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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Bari: o inédito scudetto e a festa no sul da bota (Capítulo 2)

Campeão da Copa Itália e vice-campeão da segunda divisão, o Bari chegava com pinta de time de meio a alto de tabela no Calcio. As casas de apostas colocavam o time entre a 7ª e 9ª colocação, atrás dos gigantes Juventus, Inter e Milan e da prateleira de Napoli, Atalanta, Roma e Lazio.

A Juventus ostentava o título e a Inter o vice-campeonato - ambos, porém, já batidos pelo Bari na temporada anterior.

A pré-temporada foi de ajuste de elenco. Muitos aposentados, saídas e reforços necessários. Vrsaliko (Bayern), Vega (Atleti) e Antuna (PSV) foram alguns do nomes que conseguiram novos e bons contratos fora do país. 

Chegaram Raspadori e Locatelli (ambos rebaixados com o Sassuolo e, portanto, oportunidades de mercado), Romagnoli, Scalvini, Florenzi, Spinazzola, entre outros. Ainda, um cara dos mais experientes disponíveis no mercado, Angel Dí Maria, recém-campeão com a Argentina.

Raspadori, aliás, foi o caso mais triste: começou bem a carreira no clube, mas lesionou o LCA do joelho e ficou sete meses afastado do time - assim como Fiore, promessa da base, com a mesma contusão - e retornou apenas em abril, completando 12 jogos no ano.

Num modo de fazer caixa, umas das missões como gestor, foi a atenção dada a base, que começou a reverter em lucro, com ótimas vendas para times do exterior.

No campo, Castro manteve o 5-4-1 vitorioso no ano anterior, priorizando a solidez defensiva da equipe. A base foi formada por Sirigu; Florenzi, Vicari, Romagnoli, Terranova e Udogie; Amrabat, Miretti, Ounahi e Locatelli; Belotti. 

A base ainda fora privilegiada, mas como complemento ao elenco, sobretudo nas figuras de Gallo (33 partidas) e Jelavic (24 partidas). Como referência, o recordista em jogos no ano foi dividido entre Miretti e Scalvini, com 54 partidas cada.

Mas e na bola, o ano foi bom? O ano foi maravilhoso! 4 torneios e 4 títulos.

O primeiro foi o título da Supercopa italiana: 2x1 sobre a Juventus, atual detentora do Calcio.

Depois, o bicampeonato da Copa Itália: um novo 2x1 sobre a Juventus, praticamente fechando a temporada como ela começou. Na jornada, que começou com um 3x0 sobre o Cagliari, ainda teve: Modena (4x0), Inter (2x0), Lazio (3x1) e Milan (5x2). Ou seja, pela lista, chancela de merecimento total.

No Calcio, um duro começo mas uma recuperação breve e franca; a liderança chegou na décima rodada, contra o Parma - time que tirara o título de nossas mãos há poucos meses e acabaria rebaixado de volta à série B. Após isso, oscilação pequena entre o primeiro e o segundo lugar. O grande pilar do título foi certamente a defesa, com apenas 22 gols sofridos e um destaque enorme para o capitão Terranova, que assumiu a faixa deixada por Di Cesare. O ataque marcou 73 gols, liderados por Belotti (21 tentos). Ao todo, 26 vitórias, 6 empates e 6 derrotas - 84 pontos, contra 81 marcados pela Inter. O scudetto é do Bari!

E, por fim, o título europeu: na concorrida Liga Europa. O Bari sofreu para se classificar na fase de grupos, com 9 pontos contra 8 do Genk. Na liderança, o Tottenham com 16. Claro que o fato de ter jogado com o time da base pesa, mas apesar das dificuldades, a missão era avançar ao mata-mata. E como esse time sabe jogar torneios assim! Rangers (3x0), Atalanta (4x2) e Bilbao (4x1) ficaram pelo caminho. Nas semifinais, o Spurs: e mais um 3x0 no agregado, com classificação em plena Londres. Na final, contra o tradicional Benfica, em jogo único, 3x0 - com hat-trick de Andrea Belotti!

Esses 3 gols na final, inclusive, significam história: Belotti entrara na partida com 70 gols na camisa do Bari, recorde histórico empatado com Luigi Bretti (1950-52). Assim, o hat-trick isolou o italiano como maior artilheiro da história do clube.

Foi um ano mágico para o torcedor do Bari, para toda a agremiação, na verdade. O clube chegou ao seu auge, seja em território nacional ou europeu. O San Nicola nunca havia sentido o clima de vitória, nem em seus 33 anos de existência, tampouco em 115 anos de história do clube.

Claro que, uma vez no topo, a ideia é se manter - e se sabe que isso é a parte mais difícil. Um eventual bicampeonato italiano como avançar na Champions League é um sonho, mas talvez extremamente concreto de buscar.

Assim, contrariando a dinâmica de carreira de Castro, que permanece no máximo 2 anos em cada equipe, anuncie-se: Castro vai para sua terceira temporada com o time da família!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Bari: A ressurreição (Capítulo 1)

Com origens na cidade de Bari, Castro já havia treinado a equipe no passado. Há 7 anos, seu time fracassou na tentativa de subir para o Calcio - e Castro fora demitido com 42 jogos disputados na segunda divisão, um 8º lugar com 69 pontos (1,64 pp), 61 gols feitos (1,45 pp) e 43 sofridos (1,02 pp). A péssima defesa, que era liderada por Di Cesare, foi o maior alvo das críticas.

Quase uma década então depois, uma nova tentativa. E com o mesmo líder de elenco: Di Cesare.

Fundado em 1908, o clube tem longa história de rebatizados e falência. Na sua última crise, rebaixado para a quarta divisão, foi adquirido pelo grupo controlador do Napoli - como uma forma de aumentar o poderio dos times do sul da Itália, tão subvalorizados historicamente.

Os Galletti ou Biancorossi ocupam um estádio projetado por um dos maiores arquitetos do mundo (Renzo Piano), com capacidade para mais de 58.000 pessoas - o lugar em que o clube deveria estar, portanto, é muito maior do que a crise vivida há décadas.

Por isso, Castro - que se provou em tantos clubes após o fracasso na cidade - tinha seu retorno festejado - era a sinalização de retomar a centralidade para o sul da bota e jogar os holofotes sobre o velho galo.

Objetivo em duas temporadas? Acesso no primeiro ano e consolidação entre os dez maiores do país em seu segundo ano.

E assim começou a jornada do SSC Bari, na segunda divisão italiana.

Tudo começou, como de prática na Itália para times da segunda divisão, com um jogo de copa. Sofrido, contra um adversário de divisão - Reggina, o Bari avançou apenas nos pênaltis (3x2) após empate no tempo normal (1x1), em jornada inspirada de Sirigu.

