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quarta-feira, 20 de julho de 2022

Atlanta United FC - Season One | 2025

Se os tempos na área técnica brasileira estavam encerrados, a carreira aguardava mais algumas surpresas para Castro. Ainda buscando um último desafio antes da aposentadoria desta aventura, o destino foi a MSL, mais especificamente o Atlanta United.

Fundado em 2014, pelo mesmo dono do Atlanta Falcons - da NFL, e estreante na MLS em 2017, o jovem time representa uma cidade que respira esporte em todas as grandes ligas.

Nascido como um furacão, o Atlanta em poucos anos acumulou títulos e grandes nomes em seu banco de reserva - como o carismático Tata Martino, que chegou após dirigir Barcelona e a seleção argentina.

Castro foi nome unânime na busca por recolocar o Atlanta no rumo dos títulos - após MLS de 2018 (sob comando de Martino) e US Open de 2019.

Na temporada anterior à chegada de Castro, o Atlanta foi o primeiro colocado da classificatória, com melhor ataque e melhor defesa - mas caiu nas semifinais e viu o New York City se sagrar campeão. Agora, além da campanha irrepreensível, a busca era por se sobressair no mata-mata - algo que Castro, vindo de um tricampeonato de Libertadores, é especialista.

Entretanto, as coisas não saíram do papel como esperado, logo no início: a temporada oficial começou com um jogo da US Open e, eliminatório, o Atlanta não resistiu ao time do Los Angeles FC - logo, a frustração se viu repetida.

O elenco, então já enfraquecido das últimas temporadas, foi tomando o ajuste de Castro, mesmo com todas as limitações possíveis e com o carro já andando... como tão comum na MLS, foi se forjando um time mix de jovens talentos locais e veteranos vindo da Europa, já em fim de carreira. 

O início no sistema 3-4-3 foi instável; altos e baixos e muita falta de confiança para dominar os jogos no Mercedes Benz Stadium. As vitórias fora de casa, sem responsabilidade do mando, eram mais fáceis e, em casa, sempre sofrido - fora todas as derrotas e empates extremamente frustrantes.

Mas quando da mudança para o 4-4-2, o jogo virou completamente. E junto com a janela de verão, os nomes que faltavam para ajustar - principalmente - o "onze titular".

Por exemplo, na zaga, Robinson foi sempre titular e revezava dupla com Boateng e Vertonghen (lentos e irregulares). Na janela, chegou Zimmerman, zagueiro de seleção norte-americana, que se tornou um pilar na linha titular - apesar do erro na final, que falaremos adiante.

Nas laterais, se antes tínhamos Cedric Soares e Slonina (base), os nomes se tornaram Yedlin e Wagner. O primeiro, veterano jogador dos EUA, errou muito no início, mas foi crucial para os jogos finais, mais decisivos; já Wagner assumiu a posição e deixou de jogar apenas duas partidas desde sua chegada, poupado por condições físicas.

No meio pra frente, nomes iguais, apenas formação diferente. Com Josef Martinez mais agudo do que nunca, Moreno, Lacazette, Barco e Almiron criavam as principais oportunidades, deslocando-se pelo campo; destaque também para Joelinton, o 12º jogador do time durante toda a MLS.

Time titular: Turner; Yedlin, Robinson, Zimmerman e Wagner; Sosa, Moreno, Almirón (Joelinton), Barco e Lacazette; Martinez.

Elenco: Sirigu (goleiro); Cedric, Hateboer e Slonina (laterais); Boateng, Sokaratis, Verthoghen, Campbell, Long (zagueiros); Adams, Acosta, Chamberlain, Nainggolan, Tadic, Alvarez e Morris (meio-campistas); Pepi, Cowell, Ekitike e Eric Lopez (atacantes).

Enfim, na competição, entre percausos, foi consolidada a liderança. O Atlanta se classificou novamente em primeiro lugar geral, com 72 pontos (22/6/6), melhor ataque (72 gols) porém defesa muito vazada (41 gols). Campanha superior em pontos (+3) e gols (+19) ao ano anterior, antes de Castro. Entretanto, a defesa tinha saldo -13 gols de um ano para outro, evidenciando a grande preocupação no acerto do sistema defensivo para as finais - e justificando a aquisição de 3 dos 4 defensores titulares na janela emergencial.

Relembrando, após a primeira fase, a MLS se torna absolutamente eliminatória, com jogos únicos na sede do clube de melhor campanha. 

Após o wildcard, semana de descanso para os líderes da divisão, chegou a semifinal de conferência, diante do New York City, atual campeão. No Mercedes Benz, jogo duro até os 20', quando o Atlanta finalmente chegou ao ataque levando perigo; em escanteio, aos 25', Barco aproveitou sobra e empurrou para dentro. A pressão novaiorquina se dissipou, tanto que o jogo foi para o intervalo em inacreditáveis 3x0. A segunda etapa, tão somente de administração, permitiu o descanso visando à final de conferência.

E diante do DC United, um jogo pragmático. Lacazette abriu o placar logo cedo e assim o jogo foi até o final. Sem grandes oportunidades de lado a lado, o Atlanta bem tentou matar o jogo, mas foi ineficiente. O DC, por sua vez, pouco perigo levou à meta de Matt Turner.

A grande final da MLS estava definida, entre Atlanta e Dallas, na Georgia. Assim como no jogo anterior, não demorou para o placar abrir, com Moreno fazendo o primeiro gol. Todavia, o Dallas era mais perigoso que o DC e ficou em cima o tempo todo. Aos 81', Castro tinha entendido que as coisas estavam definidas - porém errou: deixando apenas Lacazette entre os atacantes titulares e fazendo três alterações, no mesmo minuto, o doloroso empate em falha grave de Zimmerman. A prorrogação foi muito tensa, haja visto que as mudanças foram defensivas e apenas Joelinton puxava a linha da frente. Assim, o Dallas cresceu e por duas vezes, quase assumiu a liderança. Passados alguns minutos do segundo tempo da prorrogação, porém, o time do Texas assumiu uma postura conservadora, satisfeita com as futuras penalidades; e nesse sentido, Castro avançou as linhas para uma última pressão alta - e assim, Laca roubou a bola no campo ofensivo, soltou para Joelinton, que viu Moreno entrando em profundidade. E, no maior esforço, aos 119' de jogo, faltando apenas um minuto para os pênaltis, o argentino cria do Lanús, fez o gol, a libertação, o título. O Atlanta se tornava, a poucos segundos do final do jogo, o grande campeão da MLS. Taça erguida por Alexadre Lacazette, o dono do vestiário.

Nesta inacreditável campanha, Martinez foi o artilheiro, com 21 tentos, repetindo a façanha de 2018 (quando marcou trinta e uma vezes), durante a caminhada ao primeiro título da franquia. Barco com 13 assistências e Turner com 13 clean sheets também venceram suas categorias e merecem atenção.

Depois de sete anos da primeira conquista, o Atlanta retornava aos holofotes - com muitos novos nomes e o mesmo herói venezuelano no comando de ataque.

