje, a SAF foi aprovada sem divulgação pública do que será feito, sem as garantias do aporte, sem as garantias de condições precedentes para cada investimento. Como torcedor (e sócio) esperamos um trabalho firme na estruturação contratual da venda e que, sobretudo, tudo seja feito com a devida transparência e honra à história centenária do clube. 

No momento, toda a operação, na nossa visão, é um grande risco sem respostas para o futebol.

É legítimo querer a modernização e o sucesso esportivo e social do Juventus, mas creio ser igualmente legítimo querer saber como nosso time será conduzido no futuro - mesmo que seja depois de já aprovar a sua venda.

No próximo post, vamos falar sobre responsabilidades legais e consequências da SAF - o que acontece se ela falir. 

domingo, 12 de novembro de 2023

In Pompey We Trust - A surpreendente excursão europeia

Depois de um retorno incrível à Premier League, o Portsmouth agora necessitava se fortalecer - mais difícil do que a escalada é se manter no topo, como diz o velho ditado.

Felizmente, a base do time estava pronta e não haveria necessidade de um rebuild. No entanto, a necessidade de reforçar os setores era latente, para buscar algo além da sétima colocação - e quiçá um título!

Entre ajustes, o primeiro movimento foi de perda: Paddy Lane, revelado lá na EFL Two conseguiu sair sem custos, rumo ao futebol belga. Ainda, caras como Vardy e Cresswell - líderes do grupo - aposentaram-se. Os reforços foram precisos - e muito úteis ao longo do ano. Para o gol, Bounou (goleiro semifinalista de Copa por Marrocos) chegou para trazer competição e experiência à Edwards. Para a defesa, Ben Johnson chegou e logo assumiu a titularidade da lateral-esquerda, trazendo potência à unidade defensiva. Para o meio-de-campo, Kante (free agent) e Smith-Rowe trouxeram experiência e juventude, respectivamente, ao grupo. E, para o ataque, Evan Ferguson - jovem talento irlandês, como um aprendiz de Bishop.

Com essas chegadas, o time-base do time para a temporada foi: Edwards/Bounou; Lewis, Carter-Vickers, Colwill e Johnson; Kante/Patino, Palmer, Ward-Prowse, Loftus-Cheek e ESR; Bishop. 

A segunda Premier League da equipe foi muito disputada. Após o sétimo lugar da última temporada, a meta do clube era chegar, no mínimo, na mesma colocação. O time começou brigando bem até pelo topo, mantendo-se entre os dois primeiros postos até o mês de dezembro; claro que o ritmo da temporada europeia, provocando um calendário maior, atrapalhou. Ao fim das trinta e oito rodadas, um celebrado quinto lugar, perdendo o Top Four por critérios de desempate. Foram 65 pontos ganhos, 70 gols feitos e 55 sofridos - melhora significativa de pontos, melhora no ataque e piora na defesa. 

Pelas Copas, que eram a grande expectativa de títulos da temporada, duas precoces eliminações em quarta fase, para Hull City e Tottenham, por FA e Carabao, respectivamente.

A última competição disputada, que era a mais despretenciosa, foi aquela que mudou a perspectiva do Pompey - A UEFA Europa League.

Dada a necessidade de priorizar a Premier League, foi utilizada a rotação reserva na fase de grupos. Sofrendo um pouco, o time se classificou com 8 pontos, em segundo lugar no grupo, graças a uma goleada de 6x0 sobre o Shamrock Rovers.

Uma vez avançando, na fase dezesseis-avos de final, o time saiu de uma derrota em casa - 1x2 contra o Leipzig - para uma vitória épica por 2x0 na Alemanha, avançando contra as principais odds (3x2 no agregado). Já pelas oitavas-de-final, no jogo de ida, o time vencia em casa por 3x1 até os 88', quando o Galatasaray buscou o empate e levou o jogo empatado para a Turquia; em um ambiente de extrema pressão, o Pompey correu atrás do placar (os turcos venciam até a parte final do segundo tempo), virou o jogo e, com um 3x2 nos acréscimos (marcado por Charlie Patino), próxima fase garantida, com um inesperado 6x5 no agregado. Nas quartas-de-final, o líder da PL: Arsenal. O jogo de ida, no Emirates, foi inesperado para os gunners: 0x3, ainda no primeiro tempo, para o time de Hampshire; na volta, um jogo administrado e uma derrota dentro dos planos - 4x2 no agregado. A zebra britânica chegou para as semifinais contra o maior time do planeta: Real Madrid. Em casa, um 0x0 tenso, numa partida de muita marcação e pouquíssimas oportunidades de gol para os dois lados; em Madrid, dentro do clássico Santiago Bernabeu, aquilo que contrariava as expectativas aconteceu: 0x2 para o Pompey, com dois gols de Cole Palmer. 2x0 no agregado e final garantida! E que final! Contra o Bayer Leverkusen, o time foi com sua força máxima para tentar garantir o título e, claro, a consequente vaga para a Champions League. Com menos de 10', Bishop abriu o placar. O empate alemão veio rápido, porém no lance seguinte, ESR colocou novamente os ingleses à frente do placar; após o 2x1, o time ganhou confiança e foi ampliando o placar, sempre nos pés de Bishop - o camisa 9 marcou impressionantes quatro gols na final e garantiu o caneco com um indiscutível 5x2. Título!