A Copa era a grande chance do Bari de mostrar a cara deste novo projeto - e Castro levou a sério. Na sequência, Perugia (1x0) e Spal (4x1) caíram para o time do sul da bota. E, nas oitavas, o primeiro grande desafio: Atalanta - num jogo muito parelho, 3x1 para o Bari e muita festa! Nas quartas-de-final, 3x0 sobre o Verona e mais uma fase avançada.

Aí chegaram as semifinais, talvez a posição mais "underdog" até aqui: o Bari recebeu a gigante Juventus, que levara seu time reserva para massacrar o pequeno clube. Entretanto, com gols de Amrabat e De Sciglio (contra), o placar final de 2x1 levou ao êxtase a empolgada torcida sulista. Na volta, com ares de superioridade, a Juventus entrou em campo com a mesma arrogância e sofreu o grande revés do ano: 4x1 em pleno Allianz.

A final, contra a Inter no Estádio Olímpico, parou o país. Além do apoio dos milanistas, o Bari tinha todo o resto da Itália em sua torcida. E Castro foi muito ousado: lançou a estreia de Renato Teixeira, garoto brasileiro da base, como titular. 

Na linha tênue entre maluquice e genialidade, a decisão se provou espetacular: 2x1 com gols do menino, para tornar o Bari campeão da Copa Itália!

A atenção chamada de todo o país, pelo título, todavia já tinha faíscas na disputada segunda divisão: cabeça a cebeça, o time acabou ficando como vice-campeão, com acesso garantido, mas batido pelo Parma na última rodada: 81 pontos para cada lado, porém com o time amarelo e azul vencendo pelo confronto direto (1x2).

O Bari chegou a assumir a liderança, apesar do início muito difícil na competição, justamente em vitória sobre o Parma - pela 33ª rodada, com gol de Mendoza. Entretanto, o time empatou na rodada seguinte, deixou escapar a liderança e assim o torneio chegou ao fim.

Mas devem ser destacados os números dessa equipe: foram 76 gols feitos, melhor marca da competição - e apenas 17 sofridos, disparado aqui melhor marca. Ao todo, 24 vitórias, 9 empates e 5 derrotas.

Individualmente, Belotti foi o grande nome do torneio, marcando 32 gols em 33 partidas disputadas; Vrsaliko e Vega foram os principais passadores, com 10 assistências cada um; e, por fim, Sirigu obteve a impressionante marca de 22 clean sheets.

O clube, assim, chega a um novo nível na sua história. Remonta à primeira divisão, o Calcio. É campeão da Copa e, consequentemente, ganha a vaga na Europa League, algo que não era sonhado nem nos melhores planos de Casrto.

Os holofotes, discretamente, apontam para o sul da Itália, pro calcanhar da bota. Mais precisamente, destaca-se o farol que ilumina o mar adriático, chamando a atenção para o fenômeno que está acontecendo na tímida cidade de Bari.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Paulista A2 - 5ª a 7ª rodada

Três dias depois de bater o Noroeste, em Bauru, o time juventino seguiu em excursão - agora em Piracicaba, para enfrentar o tradicional XV. Com a formação clássica para jogos fora de casa, o time se fechou com a trinca de volantes (Adilson, Jeferson e Betinho) e ficou no aguardo de contra-ataques. Com poucas oportunidades, a solução foi abusar da experiência defensiva e sair com o empate - graças a André Dias, melhor em campo, o 0x0 acabou sendo um ótimo resultado para voltar de viagem.

Já em casa, o Juventus era favorito para bater o São Caetano, até então na zona de rebaixamento. Entretanto, a postura do time não foi das mais felizes. Numa quarta-feira de pouco público, o time não soube concluir oportunidades em gol, desperdiçando chances com Bruno Moraes, Jair e cia. Sorte do Azulão, que marcou seu gol aos 36' em saída em falso do goleiro André Dias. Contra uma defesa conhecida, com jogadores como Thiaguinho, Paulo Henrique e Pablo, nem com Ito Roque lançando mão de todos seus jogadores ofensivos de reserva, tornou-se o suficiente para ao menos empatar a partida. 0x1 e três pontos jogados no lixo.

A grande preocupação com a derrota era o jogo seguinte - contra a poderosa Ponte Preta, em Campinas. Maior orçamento da divisão, a macaca vinha de derrota e louca pra atropelar o moleque travesso - entretanto, com uma postura admirável, o Juventus soube se impor no jogo e bater de frente durante os noventa minutos. O Juventus ficou na frente do placar por dois momentos, mas após intensa pressão campineira, não sustentou a vitória e acabou no 2x2. Destaque para o segundo gol de Bruno Moraes, mas não só para sua frieza na finalização, como também para o passe preciso de Cesinha. O garoto revelado na base juventina rodou o mercado, foi um dos grandes jogadores recentes da arquirrival Portuguesa, porém retornou ao clube, reestrando nesta partida e fazendo jus a melhor em campo.

Serviço: com 10 pontos em 7 partidas, a equipe juventina volta a campo contra o Comercial, nesta quarta (08/02), na Rua Javari. O moleque defende a oitava colocação, que hoje garantiria vaga ao mata-mata. O Comercial, por outro lado, tem 8 pontos e se posiciona na 11ª colocação atualmente. Após ótimo início, Ito Roque nos entregou 6 pontos nos últimos 15 disputados - apesar da fase morna, a vitória poderia ascender o Juventus ao "Top 4" da tabela e se afastar um pouco da zona de maior conflito.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Paulista A2 - 2ª a 4ª rodada

Após a estreia vitoriosa, o time do Juventus fez 3 jogos no intervalo de uma semana: Linense fora, Primavera em casa e Noroeste fora, este na última quarta-feira. E, num campeonato tão disputado, encerra a sequência com 5 pontos conquistados – somando, no total, 8 dentro da competição e conferindo o quarto lugar na tabela.

Diante do Elefante, o time da Mooca saiu no 0x0, em partida que teve oportunidade clara de vitória nos pés de Maikinho. Repetindo a formação tática da estreia, o ponto conquistado era o previsto nos planos dos visitantes. 0x0 e + 1 ponto.

O que não era previsto, entretanto, era um tropeço em casa diante do Primavera. Apesar do ótimo início do time de Indaiatuba na competição, o moleque travesso começou o jogo forte e marcou rapidamente com Bruno Moraes, nosso camisa 9. O jogo estava sob controle, com a defesa firme, sobretudo na figura de Gilberto Alemão. Porém, numa expulsão contestável de Maikinho, o Juventus teve de passar praticamente toda a segunda etapa com um homem a menos, custando assim um gol dos visitantes e o triste empate. 1x1 e + 1 ponto.