A contratação de Castro foi o grande acerto do clube e, por mútua vontade, a grande notícia: o brasileiro renovara seu contrato por mais um ano, para consolidar a trajetória e agora escrever um capítulo à parte: Cristiano Ronaldo.

Aguardem.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

Do Farrapos às margens da Lagoa da Parangaba: de volta pra casa

Uma temporada com cara de Brasil...

O ano de 2024 começou muito bem para Castro e para o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Após um 2023 invicto, campeão nacional e sulamericano, o ano seguinte era ainda mais aguardado pela torcida. Não apenas pela perspectiva de mais uma campanha histórica, mas pela plasticidade que iria aumentar em campo, com chegadas de Oscar, Danilo, Luiz Araújo e pela consistência defensiva, com chegadas de Pablo Marí, Diego Godín e Alex Telles. Até a volta do ídolo Marcelo Grohe aconteceu, fato festejadíssimo pela torcida.

Se em campo as coisas fluiam bem e, fora dele, o caixa estava mais abastecido do que nunca, uma disputa política tomava conta da mídia. Em semestre de eleição, a oposição aumentava sua influência no conselho, ameaçando a gestão atual e, consequentemente, o futebol.

O elenco não sentia nada, perfeitamente blindado por Castro e seus coordenadores técnicos. Líderes como Leiva e Fernandinho conseguiam dialogar com todos, reforçando a calma e o foco no futebol.

Entretanto, mesmo na melhor fase da história do clube, as ameaças eram de ruptura com o status quo da gestão e do futebol. Uma perspectiva de final de uma era de glória.

No campo, tudo perfeito. Nos 20 jogos do primeiro semestre, a equipe venceu todas as partidas. Faturou o torneio de pré-temporada; foi campeã da Recopa - atropelando o favorito Flamengo; venceu os jogos de grupo da Libertadores (6 vitórias e incríveis 39 gols marcados); e se consolidou na liderança do Brasileiro, com 7 vitórias.

Calleri tinha 23 gols em 16 jogos, Oscar tinha participação em 26 G+A em apenas 15 partidas. O Grêmio, meus amigos, era irresistível.

Porém, maio chegou. E mesmo contrário à vontade de toda a massa gremista, a oposição venceu - e uma nuvem preta se instaurou sobre a Arena.

Em seu primeiro dia sob nova direção, Castro foi chamado para uma reunião, onde foram expostas todas as ingerências previstas pela gestão no futebol - inclusive uma possível venda via SAF. Castro foi resistente, conseguiu ainda duas novas reuniões para debater o tema, mas perdeu força nos bastidores. E uma decisão precisou ser tomada.

Mesmo com apoio incondicional do grupo de atletas, a ruptura era inevitável. Toda a trajetória construída, na realidade, de nada mais valia... 95% de aproveitamento tornou-se um castelo de areia - Castro entregou o cargo e demitiu-se do Grêmio.

Se a carga do sul era pesada demais para Castro, um horizonte reacendeu-se no nordeste do país.

Sem técnico desde janeiro, o Fortaleza estendeu a mão e o convite, que estaria pra sempre feito, aconteceu: Castro reassumiria o Leão do Pici, para continuar aquilo que nunca devia ter terminado.

O Tricolor de Aço mantivera a base de 2022, porém o último técnico - apesar de resultados decentes - deixara a estrutura vencedora de lado. Então, era uma nova reconstrução, sem a redundância que esse termo parece ter.

Tão difícil seria o trabalho, que o primeiro jogo, ainda antes da janela de transferência, foi um desastre: derrota por 3x0 para o Atlético-MG, em Minas. Derrota que Castro não via há quase duas temporadas.

O resgate de 8 pontos, para alcançar justamente o Grêmio (21 x 13 pontos), seria árduo. E as oitavas-de-final da Libertadores, perante o Racing, sinalizavam a necessidade de reforços imediatos.

Aberta a janela de julho, logo de cara: Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, time que (junto de Castro) não perdia há quase 20 meses. E o melhor aconteceu: 1x0, num castelão lotado, derrubou a maior invencibilidade do mundo do futebol, em gol de Matheus Pereira.

Reforços foram chegando, todos com passagens por seleção brasileira, principal ou de base: Willian pra lateral-direita, Alexsandro para a esquerda, Andreas Pereira, Fred e a chocante contratação de Roberto Firmino no último dia de janela. 

Embalado numa sequência de vitórias, na 14ª rodada, o Grêmio novamente: e no Sul do país, num duelo galáctico, 0x0. Jogo tenso, marcado, com Lucas Moura perdendo pênalti em cavadinha mal batida. 

A impressionante escalada seguiu. E, no campeonato, não só a força do Fortaleza era necessária, como tda a bagunça no rival porto-alegrense colaborava. Calleri virou reserva, Lucas e Fernandinho afastados... a nuvem cinza sobre o velho dono do Olímpico constratava com o tempo aberto no Ceará. Pouco antes da vigésima rodada, o Leão tomou a liderança - para não mais soltar: ao final da corrida, 65 pontos contra 59, ostentando ainda melhor ataque e melhor defesa da competição. 

Pela Libertadores, Castro assumira um time classificado mas com ressalvas. Pela segunda colocação no grupo, todos os jogos de volta seriam fora de casa. Pelas oitavas, o time não sentiu a pressão e - no agregado - somou 6x3 contra o Racing de Avellaneda, time que derrotara há dois anos, na final da mesma competição. Pelas quartas, o confronto mais duro, contra o River Plate: 3x3 no Castelão e 2x1 no Monumental, com direito a virada histórica em campos argentinos. Nas semifinais, em confronto nacional, o Flamengo - combinado de 3x1, sendo um empate no renovado Maracanã.

A final, claro, contra o Grêmio. Declaradamente o último jogo de Castro pelo Fortaleza - cujo retorno era combinado apenas até o final do ano. 

Em campo, o time-base deste retorno: Léo Jardim; Araruna, Danilo (Pablo), Dória e Alexsandro; Fred (Walace), Rafinha, Firmino (Moisés), Felipe Anderson e Matheus Pereira; Joelinton.

O time jogou conforme sua principal característica: marcação intensa. Aliás, o principal marcador do time é o próprio Joelinton, que teve muitos de seus gols do ano frutos de roubadas de bola. 

Mesmo assim, o jogo não encaixava e o 0x0 seguiu se arrastando - apenas 1 gol havia sido marcado em 225 minutos de jogos entre Grêmio e Fortaleza desde o retorno de Castro, demonstrando todo o equilíbrio entre os elencos. 

O Grêmio levava mais perigo e, com isso, confiança para avançar suas linhas e ocupar o lado cearense. Entretanto, num deslize, proporcionou o contra-ataque que Castro tanto sonhara: e nos últimos metros do campo, Alexsandro enfiou passe para Felipe Anderson, que fuzilou de esquerda para o fundo das redes. 1x0. Ele, que marcara já dois gols históricos na final da liberta de 2022, tinha sua estrela aparecendo novamente. 