Depois de um ano de adaptação, o time se consolidou na elite nacional e surpreendeu na Europa, gerando uma vaga na sonhada UEFA Champions League para a temporada seguinte. 

Então, para o Portsmouth, a mensagem é de "fico" - acabaram as oscilações, o sobe e desce de divisões. O clube está estruturado e próximo para próximos passos, nacional e internacionalmente. Castro tem um livro em branco ainda em mãos, tem dinheiro e tem admiração dos atletas pela Europa - ingredientes interessantes para uma bela receita!

terça-feira, 27 de junho de 2023

In Pompey We Trust: A superb feeling!

Que temporada de volta à Premier League, meus amigos!

Não teve título, mas teve tanto orgulho de ser Portsmouth, um sentimento incrível! 

Com orçamento reduzido, vindo de seus três acessos consecutivos, o Pompey chegou na incrível sétima colocação do campeonato, atrás de todo o Big Six e à frente do poderoso Newcastle e de outros times tradicionais. O que era uma clara fuga contra o rebaixamento se consolidou numa jornada divertidíssima e prazerosa para o fã do time de Fratton Park.

Vamos à montagem do elenco: tudo começou limpando a deadwood que causara todo o mal-estar na campanha da Championship e trazendo novas lideranças ao grupo.

O principal reforço foi bombático: Castro convenceu o badalado James Ward-Prowse a deixar o rival Southampton e assumir a braçadeira de capitão do time da cidade vizinha. E os números do novo camisa 7 não deixaram a desejar: 15 G+A e participação em todos os jogos válidos da temporada.

Na free agency, chegaram Sessegnon (ex-Tottenham) e Loftus-Cheek (ex-Chelsea). E o dinheiro disponível foi gasto num corpo todo novo de zagueiros: Cameron-Vicker, Colwill e Trusty.

Apostando ainda em jovens promissores, Castro trouxe Cole Palmer - que deixara seu clube de origem, o Manchester City - e conseguiu fazer uma campanha impressionante: 24 G+A em 41 jogos, sendo premiado como assistente do ano na Premier League.

Além dele, Flo Balogun veio com muito respeito do Arsenal, mas por empréstimo, marcando 5 gols em 20 jogos - até uma lesão de LCA, contra o Spurs, tirá-lo da temporada.

Com um grupo renovado, o esquema também foi - e diferentemente do ano anterior, consolidou-se por toda a temporada. Um 4-1-4-1 com: Edwards; Lewis, Cameron-Vicker, Colwill e Sessegnon; Loftus-Cheek; Palmer, Ward-Prowse, Lane/Cantwell e Lucas Moura; Bishop.

Adiante-se que Colby Bishop jogou novamente todas as partidas do campeoanto nacional, chegando a 179 partidas consecutivas por este tipo de competição. E, obviamente, seguiu sendo destaque mesmo que reserva em parte da temporada: 18 gols e 7 assistências - seus números mais tímidos com a camisa azul, porém espetaculares se visto como um atleta oriundo da quarta divisão do país!

A Premier League começou bastante complicada, com o time demorando a se adaptar à velocidade do jogo. Todavia, a experiência dos reforços na competição foi fundamental para manter a calma e, aos poucos, o time se adaptou. E os resultados foram aparecendo, seja embalando vitórias seguidas, seja derrubando gigantes do Big Six. Logo antes do final do primeiro turno, o time já estava figurando no meio de tabela, entre 9ª e 12ª colocação.

No returno, especialmente após uma janela de manutenção do elenco, a postura já era consolidada. Se chegar ao título, UCL e UEL era impossível, a meta da 7ª colocação se mostrava extremamente factível - muito além da meta real, de fugir do rebaixamento.

E assim o time caminhou muito bem para tal posição, finalizando a Premier League com 58 pontos (17 vitórias e 14 derrotas), 56 gols feitos e 54 gols sofridos.

Foram 23 pontos distantes do campeão, 18 da UCL e 10 da UEL.  Foram 17 gols a menos que o melhor ataque - e 15 gols sofridos a mais, em relação a melhor defesa. Assim, números estão na mesa para evolução e dar o próximo passo - a meta base nunca será suficiente!

Pelas Copas, ainda sem sucesso. A eliminação foi precoce na FA (primeira rodada disputada), ao passo que a trajetória na Carabao foi divertida: três etapas avançadas, todas nos pênaltis! Fulham, Watford e Everton; a queda veio nas quartas-de-final, ante o Tottenham, no jogo da lesão de Balogun.

Uma temporada especial, sem dúvidas: a um passo dos maiores clubes do país, um resultado brutal de lucro, entorno de £202,70MM (+£309,51MM x - 106,82MM) e uma marca agora estabelecida em £356,27MM.