Assim, a visita a Bauru, para encarar o Noroeste, tinha a missão de talvez recuperar os pontos deixados em casa. Contra o time do experiente Luiz Carlos Martins, Ito Roque lançou mão de uma formação mais conservadora, com 3 volantes (entrada de Betinho, ao lado de Jeferson e Adilson). E deu certo! Com dois pênaltis na primeira etapa, o general Bruno marcou aos 20’ e aos 40’ – sendo o primeiro gol em rebote do goleiro. Na segunda etapa, administrando o jogo, Jeferson mostrou mais uma vez como pisa bastante e bem dentro da área, ampliando o placar e garantindo a vitória. 3x0 e + 3 pontos.

Serviço: a excursão ao interior segue, com o duelo da quinta rodada diante do XV de Piracicaba, dia 28/01, no Barão da Serra Negra. No momento, o Juventus ocupa o 4° posto, com 8 pontos contra o 9° colocado XV, com 5 pontos na tabela. Apesar do possível retorno de Maikinho, a probabilidade é de seguir com a escalação que bateu o Norusca, ontem, no dia de aniversário da cidade de São Paulo.

domingo, 15 de janeiro de 2023

Paulista A2 - 1ª rodada - Juventus 1 x 0 Rio Claro

A equipe do Juventus estreou na série A2 do campeonato paulista com vitória - 1x0, diante do Rio Claro, na Rua Javari.

Entrando com a base que imaginávamos, Ito teve um time experiente e dedicado em campo. A escalação foi: André Dias; Iran, Alan Uchôa, Sacoman e Denis Neves; Adilson Goiano e Jeferson Lima; Jair, Adriano Paulista e Maikinho; Bruno Moraes.

Na fase ofensiva, um 4-2-3-1. Os laterais faziam ultrapassagens, e buscando sempre uma tabela com os pontas. A criatividade, entretanto, estava limitada com o camisa 10, Adriano - talvez o jogador mais fora de ritmo, teve dificuldade para chamar o jogo e fazer a bola girar. 

A participação de Adriano nem foi necessária para que, aos 6', o time abrisse o placar. Numa segunda bola do ataque juventino, Denis Neves foi acionado pela esquerda e colocou a bola na cabeça de Jeferson, que escorou firme no segundo pau e abriu o placar do jogo.

Marcando cedo, a fase defensiva foi muito mais acionada. Nessa hora, praticamente um 4-4-2, com os pontas retornando muito para marcar, sobretudo Jair - que teve mais ações defensivas no jogo que sua especialidade diz.

O time não teve vergonha de entregar a bola para o Rio Claro e explorar eventuais brechas para contra-ataques.

Todavia, com uma fase de transição frágil, o Juventus não levou mais sustos ao gol adversário.

Ito Roque, percebendo o perigo que o jogo se tornava, mexeu bem colocando Betinho e Luan Gama, por volta dos 25' da segunda etapa - sobretudo o volante melhorou muito o meio-campo grená, trazendo solidez e retendo mais a bola. 

Com o sol cansando bastante as equipes, o quarto final da partida foi mais controlado e o moleque travesso garantiu sua vitória.

Sendo uma rodada com apenas um empate, o Juventus termina em sexto lugar, com saldo mínimo - mas feliz pela estreia com o pé-direito.

O próximo jogo é contra a Linense, fora de casa, na quarta-feira. A equipe de Lins vem de empate contra o Comercial e ocupa a oitava colocação atualmente na tabela.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Vai começar a A2 - e como vem nosso Juventus?

O Clube Atlético Juventus iniciará a caminhada na série A2 do campeonato paulista neste sábado, 14/01, contra o Rio Claro, na Rua Javari.

Esta será a oitava participação consecutiva do clube paulistano na competição, sem conseguir o acesso mas também se livrando do temido rebaixamento.

Em 2022, o Juventus começou uma campanha perfeita, com 12 pontos em 12 disputados - entretanto, apenas 7 nos 33 pontos disputados na sequência da competição, encerrando assim na décima colocação (mesma colocação de 2021).

Em 2023, o que esperar do Moleque Travesso na competição? E mais, o que esperar de seus adversários?

Vamos lá entender um pouco do Paulistão Kia A2 - 2023!

Pra começar, os rebaixados da série A1 - 2022  fazem parte dos favoritos ao título: Ponte Preta e Novorizontino sucumbiram na elite ano passado, mas ambos têm estrutura, dinheiro e elenco - muito mais que os outros quatorze concorrentes. Ambos fizeram campanha decente na série B do brasileiro ano passado, permanecendo na divisão nacional para esta temporada. Assim, as equipes conseguiram manter jogadores nível A1 para esse paulistão, visando ao acesso e à boa preparação para o segundo semestre.

Num outro patamar, Oeste, Rio Claro, Portuguesa Santista e São Caetano - este apesar da crise interna, conseguiram trazer elencos sólidos e com jogadores rodados na divisão. E este fato é muito importante, conhecer os adversários e os campos é um diferencial enorme e que foi muito bem aproveitado em anos anteriores por São Bernardo e Portuguesa, por exemplo. Outros, como Velo Clube e XV, por seus motivos particulares, também podem ser nomes candidatos às oito primeiras colocações.

Já o Juventus se encontra, talvez, numa prateleira intermediária e com um dos mais difíceis prognósticos. Chegaram jogadores experientes, para uma base quase totalmente desfeita, mas nenhum com impacto que salte aos olhos.

Com Marcel deixando mais uma vez a beira do campo e assumindo um papel gerencial, Ito Roque foi o nome diagnosticado - e possível - para comandar a jornada neste semestre. 

Com certo prestígio no futebol paulista, o treinador teve sua última passagem pelo Afogados da Ingazeira-PE. Ao todo, na série D do brasileirão, Ito comandou o Afogados em 16 jogos: seis vitórias, seis derrotas e quatro empates - sendo duas derrotas pela segunda fase da competição, onde foi eliminado pelo ASA-AL. O aproveitamento foi de 45,8%, com  24 gols feitos (1,5 p.p) e 16 gols sofridos (1,0 p.p).

Com auxílio de Marcel e o diretor Eduardo Alves, o clube trouxe nomes experientes para a disputa da competição. Entre conhecidos - como Diego Sacoman e Adriano Paulista, e outros rodados e vitoriosos, como Denis Neves, Gilberto Alemão, Everton Sena e Bruno Moraes.

Eles se somam a André Dias, histórico goleiro grená e jovens oriundos da base - mas já velhos conhecidos, como por exemplo Isaque, Ricardo Jr, Alisson, Athyrson, Dudu e Masson (os três últimos que disputaram a copinha atual, eliminados ainda na primeira fase).

Ainda, existem apostas em atletas mais jovens e promissores do futebol de acesso, como são os casos de Thiaguinho e Maikinho.

Dentre os jogos-treino, o Juventus foi de uma surra sobre o Ecus Suzano a uma derrota (esperada) para o Pouso Alegre, em Minas Gerais. Por isso, fica até mais nebuloso prever como o time vai se comportar na estreia - e, claro, ao longo da competição.