É campeão! O Leão da Pici recuperava a glória, conquista novamente a Glória Eterna

Se, em 2022, a taça foi erguida por Danilo - o veterano de longínquos 40 anos cedeu a faixa de capitão ao grande líder, Joelinton, que a ergueu e justificou toda essa mudança.

Entre altos e baixos, Castro retornara para onde sempre se sentiu bem: em casa. 

Por fim, nos bastidores, o treinador preparou seu sucessor: Danilo pendurou as chuteiras e assumiria imediatamente as funções de novo treinador do Fortaleza Esporte Clube.

Tricampeão brasileiro, bicampeão da Copa Libertadores.
101 jogos.

Depois das duas passagens pelo Fortaleza e a inesquecível aventura no Grêmio, Castro anunciou que buscaria uma carreira fora dos campos brasileiros. Não que o país tenha ficado pequeno, mas porque seu coração tinha apenas um dono e já estava seguindo em frente...

Que honra foi, Leão da Pici! A glória é mesmo eterna! Adeus!

terça-feira, 31 de maio de 2022

Arsenal | Notas da temporada 2021/2022

No último post, deixamos algumas impressões sobre a dura temporada do Arsenal, em 2021/2022. Agora, vamos falar individualmente, com notas de 0 a 10. Do cara do ano (Saka) até ao pereba (Pepe), vamos a eles:

Saka - 8,5. o menino de vinte aninhos se mostrou maduro e a referência do time após a saída de Auba; fez mais de dez gols no ano, muitos decisivos e encerrou de uma vez por todas os improvisos nas laterais, no apoio, conquistando a vaga cativa na ponta-direita. Após uma traumática Eurocopa, que preocupou no seu retorno ao Emirates, Saka conseguiu se projetar como um dos maiores talentos europeus dessa geração, tornando a sua renovação contratual, prioridade imediata do clube.

Tomiyasu - 8,5. Consistente em todas as funções, foi grata surpresa e um dos três melhores jogadores do ano. Fez muita falta após suas lesões e, no jogo de retorno como lateral-esquerdo, provou que é peça-chave pro ano seguinte.

Magalhães - 8,5. Consistente na defesa, seguro, fala bastante. No ataque, tem participação efetiva e teve tantos gols como os atacantes de ofício. A grande temporada o colocou no elenco da seleção brasileira e, possivelmente, disputará sua primeira Copa do Mundo no Qatar!

Odegaard - 8,0. Talvez é mais do que esperávamos dele, se tornando capitão e referência. Teve ótimos momentos na dobradinha com Saka e, talvez com um ótimo centroavante, possa ter um próximo ano muito melhor.

Smith-Rowe - 8,0. Mostrou o exímio finalizador que demonstrava ser na base; perdeu um pouco de espaço por lesões e Covid-19, mas honrou a camisa que lhe fora concedida com mais de dez gols na temporada.

Martinelli - 8,0. o jovem brasileiro ganhou muito espaço, esbanjando personalidade e técnica. Revezando a titularidade com ESR, participou diretamente de doze gols na Liga, número que deve crescer para a próxima temporada.

Ramsdale - 7,5. Chegou caro e provocando a ira da torcida por isso; tínhamos Leno e outras necessidades urgentes. Entretanto, mostrou competência debaixo da meta e muito carisma e energia, algo que sempre faltou na nossa defesa em tempos modernos - provou que é o homem certo para o serviço. No entanto, algumas falhas bobas, afobações, saídas de bola displicentes precisam ser arrumadas urgentemente.

Elneny - 7,0. A nota parece alta demais, mas é justa. O egípcio pouco jogou e cobriu um buraco grande no elenco quando ninguém esperava. Não comprometeu, mostrou garra e liderança na reta final da temporada.

Partey - 6,5. Assim como White, oscilou. Quando jogou bem, encarnou Patrick Vieira; porém aconteceu por breves momentos. Muitas lesões para alguém de tamanho porte físico, é a exemplo de Tierney, alguém que precisa se cuidar mais para estar em campo.

White - 6,5. Oscilou entre um grande defensor e falhas inocentes; saída de jogo foi sua principal característica, muitas vezes auxiliando o meio-de-campo. Precisa ser mais regular.

Arteta: 6,5. encontrou um caminho, formou melhor o time taticamente; entretanto, a liderança e forma de agir com grandes estrelas ainda é duvidosa e precisa ser provar - algo que não fez na temporada. Conduziu bem os meninos, mas na próxima temporada terá o desafio de lidar com jovens estrelas sedentas por disputar títulos - e precisa provar ser capaz (juntos a eles, claro) de fazer isso pelo Arsenal.

Tierney - 6,0. Bem quando em campo, mas pouco ficou nele. Precisa ter seu físico como foco, para que essa temporada não se repita e não deixe o time novamente na mão.

Xhaka - 6,0. Teve seus momentos clássicos, porém foi importante nesse ano. Infelizmente, tecnicamente não entregou tudo que sua função pedia, chegando à área com mais qualidade de passe final e finalização. 

Nketiah - 6,0. apesar da reta final participativa e dos gols como titular (dez no ano, entre PL e Copa da Liga), veio mal do banco durante todo o ano, nitidamente afetado pela falta de perspectiva na carreira como gunner.

Holding - 6,0. Excelente vindo do banco, para garantir vitórias apertadas; um pequeno desastre como titular. Um dos líderes do elenco, se mantiver a função de fechar jogos, seguirá útil.

Leno - 5,5. Outrora titular absoluto, perdeu o posto e se contentou em sair na próxima janela. A nota é por não comprometer e nem afetar elenco com insatisfações.

Lacazette - 5,5. deu suas assistências e foi fundamental na construção de padrão do time durante dois meses da temporada. Porém a escassez de gols pesa em sua nota, fator que foi preponderante para o fracasso da jornada à UCL.

Cedric - 5,5. Esforçado, bom de grupo, mas um jogador que não pode jogar mais de 20 partidas na Premier League. Foi mais utilizado do que desejávamos, comprometeu sim, mas aguentou a bomba melhor do que se esperava.

Lokonga - 4,5. Tem muito potencial, mas sentiu a pressão e ritmo de jogo da liga. Permanecendo no elenco ou sendo emprestado, num futuro breve pode se tornar ótimo jogador.

Nuno Tavares - 4,0. Sentiu a Premier League; talentoso, habilidoso, mas péssimo defensor e finalizador de jogadas (finalização ou passe final); um empréstimo seria ótimo para aprender a jogar futebol competitivo.

Pepe - 3,0. reforço mais caro da história e decepção em iguais proporções; tornou-se peça irrelevante no time e no elenco, e não fez diferença alguma na história da temporada; ou pior, atrapalhou o time muitas vezes. 

segunda-feira, 23 de maio de 2022

O caótico Arsenal de 2021/2022

É até complicado ter uma opinião formada sobre essa temporada, 2021/2022; altos e baixos, ilusões, frustrações, sonho com Champions e fim na Europa League.