Curiosamente, foram os piores percentuais estatísticos da equipe em quatro temporadas, sejam em vitórias, derrotas, gols feitos ou sofridos. Entretanto, a classificação final mostra como o equilíbrio da maior liga do mundo não é lenda, e que vôos mais altos podem ser alcançados.

Em 2026/2027, além da tentativa de manutenção da colocação, o sucesso em copas locais se torna mais necessário. Tudo isso em meio a disputa de um torneio europeu, a UEL. Um que era um sonho, agora é real: o desafio é enorme, mas o Pompey está pronto pra isso!

In Pompey We Trust - Again!

segunda-feira, 26 de junho de 2023

In Pompey We Trust: Chaos!

Os acessos consecutivos na EFL colocaram o Pompey como um dos favoritos da Championship - mesmo chegando de divisões inferiores, o projeto sólido e a resiliência das disputas eram provas mais do que suficientes.

Com adversários fortes como Burnley, Brighton e Nottingham Forrest, a concorrência pela Premier League exigiria um elenco forte e experiente na divisão.

Em uma excelente visão da janela de free agents, Castro conseguiu convencer Jamie Vardy, Coquelin e Lindelof, por exemplo, a se juntarem ao clube. Junto com Mailand-Niles, eles formariam a espinha dorsal de um time já desenhado.

Priorizando os principais jogadores dos anos anteriores, Castro conseguiu formar um 4-2-3-1 interessante, explorando Bishop ainda na referência, usando Vardy como armador e a chegada do efetivado Charlie Patino na área.

O bom início mostrou que o acesso era possível - mas o título nem tanto - Brighton e Forest se mostraram bem superiores desde o início, e tranquilamente foram se isolando pelos dois acessos diretos.

Mesmo com o campeonato indo bem, novamente o time teve péssima performance nas Copas, ao contrário das metas estabelecidas: quedas precoces na Carabao (para o rival Southampton, 2x3) e na FA, diante do Charlton Athletic.
Oscilando entre terceira e sexta colocação até o inverno, chegara a janela de transferências. E um baque fortíssimo: o Brighton fez uma proposta para Dane Scarlett - que acabou vendido por pouco mais de £14,00MM. Com poucos dias de janela, as reposições vieram em volume, destacando Lucas Moura (sem clube), Cantwell e Akpom. E na mesma janela, muitos garotos com temporadas abaixo do esperado saíram para empréstimos curtos - como Jobe, Hutchinson e Cozier-Duberry.

E as notícias foram piorando...

O resumo é que o time, na segunda metade da temporada, tornou-se uma absoluta bagunça. Jogos perdidos de bobeira, Castro tentando diferentes esquemas em vão, jogadores se revezando com desempenho pífio - o vestiário borbulhava de tensão e o futuro de Castro à frente do Pompey era questionado por todos. 

O desempenho do time ainda caiu vertiginosamente no segundo terço da temporada, exigindo mudanças radicais - desde a mudança do sistema tático até afastamentos do time principal: os mais chocantes foram Maitland-Niles (co-capitão do elenco), Coquelin e Vardy; mas além deles, Lindelof, Luizão, Whatmough, Ramsey, Lowery, William e Mullins.

Distante demais do acesso direto e com dez jogadores treinando afastados, Castro chamou três jovens de volta de empréstimos: Delgado, Cameron e Jenkins.

E aos poucos o time foi criando uma identidade, de raça e dedicação, em meio ao caos. Inclusive, impondo a primeira e única derrota do campeão Brighton, por 1x0, na trigésima sétima rodada.

Do time que iniciou o campeonato, como titular, apenas quatro jogadores (destacados) encerraram a campanha, que teve seu 11 final: Edwards; Lewis, Walters, Delgado e Cresswell; Bajcetic, Lucas Moura, Lane, Cantwell e M'Hand (Cameron); Bishop.

O Portsmouth encerrou a fase regular na terceira colocação, arrancando com 5 vitórias nas 6 últimas partidas, utilizando o time base descrito acima. Foram 84 pontos (27V e 16D), com 78 gols marcados e 58 gols sofridos.

O acesso agora apenas viria via play-offs: 4 times, mata-mata, 1 clube sobe. Nas semifinais, contra o Cardiff, empate por 1x1 em Gales e vitória por 1x0 em casa, gol de Cantwell nos acréscimos (um dos jogadores chegados na janela de inverno...)

A grande final, contra o Blackburn, em Wembley, foi absolutamente fantástica: derrota por boa parte do jogo, empate com Cantwell e a virada com Cameron (um dos jogadores retornados de empréstimo...) no segundo tempo da prorrogação. 2x1 e rumo à Premier League! Um final de temporada de matar o torcedor em casa! 

As escolhas de Castro foram duras, polêmicas, quase levaram à ruptura do grupo - mas se provaram certas nos nomes que marcaram os gols decisivos. Um reforço e um menino para a história!