Sendo um torneio de tiro curto até, pois são apenas quinze rodadas para definir o futuro, o time precisa focar em entrosamento o mais breve possível - algo difícil, visto que o clube foi o último a anunciar comissão técnica e fechar elenco. Ainda, o fator idade também é algo que coloca um receio na torcida - do prognóstico de time titular, divulgado pela turma do Escanteio SP (clique aqui), 8 de 11 atletas têm mais que 29 anos de idade. Ou seja, talvez o elenco seja fundamental para manter a estrutura de jogo por 90'.

Além de André Dias no gol, devemos ter os experientes Alemão e Sacoman na defesa central, amparados por Iran e Denis Neves nas laterais. Na proteção, como volantes, Goiano, Jeferson Lima e Betinho disputam duas vagas. No meio-de-campo, Everton Sena parece na dianteira pelos amistosos, em relação a Adriano Paulista - que tem perfil um pouco mais goleador. No trio de frente, Jair e Bruno Morais devem ter Thiaguinho, destaque da pré-temporada, completando a responsabilidade dos gols.

Novamente agradecemos a turma do Escanteio SP pelas informações acima!

O aproveitamento dos meninos da base - sobretudo aqueles que disputaram a atual edição da copinha - é uma incógnita. Dudu e Masson, sobretudo, já vinham sendo titulares na copa paulista do ano passado e tem boa rodagem profissional. Entretanto, com todas as contratações experientes, a janela para desenvolvimento é estreita e merece demais a atenção da diretoria.

De modo geral, nossa aposta, aqui no bola pro mato, é entre 20 e 24 pontos somados na competição, brigando pela classficação e longe do risco de rebaixamento. 

O time tem oito jogos fora de casa (contra sete em próprios domínios) sendo dois contra os favoritos ao títulos (sétima e décima quinta rodada). Ainda, nas duas últimas viagens da primeira fase, Monte Azul e Novo Horizonte representam quase 1.000 km somados de rodovias, o que obviamente desgasta fisicamente o elenco.

Com a estreia tão próxima, acreditamos que as expectativas reais vão aparecer após os três primeiros jogos e, aí, tentaremos um prognósticos mais preciso.

Que San Gennaro nos abençoe e forza, juve!

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Pelé

Morreu, no último dia 29 de dezembro, Edson Arantes do Nascimento. Pelé, não.

Quase que como regra, o homem vive o suficiente para ter suas controvérsias na vida privada - e não foi diferente para Edson. Com erros e acertos, não cabe a nós agora julgar e deixaremos para os responsáveis divinos.

Isso posto, falando em divindade, Pelé segue intacto - aquele que é considerado o "Rei" do maior dos esportes, por todos os povos que habitam esse planeta, não morrerá jamais.

Pelé é, antes de tudo, significado de perfeição naquilo que se faz, é um jargão popular: "fulano é o pelé dos chefs de cozinha..." ou "Michael Jordan é, tipo, o pelé dos jogadores de basquete...". Seja qual for o exemplo, ser pelé é ser o melhor.

Pelé fez tudo que um jogador de futebol poderia ter feito, em termos táticos, técnicos e de conquistas. 

Pelé parou uma guerra, trouxe três copas do mundo para o Brasil.

Pelé virou sinônimo de Brasil - entendam, uma pessoa transcendeu o que é ser um patrimônio cultural. Brasil é Carnaval, samba e Pelé!

Pelé inspirou aquele que rivaliza como maior da história, Diego Maradona, a usar a mística camisa 10 - mas, patriotismo à parte, nunca haverá outro como Pelé - ele foi o maior de todos.

Pelé foi herói brasileiro, mas herói mundial - ah, quem não lembra que o Chaves queria só ter ido ver o filme do Pelé...

Pelé foi anti-herói também de todo juventino, uma vez que marcou seu gol mais famoso contra o moleque travesso, nas dependências da rua javari - notem, ele foi anti-herói, e não vilão, porque por mais que lhe faltassem atributos frente aos juventinos, a simpatia por ver o melhor da história era inequívoca.

Edson se foi - Pelé é imortal.

De três corações para o mundo e, agora, do mundo para o céu.

Pelé foi o pelé no que fazia!

Salve o rei do futebol!

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Moreirense: o simples e sonhado 5° lugar

A primeira vez de Castro em terras portuguesas foi um desafio: assumir o modesto Moreirense, da cidade de Guimarães, e levá-lo aos maiores do país. Historicamente, a nação é comandada por Benfica, Porto e Sporting, e a fase atual mantém os poderosos lá em cima.

O time vinha de oitavo e sexto lugar nas últimas temporadas, esbarrando no acesso aos poderosos e mesmo às competições europeias.

As metas eram claras: para sua primeira e única temporada, chegar entre 4ª e 5ª colocação, obtendo classificação à Europa League; e bater quartas-de-final na Taça da Liga. 

Objetivos modestos, mas realistas e desafiadores o bastante para um país desigual futebolisticamente.

Como limitações, além do orçamento, algumas imposições: se chegar proposta da Premier League para alguém, Castro deveria aceitar - seja quem for - desde que no preço de mercado do atleta; propostas de times médios / grandes das principais ligas, idem; propostas dos três grandes de Portugal: venda.

Assim, a temporada de 2020/2021 se iniciou. Com pouca verba, Castro utilizou a base do time da temporada anterior e foi à busca de jovens, alguns da seleção de base de Portugal e outros prospectados na América do Sul. A pré-temporada ajudou a formar um time sólido, mesmo que frágil ainda em todos os setores - ataque com lapsos de criação, defesas cedendo sempre muitos espaços - porém muita disposição. 

Chegaram nomes como Diogo Costa (goleiro titular da seleção portuguesa na Copa do Mundo de 2022), Caicedo (destaque do Equador na Copa de 2022) e Gonçalo Ramos (autor de um hat-trick, contra a Suiça, na Copa de 2022).

Nas 34 partidas da Liga NOS, os 54 pontos conquistados pelo jovem elenco garantiram o 5° lugar almejado, sendo 17 vitórias, 3 empates e 14 derrotas. Foram 64 gols marcados (segundo melhor do campeonato) e 46 sofridos (pior defesa entre os seis primeiros colocados). 

Já na Taça da Liga, uma eliminação precoce, na primeira rodada, ficando aquém do objetivo de avançar às quartas-de-final. Taça, essa vencida em 2016/2017, maior título da história do clube.

Individualmente, um ano de destaques! Rafael Martins marcou 22 gols e foi o artilheiro da Liga Portuguesa, atuando em todas as partidas; Yan, jovem brasileiro, sagrou-se principal garçom, com incríveis 17 assistências.