Se nos perguntassem, após as três primeiras rodadas da Premier League, a expectativa era de - no máximo - manutenção do oitavo lugar. Reforços questionáveis, três derrotas dolorosas, projeto praticamente fracassado.

Ao longo da perna inicial da temporada, entretando, foi nascendo uma ilusão. Ramsdale se provou ótimo goleiro, a defesa acertou com Tomi/White/Magalhães/Tierney, Odegaard assumiu o protagonismo das ações, Saka pouco se abalou pelo resultado da Eurocopa e ESR e Martinelli foram de promessas a realidades, assumindo papéis relevantes na equipe.

No entanto, veio a questão Aubameyang - o desgaste do capitão do time, junto ao técnico Arteta, se alongou por meses e culminou na entrega, em bandeja de ouro, do gabonês ao Barcelona. 

Sem seu líder técnico e capitão - por mais que pouco exercesse a função, o ataque ficou carente de uma peça decisiva. Ao longo dos cinco meses seguintes, viu-se um revezamento entre Lacazette e Nketiah que, entre brilhos aqui e ali, não trouxe o poder de fogo que historicamente vemos no ataque gooner (Henry, Van Persie, etc).

Contratações tampouco foram feitas, preservando o dinheiro para o verão seguinte e confiando que o elenco, com apenas dezessete partidas pela frente, após o fechamento da janela, aguentaria o tranco.

Entretanto, sabidamente o elenco era mais curto do que parecia. 

Pepe nunca se tornou uma opção confiável, Lokonga sentiu o peso da liga em seu primeiro ano, assim como Nuno Tavares.

Tierney lesionou-se, assim como Partey. Peças que recorrentemente estão no DM e sem backup adequado. Ainda mais depois da lesão de Tomiyasu, o time se viu sem três titulares fundamentais para a caminhada rumo à Champions League.

Após cinco temporadas, parecia que daria certo. Aos trancos e barrancos, com Cedric, Nuno, Elneny e Nketiah, o time se manteve firme no quarto lugar. Perdeu para os dois contendores ao título, mas bateu West Ham e Chelsea fora de casa e triturou o United dentro de nossos domínios.

Entretanto, cedeu ao Tottenham, no jogo mais esperado da temporada. Nervosa, a equipe teve uma atuação ainda apática e o 3x0 ficou barato. Mesmo assim, dependia das próprias pernas...

E foi contra o Newcastle que o ano acabou; o time conseguiu uma atuação mais vergonhosa ainda que da semana anterior e foi amassado pelo novo rico da Premier League.

Todo mundo se iludiu - Arteta, elenco, torcida. 

Não terminamos num famigerado oitavo lugar, mas tampouco chegamos aonde tínhamos total condição de ter chegado. Acabamos voltando à Europa, mas no segundo escalão.

Talvez o escalão em que estamos hoje mesmo.

Edu e Arteta erraram muito ao longo do ano; diga-se de passagem que parece sim que há um projeto, uma reformulação, um caminho.

Todavia, a paciência está no limite. O Arsenal é grande, top three da Inglaterra historicamente, ao passo que é visto encolhendo e sendo julgado por muitos até fora de um top six.

Arteta recebeu a renovação e tem carta branca para continuar o projeto e construir um novo legado, inexistente desde o fim da Era Wenger.

Este verão é decisivo para saber o patamar de reforços que este projeto conseguirá alcançar. Há dinheiro, há discurso, mas há realidade em 2022/2023?

Fala-se em Gabriel Jesus, Tielemans, Hickey. Ainda temos Saliba, melhor zagueiro da Ligue 1, podendo retornar de empréstimo e se tornar peça-chave.

Arteta tem mais uma temporada para recolocar o Arsenal na UEFA Champions League ou acredito que teremos um novo rebuild pela frente em 2023/2024.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Até a pé nós iremos!

Quando deixou o Fortaleza, era clara a posição de Castro como um dos principais treinadores da América. Ao lado de Gallardo e Abel Ferreira, e mais de longe Bianchi e Telê Santana, poucos conseguiram tamanho status. Entre sondagens europeias ou de grandes seleções, o próximo passo (desejado) ainda era no Brasil. E as portas se abriram em mais um tricolor, agora gaúcho: o Grêmio Foot Ball Porto Alegrense.

Vestindo azul, branco e preto, com morada numa das arenas mais modernas do Brasil, Castro teria um orçamento generoso, tornando-o apto de montar um dos maiores times do país. 

Com tamanha oportunidade, as exigências também não seriam menores: se, no Fortaleza, campeonato nacional e Libertadores eram um sonho - aqui, no Grêmio, eram obrigação.

A carta branca para contratações jogou o "manager" Castro no mercado, e o clube agiu conforme seus movimentos. Foi montado um elenco qualificado, com excelentes opções, nomes fortes no mercado, como Everton Cebolinha, Calleri, Lucas Moura, Lucas Leiva e Fernandinho. 

Ainda, homens de confiança do antigo clube: o novo treinador do Fortaleza colocou à disposição todas as peças de confiança de Castro, os líderes do antigo vestiário. Pois bem, foram muito bem-vindos no novo projeto: Araruna, Walace e Moisés (todos por empréstimo).

Assim se formou o elenco do Grêmio, com: Romero e Martin Silva (goleiros); Araruna, Auro, Laxalt e Abner (laterais); Jailson, Cáceres, Vitão, Felipe e Aderlan (zagueiros); Fernandinho, Lucas Leiva (C), Wallace e Ansaldi (volantes); Moisés, Giuliano e Cueva (meias); Bruno Tabata, Everton, Lucas Moura e Pedro Rocha (alas); Calleri, William José e Pratto (atacantes).

O time logo tomou forma. Na pré-temporada, Leiva e Fernandinho demonstraram que a dupla de volantes, melhor em teoria no país, corresponderia na prática. Giuliano funcionou bem como meia-aberto, Everton e Moura se revezando como homens de velocidade. Moisés, veterano, jogando avançado em sua melhor temporada da carreira. E Calleri: toca nele que é gol - mais de um tento por partida, melhor média registrada no país em anos.

O campeonato brasileiro foi vencido com extrema facilidade, vindo o título com quatro rodadas de antecipação. 18 pontos à frente do vice, o time registrou 21 vitórias e 5 empates, tornando-se campeão invicto, igualando feito do rival Colorado, em 1979. Assustadores 93 gols feitos e apenas 12 sofridos. Calleri artilheiro com 20 gols. Moura, o melhor assistente com 14 passes para gol. E Romero, que teve 15 clean sheets em 20 partidas disputadas. Irretocável.

A Libertadores, com a humildade que não se prega, não foi diferente. Na primeira fase, 18/18 pontos. Depois, 5x0 agregado no Boca Juniors, 6x0 no Velez Sarsfield e 5x1 no Fortaleza - pelas semifinais. Doze vitórias em doze partidas.

O jogo mais difícil, claro, foi a final. Um primeiro tempo tenso, entre Grêmio e San Lorenzo, terminou 0x0. Em campo, o time titular bradado pelas ruas de Porto Alegre: Romero; Araruna, Jailson, Cáceres e Laxalt; Leiva, Fernandinho e Moisés; Everton, Giuliano e Calleri.