Pelo terceiro ano consecutivo, também se deve destacar Colby Bishop. O inglês novamente jogou todas as 46 partidas da temporada regular e novamente liderou o clube em gols (28 totais, sendo 25 na liga e vice-artilharia) e em assistências (14 totais, liderando a Championship no critério).

Não foi uma temporada dos sonhos, não foi uma campanha de se orgulhar ou impecável. Mas foi uma reconstrução de caráter e uma mostra de que a direção de Castro tem a confiança da diretoria e de toda a torcida. O treinador reconstruiu o grupo, que teve rebeldes, insubordinados e saídas indesejadas - com gente disposta, motivada e garotos com um caráter impecável.

O clube, em meio a tudo, subiu incrivelmente de patamar financeiro, devido ao resultado esportivo: lucro de £108,94MM (+£158,76MM x - 49,82MM) e projeção de valor geral para £138,93MM.

A Premier League é logo aí e muito trabalho precisa ser feito. Uma coisa apenas é fato: a história está sendo reescrita e o Pompey volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído!

In Pompey We Trust - Again!

quinta-feira, 8 de junho de 2023

In Pompey We Trust: Championship, here we go!

A chegada à EFL One foi cercada de boas expectativas. O histórico de Castro na competição, a coesão entre diretoria e comissão técnica e a nítida evolução do elenco dentro da EFL Two.

O grande receio, talvez, era iniciar novamente a temporada de modo claudicante. Neste patamar, a recuperação seria mais complicada e virtualmente inviável, postegando um ano no planejamento do clube.

Assim, o primeiro passo seria reforçar a defesa, uma das mais vazadas da temporada 2022/2003. E esse pilar, curiosamente, nem era um zagueiro de formação: como free agent, o Portsmouth trouxe Ainsley Maitland-Niles. Cria de Hale End e muito temperamental, o jovem não se firmou em anos de Premier League e buscou um recomeço sob a orientação de Castro - e funcionando muito bem na nova posição de campo.

Depois dele, o segundo reforço mais importante: Charlie Patino. Outra cria da base gunner, o menino queria minutos e seu time de formação não pode entregar. Assim, Castro apareceu como a melhor opção para seguir desenvolvendo-o, mesmo na terceira prateleira do futebol inglês.

Convertendo muitos empréstimos em contratos definitivos (e longos), o Pompey tinha agora força para buscar um projeto realmente de longo prazo. Omari, Cozier-Duberry, Scarlett, Hall e Chukwuemeka foram contratados por 5 anos. E, dos nomes do elenco, apenas Rico Lewis foi mantido por empréstimo - exigência do City - mas pelas próximas duas temporadas.

Em campo, com foco absoluto na Liga e na Papa John, o time caiu cedo nas duas principais copas inglesas, ainda na segunda fase.

Na Papa John, segundo torneio priorizado pelo clube, veio o título. A caminhada vinha sendo tranquila, com placares dilatados ou jogos mornos utilizando a rotação reserva. O bicho pegou é nas semifinais: contra o Fletwood, o time sofreu dois gols muito cedo e teve de remar até os acréscimos do segundo tempo para chegar ao 2x2 - nos pênaltis, o avanço à grande final (5x3). Em Wembley, a final foi igualmente sofrida, com o Morecambe lutando até o fim contra o favorito Pompey - entretanto, Lane marcou aos 115', dentro da prorrogação, e garantiu o troféu!

Agora, com foco absoluto nos 46 jogos da EFL, Castro rodou menos o elenco em busca do objetivo do acesso. O time-base era claro na mente da arquibancada: Edwards; Lewis, Raggett, Maitland-Niles e Hall; Bajcetic, Patino, Lane, Lowery e Scarlett; Bishop (4-2-3-1).

Alguns jogadores não conseguiram, importante frizar, manter o nível de jogo visto na EFL 2. Caras como Thompson e Robertson, então titulares absolutos no ano anterior, tornaram-se rotações raras de jogo.

No campeonato em si, o time se manteve praticamente o tempo todo em zona de acesso direto, entre primeiro e segundo lugar - o Cardiff foi o adversário mais próximo.

Adversário que, com méritos, foi o campeão da divisão, entregando o segundo lugar ao Portsmouth!

O time galês fez 98 pontos contra 93 do time de Fratton Park. Aliás, a derrocada do Pompey foi justamente na reta final, conquistando apenas 4 pontos em 21 possíveis.

Mesmo com o melhor ataque da divisão (83 gols feitos), o time não obteve o melhor saldo - fruto da defesa muito vazada (54 gols sofridos). E esses gols sofridos que custaram o título.

Individualmente, Bishop seguiu sendo o grande destaque do clube - jogando mais uma vez todas as partidas da temporada, foi coroado principal artilheiro e assistente da liga: 26 gols e 12 passes para gol.

A grande revelação fica por conta de Paddy Lane, que havia surgido como reserva na temporada anterior. Agora, estabilizado no time titular, o norte-irlândes jogou para impressionantes 23 G+A e já figura na seleção de seu país.