O time-base de 2020/2021 foi: Diogo Costa, D'Alberto, Ferraresi, Rosic e Conté; Caicedo, Soares, Pires, Yan e Walterson; Rafael Martins. O restante do elenco: Pasinato (GOL), Quaresma, Ba e Diogo Leite (ZAG), Silva, Amador e Figueiredo (LAT), Camará, Conceição, Fábio Vieira, Franco e Galego (MEI), Luis Rodrigues, Enciso, Lacerda, Gonçalo Ramos e André Luis (ATA). Ainda, deixaram o elenco no meio da temporada: Mané, Fábio Pacheco e Pedro Nuno - todos dentro das obrigações de liberação para clubes "maiores".

O destaque do ano ficou para Walterson: jogando todas as 40 partidas da temporada, foram 16 gols e 13 assistências. Dentro de campo, o mineiro revelado no São Bernardo FC foi a peça de maior referência no momento ofensivo, como responsável por gols em importantes vitórias. 

O degrau para o ano seguinte é alto - o terceiro colocado da Liga tinha feito 78 pontos (+24) enquanto o campeão Benfica, 91 pontos (37+).

Numa carreira meteórica, Castro deixa um time ciente de sua limitação de ascender para a próxima prateleira, mas talvez já possivelmente consolidado como uma real força emergente no país - e mais: habilitado a jogar uma competição europeia, a UEFA Europa League, pela primeira vez na história!

Defendendo a "Muralha Amarela"

Castro viajava agora para a Alemanha, para um desafio inédito em sua carreira: vencer a disputada Bundesliga! Disputada entre meros mortais, porque o Bayern há muito tempo mantém sua dinastia bávara viva. Agora em Dortmund, o treinador brasileiro foi recebido com o carinho e a esperança de todo um Signal Iduna Park, abençoado sobretudo pela muralha amarela que grita e pulsa atrás do gol todos os jogos. Se a missão era difícil, ela se tornava (quase) impossível: além de terras locais, resgatar a taça da UEFA Champions League, vencida em 1996/1997, pelo imortal time de Matthias Sammer e Ottmar Hitzfeld.

Temporada 2020/2021

Castro assumira o Borussia Dortmund com a missão de eliminar a posição de eterno segundo lugar da Alemanha ou de sombra do poderoso Bayern. Isso passava por mudar a filosofia do clube, que sempre foi, de certo modo, investir em jovens. Não que isso não devia ser feito, mas devia tomar apenas parte do orçamento - assim, as contratações foram separadas em três blocos: 

(i) jovens promissores,
(ii) jogadores experientes, e 
(iii) caras que mudam um time.

Claro que o primeiro ano sempre é difícil, talvez as únicas chegadas no terceiro calibre foram Ilkay Gundogan (repatriado, digamos) e Gabriel Jesus, no auge de sua carreira. Como caras experientes, o destaque fica para Granit Xhaka, como volante e desde início titular absoluto. E na classe de jovens promissores: Wirtz, Fofana, Luis Diaz e Rafael Leão.

E, como justiça dos treinos, todos tiveram oportunidades - inclusive, o time-base da temporada abrigou jogadores das três frentes: Burki; Meunier, Can, Hummels e Guerreiro; Gundogan e Xhaka; Sancho, Reus (C) e Luis Diaz; Haaland (Gabriel Jesus).

Elenco: goleiros - Burki e Hitz; laterais: Meunier, Piszczek, Passlack, Guerreiro, Schulz e Schmelzer; zagueiros: Can, Hummels, Fofana e Zagadou; volantes - Gundogan, Xhaka, Dahoud, Witsel, Bellingham, Osterhage e Bafounta; meias - Reus, Wirtz, Hazard, Knauff e Reyna; atacantes: Sancho, Luis Diaz, Rafael Leão, Álvarez, Haaland e Gabriel Jesus.

> Bundesliga: campeão (85 pontos)
> DFB-Pokal: eliminado nas semifinais
> Supercopa Alemã: vice-campeão
> Champions League: eliminado nas oitavas-de-final

Bundesliga - o começo meteórico animou o Signal Iduna Park - sete vitórias consecutivas, incluindo um 2x0 diante do Bayern. Com um empate aqui, outra derrota ali, o BVB se manteve desde então na dianteira. O Bayern perseguia, ajustava a diferença, mas nunca o bastante para ultrapassar. Não que a jornada tenha sido perfeita: um surpreendente 0x7 para o Hoffenhein colocou Castro em dúvida na metade do campeonato, apesar do retrospecto. A maior goleada veio somente nas últimas rodadas, 10x1 contra o Mainz. Em geral, as 34 rodadas reservaram 27 vitórias aos aurinegros, com 4 empates e apenas 3 derrotas; 89 gols feitos (melhor ataque), 32 sofridos (segunda melhor defesa) e o total de 85 pontos - 6 à frente do velho rival. 

Parada: Ainda em dezembro, a grande promessa Haaland se lesionou (LCA) e perdeu todo o segundo semestre da competição - dando a vaga de titular ao brasileiro Gabriel Jesus, reduzindo o curto elenco e prejudicando todo o desenvolvimento da temporada e as outras competições. No percurso, ainda Gundogan e Diaz perderam um mês cada, atrapalhando também na condução paralela dos torneios.

DFB-Pokal - o time começou, assim como na Bundesliga, imparável: 8x0 no Union Berlin; na rodada seguinte, 3x0 no Hertha. À medida que a competição afunilava, adversário mais difíceis, como o Frankfurt nas quartas, em vitória suada por 2x1. As semifinais, no meio do calendário do segundo semestre, chegaram entre todas as lesões e cansaço possíveis - e não deu outra, 1x3 para o Leverkusen e eliminação frustrante na copa.

Supercopa da Alemanha -  a Supercopa foi o primeiro jogo oficial do calendário e marcou o confronto inicial contra o Bayern nas competições. Um duro 0x1, o vice-campeonato, amargado pelo gol de Lewandowski.

Champions League - um grupo de dificuldade média, com Lazio, Club Brugge e Saint Johnstone. E, nele, liderança com 16 pontos, 19 gols feitos e apenas 3 sofridos. Cabeça-de-chave no mata-mata, o Dortmund porém não chegou longe: abriu as oitavas-de-final, fora de casa, perdendo por 0x1 para a Inter. E no esperado jogo de volta, sem chance alguma, o BVB tomou 0x2 e deixou precocemente a competição europeia, decepcionando clube, comunidade e todo o grupo, claro.

Temporada 2021/2022

kickoff dos dois anos de gestão de Castro foi dado, com parte do plano sendo cumprido. A expectativa era vencer também a Pokal e avançar para estágios mais críticos da UCL - que teve o Bayern como vice-campeão. Para 2021/2022 a expectativa era de reforços significativos, sobretudo na linha defensiva, que careceu de opções. E também se prevenir de lesões, que bem ou mal, prejudicaram muito o andar da temporada - Haaland é um dos maiores talentos mundiais e sem ele, tudo ficaria obviamente mais difícil. 