Com o artilheiro da Libertadores, Calleri (9 gols), muito bem marcado, espaços sobravam para os homens de trás. E assim, agora a Glória Eterna gremista chegou. Num espaço de dez minutos, Lucas Leiva encontrou Moisés duas vezes - e o meia, de nome bíblico, guardou as duas finalizações no fundo das redes. 2x0. Campeão da América!

E para levantar a taça, uma cria da base tricolor, Lucas Leiva - não só revelado pelo clube, mas atleta cuja história se mistura à gremista, desde aquela Batalha dos Aflitos há pouco mais de 18 anos.

A essa altura, além dos dois títulos, depreende-se que o time passou o ano de 2023 invicto - o clube não sabe o que é uma derrota sob o comando de Castro.

O palco está montado - o Grêmio se coloca como o time a ser derrotado, como o mais forte do país e da América. E 2024 promete ser igual... talvez reforçado, mais forte, seria esse Grêmio imbatível?

terça-feira, 26 de abril de 2022

A Glória Eterna

A segunda temporada em terras cearenses foi, com toda certeza, mais difícil que a primeira para o técnico Castro. Foi uma temporada de oscilações, tensão, polêmicas, irregularidade – apesar dos resultados fantásticos em campo e o lugar nos livros de história do futebol brasileiro.

Com o título nacional no ano anterior, 2022 se projetou como um ano de quase obrigação pelo bicampeonato e, também, do favoritismo à Copa Libertadores – mesmo sendo sua estreia na competição sul-americana.

Com mais recursos, a janela de janeiro (menos agitada em terras europeias) ajudou a fortalecer o elenco. Alguns jogadores com desempenho fraco saíram (Pituca, Douglas, Bambu, entre outros) e outros bons nomes retornaram ao Brasil, casos de David Luiz, Felipe Anderson, Paulinho e Leandro Damião como destaques.

As novas peças demoraram a encaixar – a engrenagem que rodava em 2021, com novos elementos, não parecia mais a mesma. Porém, mesmo jogando um futebol abaixo da expectativa, os resultados vinham, e o clube avançava na liga brasileira e na busca pela Glória Eterna da América.

O primero semestre ainda fora marcado por desentendimentos no vestiário e com a diretoria. Alexandre Pato criou várias indisposições (até culminar com sua liberação na janela seguinte) e a diretoria insistia por metas financeiras praticamente impossíveis de atingir - e manter um time competitivo ao mesmo tempo.

Mas com metade da temporada ultrapassada, que as coisas ficaram mais nebulosas. O desempenho notável em resultados no ano anterior chamou a atenção dos europeus, que vieram buscar recursos para fortalecer seus times; assim as saídas aumentaram no atacado, com os “gringos” levando o artilheiro Henrique Dourado (Holanda), Jaílson, Alexandre Pato e Brenner (Inglaterra), Pedro Rocha (Espanha) e mais alguns outros para ligas menores. 

Dentre todos esses, Jaílson fez a maior falta – a saída do camisa 5, coração da equipe, mutilou o sistema de recuperação de posse de bola, que levou quase 3 meses para reconfigurar ao estado de excelência da temporada anterior.

Por outro lado, com cofres cheios, mais brasileiros foram repatriados, e caras talentosos demais: Bernard (aquele), Joelinton e Matheus Pereira.

Os dois últimos, aliás, foram os grandes responsáveis por virar a chave ao final da temporada – após as oscilações pós-janela, assumiram a responsabilidade e seus gols garantiram as duas esperadas taças ao Leão do Pici. 

O ano avançou e apesar da estremecida relação com seus superiores, Castro conseguiu manter o vestiário blindado de todos os problemas e continuar remando adiante.

Pelo campeonato brasileiro, o time arrancou bem desde o início e liderou a tabela de ponta a ponta. Mesmo sem grandes atuações durante parte do torneio, a consistência em saber vencer jogos afastou Internacional e Grêmio – novamente os principais adversários – de qualquer chance. O título veio novamente na última rodada, em casa, diante do Goiás: 4x1, com dois gols de Damião e dois gols de Matheus Pereira. Num ano sem destaques individuais, sem artilharia, principal assistente ou goleiro menos vazado, os 59 pontos foram mero reflexo do coletivo.

E, no coletivo, também veio a Copa Libertadores. Num grupo de médio para difícil, o time se saiu muito bem, perdendo apenas uma partida para o Boca Juniors e classificando com 15 pontos. 

Mais que um golpe de sorte, o Fortaleza aprendeu em poucos jogos como disputar a taça – e a partir do mata-mata, aproveitar muito bem a primeira perna dos confrontos. Assim, bateu Barcelona nas oitavas (6x2 agregado), Del valle nas quartas (6x0) eGrêmio nas semifinais (7x2). 

A final, em jogo único e estádio neutro, foi contra o Racing Club, time tradicional argentino, que havia eliminado gigantes em seu caminho, entre Palmeiras e River Plate. Final de Libertadores contra um time argentino sempre tem sabor mais especial – imaginem ainda se, logo no início do jogo, um pênalti inexistente é marcado e você marca, né? Assim foi: de um modo quase sádico, um pênalti polêmico foi marcado e David Luiz converteu, logo aos cinco minutos de jogo. Isso abalou a equipe de Avellaneda, que atordoada e muita irritada, não se encontrou mais. Ainda no primeiro tempo, Felipe Anderson marcou mais duas vezes e decretou o caminho da glória. Um gol sofrido, já nos acréscimos, nada mudou o destino da partida e do novo rei do continente!

Nos holofotes da América, o nordeste brasileiro chegou ao auge agora também pelo futebol. O eixo revelador, por horas relegado ao sudeste, agora é o mais temido.

2 anos de Fortaleza, 2 anos de sol cearense, trabalho, luta e títulos. Um biênio de reestruturação do eixo do futebol brasileiro, dando olhos a um trabalho de anos, que passou por Ceni, Vojvoda e chegou a Castro.

75 jogos, 57 vitórias, 12 empates e 6 derrotas. 180 gols marcados e 52 sofridos. 

A maior goleada foi em cima do Santos, 8x1. Exatamente um mês depois da maior goleada sofrida, 1x4 contra o Galo.

Com um trabalho plantado e com objetivos colhidos, somado à tensão com superiores, nada mais justo e cabível que buscar novos desafios, reinventar-se e tentar semear a filosofia num novo estado, numa nova camisa.

Obrigado, Fortaleza! Vocês alcançaram a Glória Eterna! Nós alcançamos a Glória Eterna!

O Leão do Pici é o maior da América!

quinta-feira, 24 de março de 2022

Leão do Pici: É aquele mesmo!

A mais recente missão do técnico Ricardo de Castro foi no Brasil. Num ano atípico, com apenas 14 equipes na competição, a equipe da vez foi o Fortaleza Esporte Clube, para disputa do campeonato nacional.