Como clube, lucro de £9,15MM (+£24,23MM x - 15,07MM) e projeção de valor para £27,18MM.

Mesmo sem o título da EFL One, o Portsmouth agora jogará a Champioship. E a missão de Castro, para conseguir o terceiro acesso consecutivo, é acertar o balanço da equipe. O ataque evoluiu em dois anos, porém a defesa regrediu - mesmo com um maior volume de partidas sólidas, o time sofreu goleadas avassaladoras. 

Em números gerais, o time venceu mais nesta temporada - porém também perdeu mais partidas.

O acesso veio, mas com farol amarelo, exigindo extrema atenção para os passos na segunda divisão inglesa. O novo campeonato é disputadíssimo, com times há anos na seca da Premier League e outras equipes muito fortes recém-rebaixadas (como Brighton e Nottingham Forrest).

In Pompey We Trust - Again!

domingo, 4 de junho de 2023

In Pompey We Trust: Again!

Não seria a primeira passagem de Castro pelo Portsmouth. Há pouco menos de uma década, o treinador tentou resgatar o time das divisões inferiores da Inglaterra - obteve certo sucesso, mas saiu antes do plano ser concluído, ainda no caminho para a Championship. 

As ligações com o time do sul do país, de cidade portuária, ainda eram fortíssimas. E o histórico de acesso com o Notts County, há alguns anos, indicava que o velho conhecido seria a melhor peça para resgatar o time da quarta prateleira do futebol local, a English Football League Two.

Um pouco da primeira passagem você consegue ver aqui: In Pompey We Trust!

Em semelhança à primeira passagem - e de modo óbvio - não havia orçamento para grandes reforços. Com uma base experiente, a tese foi apostar em jovens promessas do futebol inglês, que ainda não tinham experiências nas divisões de elite. 

Castro, assim, buscou algumas parcerias em Londres e foi muito bem-sucedido. Nos times de desenvolvimento de Arsenal e Chelsea, principalmente, conseguiu encontrar o volume e a juventude necessários ao promissor primeiro ano no Pompey. De Hale End vieram: Azeez, Cirjan, Salah e Cozier-Duberry; do Chelsea, Hall, Omari Hutchinson e Chukwuemeka; e além deles, Scarlett (Tottenham), Bajcetic (Liverpool) e Rico Lewis - talvez o grande nome - do Manchester City.

A única contratação definitiva, a princípio: Jobe Bellingham, irmão do craque da seleção inglesa, numa cartada de mestre junto ao Birmingham. Em seu contrato, cláusula de divisão de lucros em venda futura e obrigatoriedade de venda para Premier League (Big Six) ou Borussia Dortmund.

A temporada não começou de modo animador. Sem vitórias na pré-temporada (três jogos), iniciando a liga com 1 ponto em 12 disputados e eliminado da Carabao na primeira fase, com 0x5 diante do Middlesbrough.

As críticas sobretudo ao goleiro Macey eram gigantes - e aí se iniciou a reformulação do time. Castro promoveu o galês Edwards, de apenas 16 anos. E nas suas cinco primeiras partidas, cinco vitórias na liga - sendo quatro com clean sheets.

Na primeira parte da competição, o time foi ascendendo, com um time experiente: Macey/Edwards; Lewis, Raggett, Robertson e Hume; Pack, Thompson e Lowery; Jacobs, Curtis e Bishop.

Entretanto, a dependência de Bishop desde o início se fez intensa. E isso mesmo sem as bolas chegando com qualidade. Ali, Castro percebeu que os meninos estavam pedindo passagem: vendeu Jacobs e Curtis, dispensou Macey, ascendeu Omari e Scarlett para titularidade e o time encaixou.

Claro que a oscilação seguia. 4 derrotas em fevereiro (5 jogos), 4 vitórias em março (5 jogos). Eliminações precoces em FA Cup e Papa John Cup, ambas na segunda fase das copas.

E no momento mais crucial da temporada: 12 jogos invictos, entre 35ª e 46ª rodadas e o título sofrido da EFL Two.

88 pontos | 46 jogos, 27 vitórias, 7 empates e 12 derrotas. 78 gols feitos e 50 gols sofridos.

A entrada constante de Chukwuemeka deu mais força ao meio-campo. Lewis Hall entrou na lateral-esquerda e deu tração à saída de bola. E a estrela de Paddy Lane, jovem norte-irlandês que era fundo de elenco e se tornou talismã do clube, com 10 G+A na reta final do campeonato, mudando jogos que pareciam inviáveis.

Colby Bishop, camisa 9 clássico, seguiu marcando jogo sim - jogo não, e finalizou a competição com 24 gols em 46 jogos - sagrando-se artilheiro do torneio. A semelhança no estilo com Jamie Vardy, inclusive, o deu a alcunha de "Vardy from Hampshire"

Seu principal garçom foi Lowery, que finalizou o ano com 14 assistências na liga.