Para tanto, chegaram ótimos nomes na janela de verão: Hakimi, Theo Hernandez, Zinchenko e Gakpo. Aliado a isso, nenhuma peça da principal rotação foi perdida, tendo apenas alterações no segundo nível do elenco, com saídas por exemplo de Thorgan Hazard, Hitz, Zagadou, Witsel e Schulz. Ainda nas movimentações, mas já na janela de inverno, chegaram Bernd Leno, Saliba e Neuhaus. Por outro lado, o Dortmund sentiu a sáida de Dahoud, após uma dura postura do atleta durante a renovação contratual.

Elenco: goleiros - Burki e Hitz; laterais: Meunier, Piszczek, Passlack, Guerreiro, Schulz e Schmelzer; zagueiros: Can, Hummels, Fofana e Zagadou; volantes - Gundogan, Xhaka, Dahoud, Witsel, Bellingham, Osterhage e Bafounta; meias - Reus, Wirtz, Hazard, Knauff e Reyna; atacantes: Sancho, Luis Diaz, Rafael Leão, Álvarez, Haaland e Gabriel Jesus.

Ao final do ano, como se verá abaixo, objetivos cumpridos - todos os títulos do ano conquistados. Percentuais também melhoraram em massa: mais vitórias, menos empates e derrotas, maior média de gols feitos e minimização da média de gols sofridos.

> Bundesliga: campeão (93 pontos)
> DFB-Pokal: campeão
> Supercopa Alemã: campeão
> Champions League: campeão

Bundesliga - um início conturbado marcou os primeiro passos na liga alemã. Com três tropeços nos primeiros jogos, a liderança ficou um pouco distante; entretanto, à medida que o time pegava entrosamento com as novas peças, as vitórias chegavam - e a liderança veio no primeiro turno justamente após jogo contra o Bayern: em casa, vitória por 3x2, com hat-trick de Erling Haaland, na 13ª rodada. Aliás, a volta contra o Bayern foi um jogo agitadíssimo, que culminou num 2x2 no Allianz, sendo novamente os gols da besta norueguesa. O título chegou antecipadamente, na 31ª rodada: goleada (6x0) contra o Mainz e caneco erguido na casa do adversário. O time evoluiu muito, e chegou ao final com 93 pontos, ante 79 do vice-campeão, Bayern. O ataque marcou 103 gols (+14 versus 20/21) e sofreu apenas 19 (-13 versus 20/21)

DFB-Pokal - nos estágios iniciais, vitórias sobre Wolfsburg (3x0), Eintracht (2x0) e Monchengladbach (5x2). A semifinal da copa foi nada menos que épica: em casa, o Dortmund recebeu o Bayern. E os visitantes abriram 0x3 e assim seguraram até os 70' de jogo. No minuto 71', Gundogan descontou para os aurinegros. Aos 81', Ilkay diminuiu a desvantagem. E aos 89', Marco Reus cravou a prorrogação! No tempo extra, o Bayern logo conseguiu o 3x4 - porém, não contava que Gundogan fosse para o hat-trick e garantisse as cobraças de pênaltis. Na melhor de cinco, 3x0 para o time local e muita festa na ida pra final da DFB-Pokal. Na final, um jogo com domínio extremo do Bayer Leverkusen, seja em posse de bola ou chances para gol; o Borussia jogou recuado, tentando explorar os contra-ataques: e assim chegou na vitória (e no título) com dobradinha de Luis Díaz! Final, 2x1 e título da DFB-Pokal.

Supercopa da Alemanha - a Supercopa foi um jogo maluco, de viradas e muita intensidade. Diante de um valente Wolfsburg, o Dortmundo conseguiu a vitória por 3x2.

Champions League - na fase de grupos, classificação em primeiro lugar (13 pontos) contra Benfica (13), Chelsea (7) e Spartak (1). Pelas oitavas-de-final, o Dortmund amassou o Milan em pleno San Siro, por 3x0; o jogo de volta, administrado pelos aurinegros, terminou em 1x1, mas com excesso de sofrimento - o gol milanista, honrando a lei do ex, foi marcado por Thorgan. Já nas quartas, o duelo icônico diante de Jurgen Klopp: no Signal Iduna Park, um dos melhores jogos da história do time da casa e um sonoro 5x0, em partida absurda de Theo Hernandez, anulando Salah, gerando assistência e gol; no jogo de volta, assim como a volta das oitavas, um tranquilo 1x1. Nas semifinais, um duelo diante do surpreendente Tottenham Hotspur - mas sem chances para o time inglês: 5x0 em Dortmund e 4x0 em Londres. Assim, chegara o último dia de Castro em Dortmund, o dia para coroar a tríplice coroa e justificar o investimento ao longo desses dois anos - contra o Atleti, de Diego Simeone, melhor defesa da competição - entretanto, um jogo fácil! Resumindo, 6x1 para os aurinegros. Aos 14', Haaland e Gundogan basicamente já haviam finalizado as chances de reação. Poucos minutos após, o alemão soltou um canudo de fora da área em passe de Xhaka. No segundo tempo, Theo e Haaland (mais duas vezes) decretaram a goleada, descontada por Álvaro Morata. O Dortmund conquista o bi-campeonato da UCL, que veio pela primeira vez em 1996/1997. Os aurinegros superam o Bayern no começo de década e se consolidam como o maior time alemão da atualidade!

Resumo da carreira

Ao todo, em duas temporadas, Castro conquistou (principalmente) o bicampeonato da Bundesliga e uma edição de Champions League, exatamente como fizera o time de Ottmar Hitzfeld nos anos 90, considerados de ouro para o clube. 

Em 110 partidas, 90 vitórias e exatos 310 gols anotados sob seu comando. 

O jogador com mais atuações foi o goleiro Burki, com 83 partidas.

O artilheiro, Haaland, com 67 gols. E o principal assistente, e capitão do elenco, foi Marco Reus, com 42 passes decisivos para gol.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Time is written - Time to write the future | XXX

Rinus Michels, Johan Cruyff, Sjaak Swart, Marco Van Basten, Dennis Bergkamp, Jari Litmanen.... a lista de lendas do AFC Ajax é uma das maiores que um clube no mundo pode ostentar. Vivo desde 1900, teve sua era de ouro em 1970, quando chamou a atenção para si, com o futebol total. Do tricampeonato da Champions League nasceu o embrião para a seleção nacional, em 1974. Na década seguinte, mesmo com resultados ruins domesticamente, promoveu nomes como Rikjaard e Van Basten, que ergueram a taça de campeão da Eurocopa em 1988. E como fio condutor, Rikjaard ainda estaria presente na equipe do Ajax de 1995, que dominou o mundo com um disruptivo estilo de futebol.

Abrindo a década de 2020, o clube agora queria um novo período na história, queria se reposicionar como vanguarda, como promotor de talentos e como campeão. Para isso, Castro assumiu o comando que já fora de Michels e Van Gaal - sabendo que o tempo é escrito, era hora de escrever o futuro.

2020/2021 - O resgate de um gigante.