Mesmo com um retrospecto interessante em temporadas anteriores, o propósito era reconstruir 100% do elenco e se tornar um contendor definitivo ao título nacional.

A grande limitação era não ter nomes atuando em terras brasileiras à disposição; assim, a solução foi buscar atletas brasileiros atuando mundo afora – e sem verbas muito altas, ser criativo desde jovens promessas a veteranos em fim de carreira. Jogadores que, no debate de bar, é o famoso “aquele fulano?” ou “aquele beltrano?”.

Tricolor de Aço, já centenário, vinha dando sinais de recuperação desde o brilhante trabalho de Rogério Ceni até a conquista da vaga na Libertadores sob comando de Vojvoda. Assim, Castro reconstruiria o elenco - por necessidade - mas sob um padrão de jogo já marcante, uma estrutura já qualificada. 

A torcida desde o início sentira o estranhamento, já que dois ídolos haviam ocupado a vaga no banco de reservas. Entretanto, o tempo e o futuro criaram espaço para que Castro se unisse ao panteão ocupado pelos treinadores anteriores.

Antes até de falar da campanha, vale então irmos ao elenco de 24 jogadores que representaram o Leão do Pici no campeonato brasileiro de 2021. Apresentaremos por: nome (passagem mais marcante).

Goleiros: Denis (São Paulo), Marcelo Grohe (Grêmio) e Renan Ribeiro (São Paulo).

Laterais: Douglas (Barcelona), Araruna (São Paulo), Carlos Augusto (Corinthians) e Gabriel Silva (Palmeiras).

Zagueiros: Danilo (Palmeiras), Bambu (Athletico-PR), Kal (América-MG) e Cássio (Juventus-SP).

Meias: Jaílson (Palmeiras), Pituca (Santos), Moisés (Palmeiras), Júnior Uso (Corinthians), Wallace (Grêmio) e Lucas Fernandes (São Paulo).

Atacantes: Pedro Rocha (Juventus-SP), Brenner (São Paulo), Fernandinho (São Paulo), Talles Magno (Vasco da Gama), Ewandro (São Paulo), Henrique Dourado (Fluminense) e Pato (Milan).

Pato? Sim, aqueeeele Alexandre Pato!

É uma lista de medalhões, e você deve estar se perguntando se Douglas é aquele mesmo? Ou se Danilo é aquele zagueiro mesmo! E sim, a resposta é: eles mesmo!

O elenco heterogêneo teve tempo para se encontrar - com os nomes definidos até 31/01 e a competição iniciando-se apenas em abril, o time teve quase 3 meses para pegar entrosamento, o suficiente para brigar desde o início pelo topo.

Com destaques individuais para Danilo, Araruna, Júnior Urso e Henrique Dourado, o time priorizou a defesa, tomar poucos gols até que o ataque conquistasse confiança para ser o alicerce dos placares.

Mesmo não sendo a melhor defesa em números, o Fortaleza ficou abaixo da média de 1 gol sofrido por jogo; ao passo que o ataque ficou com 2,5 por partida.

A disputa contra o Internacional foi ponto a ponto, do início ao fim. Entre trocas de liderança - foram inúmeras - apenas os clubes de Ceará e Rio Grande do Sul chegaram firmes mesmo até o último dia.

E, curiosamente, o último dia foi em seu próprio estado - mas no estádio do Vozão, seu maior rival. Contra o Ceará, um empate por 1x1 garantiu o 58° ponto em 26 jogos - um a mais que o Inter, que terminou com 57.

Um título extremamente festejado, do qual Castro carrega a coroa mas compartilha os méritos com aqueles que construíram essa história.

O Fortaleza não era de Castro apenas. Era da torcida apaixonada que lotou o Castelão nos 13 jogos em casa. Era de Araruna, principal garçom do campeonato (9 passes decisivos), da revelação Carlos Augusto, da dupla fantástica Jaílson/Júnior Uso, de Fernandinho a brilhar nos momentos mais difíceis.

Criou-se uma conexão, algo além das quatro linhas.

Emoção ao longo do ano, que coroou um artilheiro nacional - Henrique Dourado (22 gols), mas também propiciou um gol de goleiro (Dênis, na derrota por 4x3 contra o América-MG fora de casa). Bolas salvas em cima da linha, carrinhos demonstrando raça, festa nos alambrados ao final de cada vitória.

Pro Leão, o Brasil é presente! Agora, além disso, buscar-se-á "A Glória Eterna"

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Arsenal: a frustrante janela de inverno

No dia 02/09/2021, este blog publicou um texto sobre a pequenez do Arsenal na gestão de Arteta e Edu Gaspar. E, sim, admitimos que o texto foi escrito na base do ódio. A insistência no novo projeto, cujas metas não são claras, dava sinais de estafa na apaixonada torcida. O início sofrendo três derrotas consecutivas, os improvisos e as aparências de que tudo está bem...

A temporada foi rolando, o time se encontrando com um "back four" consistente, um goleiro em ótima fase, e os meninos brilhando no ataque. A escalada na tabela nos levou a claras chances de classificação para a próxima UCL.

O mês de dezembro, apesar do início com duas derrotas, trouxe goleadas e um ótimo futebol - a partida contra o West Ham foi brilhante. 

Janeiro começou com um revés diante do City, apesar da excelente atuação - com impacto feroz da parcial arbitragem.

E depois... derrocada abaixo. Eliminações nas duas copas, perda de pontos contra último colocado da PL... e apenas 1 gol marcado - justamente contra o City, em 01/01/2022.

O caso Aubameyang já se indicava irreversível; a CAN "roubou" Partey, Elneny, Pepe; Xhaka expulso no jogo de ida contra o Liverpool - e as opções de meio-campo limitadas ao jovem Lokonga.

Mas o inocente torcedor esperava uma janela agressiva no inverno - associações a  Vlahovic, Bruno Guimarães, Arthur... nada, absolutamente nada. Pelo contrário, o Arsenal foi desdenhado por atletas e clubes - Guimarães ironiza o interesse do Arsenal em sua apresentação; Vlahovic disse que jamais considerou o norte de Londres como sua futura residência.

Claro, foi sim positivo se livrar de encostos do elenco: Kolasinac, Chambers... e até Auba, cedido gratuitamente ao Barcelona, gerando economias acumuladas de 500 mil libras semanais em salários.

A desculpa que se ouve na Inglaterra é que a missão era acabar a renovação do elenco e, aí sim, lutar por coisas maiores em 2022/2023. Havia muita coisa ligada à Wenger e à Emery... e Arteta sempre disse que queria um elenco formado por ele. E sem torneios internacionais nem copas, entende-se que o atual grupo de atletas aguenta os 17 jogos restantes da temporada.

Hoje, há menos de 20 jogadores profissionais registrados - sendo que alguns certamente sairão no verão, insatisfeitos ou em fim de contrato - como Leno, Laca e Nketiah.

A torcida entrou no inverno com o sonho concreto de Champions League; a projeção atual, todavia, é de sexto ou sétimo lugar. Manchester vem se acertando com Rangnick, Conte vai levar o Tottenham a voos mais altos, e até o West Ham parece sólido o suficiente para deixar os Gunners para trás.