Assim, apesar do insucesso nas copas, a missão principal foi cumprida. O acesso veio com muito trabalho e fé no projeto a longo prazo. Em termos de clube, lucro operacional de £1,35MM (+£14,39MM x -13,04MM) e valor do clube saltando de £15,22MM para £15,70. 

Diferentemente da passagem anterior, o intuito agora é chegar à Premier League, é ficar no comando. O próximo passo seria converter as opções de compra em definitivas, selando contratos de longo prazo com as jovens estrelas - Cozier-Duberry, Scarlett, Hall e tantos outros. 

A EFL One tem um jogo levemente menos físico e com mais velocidade, e assim as adaptações a serem feitas no elenco são relevantes. Na passagem pelo Bolton, a penúltima na Inglaterra, Castro apostou em veteranos para a segunda temporada, causando problemas no elenco e dificuldades de jogo. Pelo Notts County, a EFL One foi vencida invicta, mas também com injeção financeira fora do comum e reforços desproporcionais para a realidade dos demais adversários.

A realidade do Pompey é diferente, a saúde financeira é central e permanecerá assim. E mesmo com todas as limitações, a confiança é que o novo acesso virá!

In Pompey We Trust - Again!

domingo, 21 de maio de 2023

Olympique de Marseille: A glória recuperada 30 anos depois

Na temporada de 1992/1993, o Olympique de Marseille foi à final da UEFA Champions League, diante do poderoso Milan. Contra um time que tinha Baresi, Maldini, Rijkard e Van Basten, o Marseille foi bravo e venceu o grande jogo por 1x0, gol do zagueiro Basile Boli. 

A taça, erguida pelo histórico Didier Deschamps, coroava uma temporada única, na qual os franceses também venceriam o seu campeonato nacional.

Entretanto, devidos a suposta manipulação de resultados na liga francesa, a temporada heróica acabou se tornando uma mancha na trajetória dos Les Olympiens. O título francês foi cassado, bem como decretado o rebaixamento da equipe. Por outro lado, o título continental foi mantido, e até hoje é o grande símbolo do clube, praticamente 30 anos depois.

A chegada de Castro ao Velodrome era, agora, cercada de expectativas. Com larga experiência, a missão em uma temporada era vencer a Ligue One e trazer para Marseille a taça da Europa League.

E a ansiedade pela coincidência faz o texto começar do futuro: o título continental veio, e veio exatamente 30 anos depois e exatamente contra o mesmo adversário.

3x0 contra o Milan, em 26/05/2023, agora com hat-trick de Olivier Giroud.

O OM chegou à fase de mata-mata como melhor equipe: 16 pontos conquistados, jogando com seu time alternativo. Pelas oitavas, o passeio se seguiu, com um 5x0 agregado contra a Lazio. Nas quartas-de-final e semifinais, 3x2 agregado diante de Atalanta e RB Leipzig, respectivamente. 

A final, de placar já citado, foi amplamente dominada pelo time francês - acabando competitivamente ainda na primeira etapa. Giroud estava inspirado e, assistido sobretudo por Payet, marcou seus gols de número 18, 19 e 20 na temporada, no dia mais importante em trinta anos para o clube.

Se, pela Copa da França, o time caiu ainda nas quartas, diante de um azarão Lille, o campeonato nacional foi vencido com domínio extremo. Com 30 vitórias e apenas 3 derrotas, em 38 jogos, o time somou 95 pontos - 11 à frente do poderoso PSG.

Foram 93 gols marcados, melhor marca da competição. Sem fazer o artilheiro, o time teve o principal garçom da competição em Dimitri Payet, jogador entre os 10 com mais atuações com a camisa do clube.

Na defesa foram sofridos, apenas, 16 gols - marca impressionante e recorde europeu na temporada. Pau Lopez obteve, ao todo, 24 clean sheets, também recordista no continente. 

O número defensivo poderia, aliás, ser ainda melhor: com 11 vitórias nas 11 primeiras partidas, o time sofrera até essa data 3 gols. Se seguisse com a média, seriam apenas 10 ao final da competição.

Os dois títulos conquistados remontam a glória ao time da cidade mais antiga da França.

Sem heróis isolados, o grupo foi destaque. Assim, para finalizar, a lista daqueles que trouxeram os troféus - agora jamais retirados: Pau Lopez, David Raya, Ngapandouetnbu e Ruben Blanco; Bellerin e Pembele; Mbemba, Gigot, Schar, Bella-Kotchap, Caleta-Car e Kamardin; Nuno Tavares, Balde e Hincapie; Payet (capitão e mais assistências, com 17), Gerson, Andreas Pereira, Guendouzi, Gueye, Veretout, Xavi Simons, Strootman e Bertelli; Giroud (mais gols, com 20), Clauss, Trossard (mais jogos, com 47), Alexis Sanchez, Mbeumo, Madueke, Maupay, Milik, Sara e Kolo Muani.

domingo, 19 de março de 2023

Uma viagem em Anfield

Na primeira aventura do FIFA 23, Castro foi convocado a reestruturar o Liverpool após a saída surpreendente de Jurgen Klopp. O alemão, que montou um dos melhores times deste século, não resistiu ao enigma: a sétima temporada de Klopp, em seus dois empregos anteriores, já provara ser a última. 