O primeiro ano do Ajax foi digno dos melhores tempos do clube holandês. Como contexto, entendam que o melhor ataque da história da Eredivisie pertence (pertencia) ao próprio clube, que anotou absurdos 122 gols nas 34 rodadas da edição de 1966/1967, o que configura uma média de 3,59 gols por jogo. Na ocasião, Johan Cruyff foi o artilheiro da equipe com 33 gols. 

Um time jovem. À exceção de Stekeleburg, Blind e Tadic, um grupo de garotos. Mazraoui, Gravenberch, David Neres, Antony, Noa Lang, entre tantos outros - mas um grupo  de garotos disposto a fazer barulho!

Assim, em 2020/2021, os Godenzonen fizeram 147 gols, equivalente a 4,32 gols por jogo. Mesmo distante da história de Johan, Haller foi o artilheiro com 38 tentos e grande nome individual do time.

Aliás, a perseguição do marfinense pelo recorde de Coen Dillen (PSV, 43 gols, 1956) foi incessante, mas o gosto de quebrar o recorde ainda não fora possível nesta temporada.

O campeonato holandês, então, foi conquistado com folga. Com 90 pontos (30 vitórias) no torneio, 88% de aproveitamento - os 147 gols feitos, já citados, e apenas 19 sofridos - vantagens confortáveis em quaisquer quesitos estatísticos. E se Haller foi o artilheiro, Dusan Tadic foi o principal assistente com 22 passes decisivos. O 35° título holandês do clube.

A Oranje Cup foi mais sossegada ainda. Sempre em jogos único, em quatro partidas o Ajax foi dominante e finalizou o título com um sonoro 6x1 contra o Gronigen.

A Champions League, como sempre, um capítulo à parte. Os 15 pontos na fase de grupos alçaram o time como um dos mais bem classificados - além de provocar a eliminação precoce do Liverpool de Kloop. Podendo mandar os segundos jogos em casa, a estreia no mata-mata foi perante o gigante Barcelona: 1x1 na Catalunha, 0x0 em Amsterdã e classificação com o regulamente debaixo do braço. Já contra Atletico de Madrid e Atalanta (quartas e semis, respectivamente), o time se valeu de duas boas partidas fora de casa para garantir o resultado e apenas administrar na Johan Cruyff Arena. 

A Turquia recebeu o duelo final, entre Real Madrid e o AFC Ajax. Um partida muito bem disputada e liderada por bom tempo pelos merengues, que abriram o placar cedo no jogo. O gol de empate, na segunda etapa, saiu dos pés de Antony - seu primeiro gol na atual edição da Liga. As tensões em campo levaram a disputa para a prorrogação, quando ainda nos seus primeiro minutos, novamente a cria de Cotia trouxe a bola pelo franco esquerdo e a guardou no fundo das redes de Courtois - 2x1, alguns minutos mais e Ajax campeão europeu!

O time holandês chegara à sua quinta conquista de UCL, empatando com o Barcelona na história e encerrando um jejum de mais de 25 anos - aquele time lendário de 1994/1995 de: Van Der Sar, Reiziger, Rijkaard, Blind, Frank de Boer, Ronald de Boer, Seedorf (Kanu), Davids, Finidi, Litmanen (Kluivert) e Overmars. (T) Van Gall.

Agora, a escalação que se tornará tão clássica quanto essa: Stekelenburg; Mazraoui, Ajer, Blind e Tagliafico; Wirtz, Gravenberch e Tadic; Neres, Antony e Haller. (T) Castro.

Sim, pai e filho, vinte e seis anos depois, na mesma linha de defesa, protegendo o mesmo lado esquerdo. Danny e Daley Blind, 1995 e 2021. Campeões.

2021/2022 - A afirmação.

O primeiro ano do Ajax foi arrasador. Como contexto, entendam que o melhor ataque já visto, em números.

A base do time, mantida em sua integridade, exigiu de Castro decisões duras com o elenco: muitos jovens queriam minutos, e o treinador pouco tinha a oferecer; assim a saída foi liberá-los por empréstimo, de 6 meses a 1 ano, para que o tempo em campo fosse satisfeito - e mais experiência acumulada. Nessa barca, foram Brobbey, Julian Alvarez, Ihattaren, Klassen, Labyad, Adams e Danilo - alguns no primeiro semestre, outros no segundo - todos para times médios e grandes, disputando campeonatos europeus. Ficaram Doku, Fábio Vieira, Pedri, entre outros. Mesmo assim, o elenco ficou mais curto (principalmente no segundo semestre) e na média de idade, mais experiente.

O time principal mantido (Stekelenburg; Mazraoui, Ajer, Blind, Tagliafico; Wirtz, Gravenberch e Tadic; Neres, Antony e Haller) e fundamental para conquista dos quatro torneios disputados no ano. 

O ano começou com a Supercopa Europeia, reunindo atuais campeões da UCL e da Europa League. Em confronto único, o dono do título mais importante do continente bateu a emergente equipe inglesa do Leicester por 3x2.

O título da Eredivisie veio com conforto, mas apenas depois de uma disputa de quase trinta rodadas cabeça a cabeça contra o PSV - que sofreu apenas uma derrota na competição, justamente quando o time de Eindhoven entregou a liderança de bandeja ao time da capital. Em 34 rodadas, foram 32 vitórias e 2 empates - equivalendo a incríveis 98 pontos. Com absurdos 167 gols apenas 13 sofridos, o clube conseguiu evoluir a campanha do ano anterior, reescrevendo a história em tão pouco tempo.

E falando em história, o recorde de Coen Dillen não sobreviveu: o marfinense Haller sagrou-se novamente artilheiro da Eredivisie, mas agora com 45 gols e elevou o patamar para qualquer especialista na arte de fazer gols.

Dusan Tadic também foi outro que não teve paciência para segurar o próprio recorde - as 22 assistências do ano anterior evoluíram para incríveis 26.

A Oranje Cup novamente foi procolocar, batendo o Vitesse, por 4x1, na final.

O quarto, e último, título foi da sonhada orelhuda - o bicampeonato seguido. A trajetória na primeira fase foi contra Leicester, Benfica e Salzburg - grupo gabaritado, jogando com a equipe alternativa (reserva). Nas oitavas-de-final, duas vitórias confortáveis diante da Atalanta (4x0 em Bérgamo e em Amsterdã). Pelas quartas, talvez o confronto mais difícil - o Milan complicou o jogo na Johan Cruyff Arena e segurou o 1x1; na volta, em pleno San Siro, os Ajacieden mostraram maturidade para obter um 2x0 ainda na primeira etapa e eliminar qualquer zebra. As semifinais saíram da Itália para a Inglaterra e o Liverpool seria o grande adversário - 3x0 na ida (em Amsterdã) e 3x2 em Anfield.