Eu entendo, hoje, um pouco do projeto. Mas não entendo como é possível abrir mão esportivamente de mais um ano em função de algo que não está claro pra ninguém - talvez nem pra eles. A grandeza do Arsenal exige que a reformulação seja trabalhada no mínimo em paralelo - o mínimo de competência pede isso. E competência é a maior lacuna de Edu Gaspar.

22/05/2022 o ano acaba, em partida contra o Everton, no Emirates. Depois disso, veremos o saldo de todo esse "planejamento".

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Entre furacões: who dat?

Entre 23 de agosto e 31 de agosto de 2005, o furacão Katrina devastou a Luisiana, acumulando mortes, destruição e desabrigados, ficando até o estádio local (Superdome) como ponto de resgate, abrigo e lar dos mais desamparados, cerca de 30 mil contabilizados.

Já em 2021, entre o final do mês de agosto e início de setembro, o Furacão Ida atravessou o mesmo estado da Luisiana, deixando estragos e desabrigados.

Foram 16 anos separando tais eventos, eternamente marcados nos moradores de Luisiana, especialmente de uma das suas principais cidades - New Orleans.

Ironicamente, no mesmo intervalo de 16 anos, entre 2006 e 2021, o time de futebol americano da cidade, os Saints, tiveram o icônico Drew Brees vestindo a camisa 9 - liderando a liga em diversas estatísticas e construindo uma história jamais vista nos esportes locais.

Claro que tudo renasceu, nesse intervalo, com aquele punt bloqueado por Steve Gleason em 2006, no retorno do time ao seu lar - ali, nascera algo especial em New Orleans.

E, claro também, que a conquista do Superbowl, em 2009, celebrou o primeiro e único título da apaixonada franquia, após tudo que passaram.

Mas a realidade foi uma "entre furacões".

Brees veio e saiu, os ventos trouxeram e levaram algo da cidade além de caos e passes perfeitos.

Em 2021, sonhar com o SuperBowl LVI seria demais, até para o mais esperançoso torcedor do New Orleans Saints. 

Por isso, a campanha nesta temporada, apesar de terminar fora de playoffs, já é motivo de muito orgulho à franquia e a sua torcida.

>>> Ida tirou o elenco de alguns mandos de campo e seu local de treinamento...

>>> Brees se aposentou...

>>> A engenharia financeira para entrar no cap space de salários manteve alguns nomes importantes no elenco, mas permitiu a saída de talentos incríveis, como Trey Hendrickson, Morstead, Jenkins e Sanders. Daqueles que ficaram, absolutamente todos reestruturaram seus contratos..

>>> Jameis Winston, escolhido como QB1, e que mantinha campanha 5-2 no ano, lesionou o joelho e se tornou desfalque por toda a temporada. Hill e Siemian (QB2 e QB3) se revezaram, com baixo nível de jogo, por nove partidas; por fim, Ian Book (calouro, QB4) jogou de titular contra os Dolphins, numa dura derrota...

>>> 22 atletas estiveram fora diante desses Dolphins, pelo protocolo de COVID-19...

>>> Michael Thomas, um dos principais e mais bem pagos recebedores da NFL, não jogou um snap com lesão grave no tornozelo. Assim também foi com Wil Lutz, kicker do time há 5 temporadas, lesionado...

Com tudo isso, a campanha foi positiva (9-8). Sean Payton e staff foram absolutamente incríveis na condução dessa temporada. 

A defesa foi uma das mais dominantes e com energia da Liga. Jordan, Demarius, CJ Gardner, Lattimore e todos os outros foram os responsáveis pela campanha positiva - sob instruções do competente Denins Allen. Por outro lado, o ataque, um dos piores do ano, teve em Alvin Kamara sua única peça inquestionável.

Entre furacões, com todas vitórias, derrotas e muitas polêmicas (né, Sean Payton), New Orleans consolidou-se como uma franquia respeitada, que acumulou títulos de divisão e um SuperBowl. Antes do Katrina, os Saints não passavam de uma piada, saco de pancadas. Agora, depois do Ida, a missão é mostrar ao mundo do futebol americano do que New Orleans foi forjada.

Como não sonhar? Rumo ao SuperBowl LVII. Who Dat!?

sábado, 25 de dezembro de 2021

Aos heróis de 04/05/1949 | A tríplice coroa

Vai além do grená no escudo e na camisa; vai além da relação latente com o clube que amo. O Torino é uma força que renasceu após a Tragédia de Superga, reforçando laços entre camisa e cidade de Turim. Uma vez maior da Itália, pentacampeão nacional, base absoluta da seleção azzura... encerrado num desastre que culminou com a perda de todos os seus atletas, do Grande Torino

Renasceu parcialmente - por mais que esteja ainda na elite, o Torino não passa de uma força periférica. Naquela década de 1940, dominava o país da bota e não dominava a Europa apenas por ausência de uma competição integrada - assim, vivia de excursões, demonstrando o melhor futebol do planeta continente afora, o futebol em pleno estado de arte.

De uma das excursões veio a tragédia, que pôs o ponto final na linda jornada.

O Torino desde então vive altos e baixos em sua história, vendo a irmã Juventus dominar as vitórias nacionais e sua relevância ficar às sombras. Então, como uma homenagem, vamos de "quatro de maio de mil novecentos e quarenta e nove", duas temporadas jogadas em homenagem aos heróis grenás.

Nas temporadas abaixo, o espírito de Valentino Mazzola esteve no coração de Andrea Belotti. Ambos atacantes, ambos capitães, ambos ídolos incontestáveis da torcida granata e ambos preteridos por sua seleção. Assim como a Basílica de Superga foi reconstruída e segue firme, a reconstrução agora é sólida como os novos muros que mantém erguida a tradicional igreja de Turim.

2020/2021...

O primeiro ano foi de plantação - seria ousado demais imaginar que um clube de tabela média-baixa, com eventuais riscos de rebaixamento, bateriam de frente com os atuais gigantes. Juventus, Inter, Milan, Napoli, Roma, Lazio, Atalanta... todos hoje são mais fortes que o clube grená.

Todavia isso não foi limite para Castro e companhia. Investindo num sistema defensivo forte e na manutenção da posse de bola, o Torino aconteceu. Não o bastante para celebrar títulos, mas o suficiente para se recolocar numa prateleira mais alta.

Dói a perda do campeonato, na penúltima rodada, justamente para a Juventus. E ainda por míseros 3 pontos, desperdiçados na reta final da competição: ao longo de 38 rodadas do Calcio, 84 x 87 pontos da Vecchia Signora.

O segundo melhor ataque da competição (70) e terceira melhor defesa (32) mostraram que o caminho é correto, mas ainda falta algo.

Pelo Coppa da Itália, um relevante 0x4 perante a Lazio deixou o time cabisbaixo ao meio da temporada, mas também colaborou para se concentrar e chegar ao vice-campeonato nacional já mencionado.