Klopp fez seu nome no Mainz, o clube em que passou quase toda a sua carreira de jogador, levando-os à Bundesliga pela primeira vez em sua história. O clube alemão até se classificou para a Copa da UEFA sob o comando de Klopp, mas em sua sétima temporada, as coisas azedaram - três anos depois que as ruas de Mainz comemoraram Klopp por levá-los à terra prometida, eles voltaram para a segunda divisão; ele ficou por perto, para tentar recuperá-los, mas depois que ele falhou na primeira tentativa, renunciou.

O alemão apareceu em seguida no Borussia Dortmund, onde ganhou notoriedade internacional, levando-os a triunfos consecutivos na Bundesliga e a uma final da Liga dos Campeões. No entanto, novamente na sétima temporada de Klopp, o Dortmund lutou contra fantasmas: no Natal, o Dortmund se via enraizado no fundo da tabela, olhando para o abismo e aparentemente sem rota de fuga. Entretanto, Klopp mais uma vez deu a volta por cima, terminando em 13º, mas livre da zona de rebaixamento.

E tudo isso nos leva a Merseyside, onde Klopp estava liderando os Reds em sua sétima temporada no comando. A venda de Sadio Mané, a insistência com elencos curtos e a queda de rendimento de veteranos - Henderson, Milner e Firmino, entre outros - foram fatores que deixaram o Liverpool aquém daquilo que podia entregar.

Assim, o já consagrado Castro assumiria um time em transformação, com dinheiro, mas sem forças aparentes para combater o gigante Manchester City - ou mesmo ser o principal competidor a eles dentro do Top Six.

Para ajeitar um pouco do elenco, foi feita a venda de Diogo Jota e trazidos Cody Gakpo, Gvardiol, Dumfries e Sosa, todos para compor o grupo; e as jovens estrelas britânicas Declan Rice e Jude Bellingham.

Enquanto isso, a confiança era no 11 titular deixado por Klopp, com a adição de Jude: Alisson, TAA, Konate, Virgil e Robertson; Fabinho, Bellingham e Thiago; Salah, Darwin e Diaz.

A estreia oficial na temporada não poderia ser mais promissora: 2x1 sobre o City e o título da Community Shield.

Todavia, o time não encaixou como se desejava ao longo dos meses seguintes: com poucas peças de reposição à altura do time titular, os principais jogadores chegaram a jogar oito partidas num mês. Nomes como Gakpo não trouxeram o efeito desejado - pior, o lado esquerdo, carente de Mané, não via opções viáveis para a parceria com Salah.

Na janela de verão, o Liverpool apostou alto nas mudanças: foram vendidos Luis Diaz, Keitá e Milner. Chegou Camavinga e houve a surpreendente contratação de Harry Kane, artilheiro do Tottenham e capitão da seleção inglesa - Kane que marcara os dois gols da eliminação dos Reds, dias antes, da Carabao Cup.

Pela Champions League, a classificação no grupo da morte foi suada, mas ainda invicta - 12 pontos num grupo com Milan, Porto e Atletico Madrid. Nas oitavas-de-final, vitória sobre a Atalanta, no agregado de 5x3; nas quartas-de-final contra o poderoso Bayern, 1x1 em Anfield e vitória simples na Baviera, para avançar às semifinais: nela, o temido Manchester City - e duas derrotas: 1x0 em casa e 2x1 no Etihad. Eliminação dolorida para o futuro vice-campeão europeu, derrotado semanas depois pelo Villarreal.

Na Premier League, o clube oscilou sempre entre 7º e 2° colocado - terminando lamentavelmente em 5°, fora da zona de classificação para a UCL do ano seguinte. Cambalido fisicamente, o time tentou até a última rodada, mas terminou com apenas 73 pontos (22V | 11E | 5D | 65GP | 40 GC), treze atrás dos Citizens e três atrás dos Red Devils, último classificado para a Champios. Na reta final, nem mesmo Salah sustentou a artilharia, terminando com 23 gols, dois atrás de Sterling.

Conformados com a classificação à Europa League, os Reds foram para a final da FA Cup com a missão de fechar o ano, ao menos, com a felicidade de mais um título. E foi possível: contra o Tottenham, 1x0, gol de Darwin Nuñez e explosão dos fãs em Wembley.

Foi uma temporada frustrante sim, esperava-se um título entre Premier League e Champions League - contentar-se com uma FA é pouco.

O artilheiro da temporada foi Mo Salah, com 31 tentos; o principal assistente, Jude Bellingham, com 16.

Num ano que Alisson e Salah jogaram 56 partidas cada, o próximo passo é dar um pouco de profundidade ao elenco, mas trazendo para isso jogadores de nível titular, para competir e brigar por posições. 