A grande final, sediada na Alemanha, colocou o grande time do momento diante do PSG de Messi, Neymar e Mbappe - aquele time tido como único possível a bater no Ajax. Entretanto, cientes da dificuldade, os comandados de Castro não esperaram muito tempo: Antony, que marcara os dois gols do título na campanha anterior, abriu o placar com passe de Tagliafico. Isso abriu o time francês, e permitiu que ao longo do jogo, Haller fizesse o segundo, o terceiro e o quarto. Final? 4x1 para o AFC, agora hexacampeão da UEFA Champions League.

Em 1995/1996, o Ajax tentara o bicampeonato mas teve a tentativa frustrada, com derrota nos pênaltis para a Juventus, em Roma. Se para trazer o título de 2020/2021 tivemos Daley Blind, para confirmar o bi tivemos que trazer o filho de outra lenda: Justin Kluivert, filho de Patrick Kluivert, lendário atacante holandês e, claro, do Ajax. Muita história!

A comparação do Ajax com o time da década de 90 é inevitável, pela lembrança afetiva e recente. Porém, já devemos avançar mais na história e lembrar do time da década de 70. Time de Neeskens e Cruyff e comandado por Rinus Michels, que revolucionou o futebol, conseguiu o tricampeonato europeu entre 1971 e 1973. Apesar de ser utópico alcançar - não o feito, mas a magia de tamanhas lendas - um passo poderia ser dado por Castro rumo à imortalização.

2021/2022 - A reparação de uma dívida histórica.

Aliás, Castro poderia dar um outro passo, diferente, rumo à imortalização.

A base desse time do Ajax, tricampeão na década de 1970, representou a seleção da Holanda na Copa do Mundo de 1974, tornando-a principal favorita. Entretanto, o sonho do título parou na Alemanha Ocidental - praticamente uma dívida histórica do futebol com a humanidade e o criando o mito da Laranja Mecânica.

Dezoito anos depois, na Euro 1988, o título chegou: Com Van Basten como o grande gênio da geração, nascido na base Ajacieden, a seleção de Rikjaard,  Koeman e Gullit fora comandada novamente por Rinus e mais uma vez encantou o mundo. 

Ou seja, por três vezes a seleção dos países baixos ou seu maior clube expoente encantaram o mundo, basicamente: com a geração de Cruyff, com a geração de Van Basten e com a geração de 1995, nossa grande referência até aqui. Chegara a hora de uma quarta geração, mas desta vez obstinada a reescrever a história e reparar o pecado do futebol - entregar a taça de campeão do mundo para a  Holanda. E, claro que Castro tendo tamanho sucesso no maior time do país, após Rinus e Van Gaal, a ele fora designada a grande missão.

Eliminatórias quase perfeitas. Num grupo com Turquia, Suécia, Romênia, Eslovênia e Bulgária: 8V, 2E, 36 GP e 4 GF.

Weghorst, grandalhão de 1,97m foi o artilheiro da equipe na jornada, com 6 gols; enquanto isso, Berghuis foi o principal assistente, com 7 passes decisivos para gol.

A equipe fez poucos amistosos antes da Copa, com destaque para dois diante da França. Testes positivos, com vitórias sólidas e alterações primordiais para achar o time ideal.

A estreia foi contra o México: jogo disputado, de muito estudo entre as partes. A Holanda estreou com Cillessen; Dumfries, De Ligt, Van Dijk e Malacia; Frankie De Jong, Wijnaldum e Gravenberch; Depay, Berghuis e Luuk De Jong. O único gol do jogo, de vitória laranja, foi marcado por Berghuis. 1x0.

O segundo jogo, se livre de tensão, foi o pior da primeira fase. Diante da África do Sul, a Holanda não conseguiu espaços tampouco se impor em momento algum, terminando num empate morno, 0x0.

O terceiro e último jogo da primeira fase foi diante da Turquia, que se classificou em segundo lugar no grupo holandês das eliminatórias. Com um primeiro tempo imponente, a Holanda abriu o placar com Gravenberch e depois parou na defesa turca; o segundo tempo foi praticamente administrado, evitando o risco de perder a vitória e o primeiro lugar do grupo, com 7 pontos. Em relação ao time de estreia, Luuk perdeu a vaga para Danjuma, atuando como falso nove. 1x0.

O chaveamento pareou Holanda x Escócia nas oitavas-de-final, jogo geograficamente curioso: highlanders x nederlanders. O confronto mais fácil para os cabeças-de-chave, entretanto, não correu como esperado. Os jogadores das terras altas começaram numa pressão absurda, abrindo o placar e segurando a vantagem com muita garra; a Holanda, em sua vez, pouco conseguia agir ou mesmo levar perigo ao gol adversário. O jogo fluia apenas pela esquerda, pelo raçudo Danjuma: e assim saiu o gol. Em jogo individual, achou Georginio na área para empatar o jogo. Ainda na pressão, Depay marcou o gol da virada. Com os ânimos em posições opostas agora, que o time laranja ampliou com Promes já nos acréscimos. Placar que não reflete o dificílimo jogo das oitavas. 3x1.

O desafio das oitavas foi motivador para o time entrar em campo contra o Brasil, pelas quartas-de-final. Com menos de cinco minutos de jogo, os holandeses abriram o placar com rápida infiltração de Frenkie. Depois do gol, os europeus jogaram por apenas uma bola, abdicando de sua posse (geral de 44% nos noventa minutos). E aproveitando dos erros brasileiros, Depay, Berghuis e Danjuma foram às redes e garantiram a goleada! 4x0.

Portugal foi o adversário nas semifinais - time forte em todos os setores, fez um jogo duro. Pra quem esperava de técnica dos dois lados, acabou vendo um jogo truncado, por luta de espaços. E um jogo polêmico: o gol da classificação holandesa saiu dos pés de Gravenberch, que estava milímetros à frente do penúltimo defensor, em lance tão ajustado que o VAR não foi capaz de interferir. Se as mesas redondas da noite pegaram fogo, não importou para a Holanda. 1x0.

Como o destino é irônico, 48 anos depois, a reedição da final: Alemanha x Holanda. O time alemão vinha de goleadas desde as oitavas e, além de tudo, com seis vitórias embaladas. Com base no time do Bayern, o entrosamento chegou a atordoar a seleção holandesa por boa parte do primeiro tempo - mesmo que não levando perigo à meta de Cillessen. Tranquila, a Alemanhã talvez se distraiu e, ao apagar das luzes na primeira etapa, Berghuis fez o gol em roubada de bola no campo de ataque, aos 45'+1'. Confiante, a Laranja entrou dominando a posse de bola na segunda etapa - e tão logo ampliou a vantagem com Gravenberch, novamente o talento do Ajax. Poucos minutos depois, aos 66', De Ligt foi expulso por carrinho violento em Gnabry - mas nada que mudou o jogo. Compacto e inteligente, o time holandês conduziu a partida friamente até o final. 2x0.

Dívida reparada - a Holanda é campeã do mundo!