E à medida necessária, na dificuldade, que se criaram os novos heróis. Andrea Belotti foi capitão no ano e conquistou prêmios individuais da artilharia e passes para gol (21 e 13, respectivamente) no Calcio. Salvatore Sirigu foi o goleiro menos vazado, protegendo perfeitamente sua meta em 19 das 38 - todas - partidas disputadas.

Diferente do histórico time, ofensivo por natureza e destacado sempre por isso, esse Torino teve lastro defensivo mais forte. Num 5-4-1, evitando exposição, passou 23/45 jogos no ano sem sofrer gols, empatando 20% de todas as partidas.

Com Sirigu na meta, a linha defensiva tinha Nuno Mendes, Tomiyasu, Nkoulou, Lyanco e Rodriguez. Três volantes: Rincon, Meite e Lokonga. Verdi ou Zaniolo na armação e Belotti no comando de ataque.

Rincon, na verdade, foi uma peça fundamental para o balanço da equipe. Boa parte das partidas ruins na temporada aconteceram na ausência do camisa 8, já veterano.

A defesa teve alguns lapsos, mas no geral, muito firme. E o ataque careceu de criatividade, algo que deveria mudar para o ano seguinte.

Como dito, uma temporada de plantação. A colheita viria na próxima.

Mazzola... "Quando se fala em Grande Torino, o primeiro nome que vem à cabeça é Valentino Mazzola. Atacante símbolo e capitão daquela equipe, ele foi um dos maiores jogadores da história do futebol italiano, capaz de carregar um time inteiro em suas costas, como bem definiu anos mais tarde o técnico Enzo Bearzot. Um atleta especial, que conhecia muito de tática e, assim como outros que elevaram o nível do Torino, tinha grande preocupação com a preparação física. Além disso, era muito passional e extravasava como um torcedor nas vitórias e derrotas. Assim, não demorou para ganhar o coração da torcida granata. O escritor Gian Paolo Ormezzano costumava dizer que ele era a personificação do Toro." (Texto adaptado de Calciopedia)

2021/2022...

Ah, o doce sabor da tríplice coroa! Coppa Itália, Calcio e Champions League, que ano!

O saldo de aprendizado com os erros na temporada anterior foi fundamental para o novo ano; porém, o saldo financeiro foi que permitiu uma equiparação leal aos principais concorrentes.

E tudo começou com um golpe forte: Giorgio Chiellini, ídolo da Juventus, fechou por duas temporadas com o arquirival Torino. Uma aula de bastidores que trouxe à memória a vinda do eterno Gabetto, um dos maiores ídolos de ambas torcidas e que migrou da Vecchia Segnora ao Toro. 

Com as novas possibilidades, desembarcaram, no lado grená de Turim, nomes como Pavard, Tonali, Tchouameni, Berardi e Vlahovic. Nomes que tranquilamente poderiam reforçar os gigantes italianos ou até mesmo da Premier League ou La Liga.

O Calcio, como sempre, fora disputadíssimo. Permanecendo entre 3° e 6° lugar durante todo o primeiro turno, o segundo foi de arrancada e consequente título na 37ª rodada, em casa contra a Inter. Mantendo uma estabilidade enorme, o time conquistou 87 pontos, com 91 gols feitos e apenas 26 sofridos.

Pela Coppa Itália, numa jornada de apenas cinco jogos, a final foi contra a algoz Lazio - time que os eliminara no ano seguinte. E o troco veio exatamente como necessário: 4x0 na final, todos gols marcados ainda na primeira etapa.

Na Champions League, por sua vez, que o Torino foi tratado como zebra. Na fase de grupos, considerado a terceira força (atrás de Real Madrid e Arsenal), o time conquistou a primeira posição - incluindo uma belíssima vitória em pleno Santiago Bernabeu na rodada de estreia. E a liderança permitiu que o clube mandasse todos os jogos de volta em sua casa. 

Apesar das duas vitórias por 2x1 contra o Tottenham, em jogos muitos disputados pelas oitavas, foi nas quartas-de-final que o time definitivamente se encontrou: nos dois jogos contra o Bayern, do então artilheiro da competição (Lewandowski), duas vitórias por 2x0 - em ambas partidas, com atuações magníficas do sistema defensivo, dobrando em todas as marcações e não permitindo um único chute do atacante polonês.

Mesmo passando pelo principal time europeu do momento, o duelo das semifinais foi considerado o embate entre zebras - Torino x Real Sociedad. Os dois times, de médio porte, já eram os principais expoentes de seus países na temporada. Entretanto, o time italiano se sentia favorito e, no agregado, conseguiu o placar de 3 x 2. 

Chegando à final, no Wanda Metropolitano, o último desafio do ano era contra o poderoso Manchester City. Favorito nas casas de apostas, o time de Guardiola desde o primeiro minuto acampou no campo de defesa italiano, sempre com sete ou oito jogadores no último terço do campo; porém o time grená estava preparado, estudou muito o adversário: com triangulações rápidas, sobretudo de Tonali e os três homens da frente, o placar foi aberto com 7' de jogo - e o 2x0 chegou antes dos 20'. Mesmo com Aguero descontando, o time manteve o ritmo e a dedicação, alcançando o fatal 4x1 (Berardi, Belotti, Nkoulou e Zaniolo). 

Uma temporada perfeita, perfeita. Uma tríplice coroa das mais merecidas da história.

O sistema defensivo já era visto na mídia como um dos mais memoráveis da história recente italiana, quase revolucionário na ocupação de espaços. Chiellini e Nkoulou tiveram uma temporada absolutamente irrepreensível, que seria elogiada pelo eterno Rigamonti, principal defensor daquele granata; o ataque posicional, explorando as melhores características de seus atletas, fez das triangulações, ultrapassagens e capacidade de finalização, características como as de Loik, Gabetto e Mazzola, o ataque fulminante que fez jus àqueles da década de 1940 - agora com Zaniolo, Berardi e Belotti.

Foram 61 partidas na temporada, com 136 gols e 41 apenas tomados.

Individualmente, Sirigu conseguiu 34 clean sheets em 58 partidas disputadas.

Para Belotti, um capítulo à parte: artilheiro e assistente do Calcio (28 gols e 16 assistências), Coppa Itália (4 e 5, respectivamente) e também da Champions (9 e 5, respectivamente). Ou seja, sua tríplice coroa particular.

Se ambos são aqui exaltados, o time-base precisa ser apresentado: Sirigu; Tomiyasu, Pavard (Lyanco), Nkoulou, Chiellini e Rodriguez; Meite, Tonali, Zaniolo e Berardi; Belotti.

Ansaldi e Rincon, em temporada de aposentadoria, foram fundamentais à rotação do elenco. Assim como Nuno Tavares, Nuno Mendes, Verdi, Bremer, Lokonga, De Ketelaere e tantos mais.

Com a tríplice coroa, a carreira no Torino está completa, a missão está executada: exaltar e eternizar o legado daqueles que fizeram do clube grená de Turim um dos mais inesquecíveis da história. Aos heróis de 1949, muito obrigado!