A temporada 23-24 é de títulos ou nada, não haverá mais espaço para justificativas. Senão, os sons de "Klopp, comeback" serão mais escutados nas tribunas de Anfield.

domingo, 12 de março de 2023

Bari: o término chocante (Capítulo 3)

A renovação com o Bari não estava nos planos - nem de Castro nem de diretoria e nem de torcida, que já via seu treinador em novos caminhos.

Entretanto, o sonho de jogar uma Champions League corroborou para um acordo surpreendente.

Mas diferente do estrategista calculista e preciso, Castro errou para a nova temporada: chegaram propostas fabulosas por alguns jogadores e, nessa leva, Belloti e Locatelli foram vendidos, somando mais de €200MM em receitas.

Na ansia de montar agora um elenco estrelar, o controle financeiro saiu dos eixos. Se na primeira temporada havia um teto de €15k semanais, que alçou €45k na primeira divisão, o ano de UCL descalibrou as contas e não houve teto. Assim, consequentemente, elenco rachado e muito ruído nos bastidores. 

Chegaram Verrati, Pellegrini, Jorginho, Immobile, Insigne... jogadores de seleçao italiana. E quem mostrou futebol foi Ounahi, Amallah...

A ruptura era questão de tempo.

No campeonato italiano, o time chegou a outubro com 9 jogos e o terceiro lugar, somando 20 pontos. Apesar da posição cômoda, o sistema não funcionava. A defesa, por exemplo, de 0,58 gols sofridos se tornou 1,00 gol por partida - lembrando que fora 0,41 na segunda divisão. E chuva de críticas!

Na Champions, em três jogos, o time estacionou na terceira colocação - atrás de Barcelona e Celtic, e a defesa caia para 1,33 gols sofridos por jogo.

No geral, o ataque foi de 1,97 gols para 1,81 - e o aproveitamento de vitórias foi de 71,88% para 56,25%.

O grande artilheiro Belloti não estava mais lá para decidir - e Locatelli, crucial em gols decisivos e assistências, não aparecia mais nas horas críticas.

Com a crise instaurada, havia uma única saída e ela aconteceu em comum acordo: Castro deixava o comando do Bari, certamente em sua última passagem pelo clube.

Se a primeira passagem foi de fracasso, essa foi de sucesso! O time subiu de divisão, foi campeão nacional, disputou uma competição europeia e se sagrou vitorioso!

O significado de uma saída não é necessariamente ruim - pelo contrário, olhar pra portas que o futuro reserva, no Calcio ou fora dele.

Forza, Biancorossi!

quarta-feira, 8 de março de 2023

Paulista A2 - 8ª a 14ª rodada

Após uma excelente partida diante da Macaca, pela sétima rodada da competição, o Juventus chegava confiante para encarar o Comercial, na Rua Javari. Entretanto, o jogo do dia 08/02 apenas abriria uma sequência bem negativa para o Moleque Travesso.

Um time preguiçoso encarou a equipe de Ribeirão Preto, e a derrota por 1x2 foi decepcionante, estacionando a equipe ainda entre os oito primeiros colocados, mas perdendo fôlego na disputa.

Assim, o Juventus ia a Taubaté para um jogo fundamental, famoso jogo de seis pontos. E como de praxe, a atuação da equipe foi muito melhor sem a pressão da Mooca: 3x2 sobre os donos da casa.

Na rodada seguinte, mais um jogo na Rua Javari. Contra o Oeste, a expectativa era de derrota, sendo sincero: as atuações decepcionantes em casa não davam um prognóstico positivo. E isso se confirmou: novamente 1x2 para os visitantes, novamente Bruno Moraes descontando.

E, nessa gangorra, contra o Velo Clube - em Rio Claro, obviamente que a torcida foi confiante em boa atuação e resultado positivo. No entanto, um anêmico 0x1 foi o suficiente para, finalmente, cair a ficha e demitir o limitado Ito Roque.

O clube se mexeu rapidamente, trazendo o experiente Jorginho para a função. O treinador, aliás, chegou com o claro recado de que não faria milagres: manteria o sistema tático e tentaria simplesmente arrancar mais do elenco: mais vontade, mais disposição e mais qualidade.

Assim, o Juventus foi para 12ª e 13ª rodada contra Briosa e Monte Azul. Adversários em realidades absolutamente opostas, mas mesmo placar final: 1x1.

Os dois pontos conquistados eram um respiro, mas o adversário seguinte, traiçoeiro - o Juventus pegaria um horrível Lemense - mas que se aprontasse, deixaria-nos em situação delicada.

E finalmente, em casa, o Juventus teve sua grande atuação no campeonato. Na realidade, muito mais a primeira etapa, que terminou 3x0 sem nenhuma dificuldade. Com Masson e Cesinha soltos, além de Bruno Moraes muito participativo, o time goleou ao final (4x0), livrou-se matematicamente do rebaixamento e alçou a 9ª posição - apenas 1 ponto do último classificado.

Na rodada final, o Juventus pega o Novorizontino, fora de casa - sábado (11/03) às 15h.